segunda-feira, 8 de outubro de 2012

escreveres

que eu nem sei se escrevo
se serão apenas letras
e nem papéis
letras soltas sem sentido nem realidade
nada mais que vomitados
frutas que foram apodrecendo
peixes esventrados que nem os gatos pegam
nojos
velórios do que tenha sido
e nem futuros nem presente
as letras desconexas a teimarem frases
nada mais que dejectos
fezes de insensatas comezainas
bebedeiras
maus agoiros e bruxedos
e nem rezas
e nem missas
nem o séquito dos anjos a velá-las
palavras desajustadas
nem palavras...
letras soltas
soletrares que nem ensaio
balbuciares de vazios
e nem choros
cada som sem um nome
nem velho, nem criança, nem mendigo
nem ave, nem casa, nem filho
nem nome de gente que eu chamasse
daniel, luisa ou francisco
nem designação de defeito ou qualidade
como fosse
bom, amigo, crueldade
amoroso, ou fiel, ou presunçoso

palavras que seriam ditos 
ou que nem as haja e eu invente

merdas
apenas merdas o que escrevo

1 comentário:

wind disse...

Elá, isso está pessimista:)
Beijos

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein