quinta-feira, 26 de abril de 2018

quarta-feira, 21 de março de 2018

árvores



designo algumas pelo nome
a faia, a pereira, o carvalho, a nespereira
e essa maravilha da natureza que é o imbondeiro
florescem por Janeiro em rebates de beleza como a amendoeira
ou salpicam-se de folhinhas verdes, em ramos que semelhavam secos,como faz a figueira
remoçam-se, e eu invejo-as
e, a lembrar o poeta, imploro aos deuses
que a Primavera faça, em cada um da gente, o que faz às cerejeiras






"Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras" Pablo Neruda

sexta-feira, 16 de março de 2018

não podes imaginar mais do que o que te foi dado: ainda que desejes, aquele sentir de suores e podres e os olhos esborrachados de choros não são coisas que consigas sentir

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

o livro - apresentação e colóquio

























Foi encerrado este ciclo, poderei dizer que com chave dourada
Uma sessão de apresentação do livro Expostos meninos e meninas do Concelho de Lagos em que o ponto alto que foi a dramatização primorosa que a RiTa Rodrigues fez dum texto que nem eram mais do que frases e nomes que retirei do livro a fazerem as vezes de um texto e que ela tratou tão bem, tão bem que lhes deu a vida que eu lhes imaginava
quereria ver de novo, deixar correr de novo aquela lágrima...
Que os deuses encham de bençãos a Mãe Rita e os seus Meninos!

Ficam algumas fotos a documentarem

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Natal de 2017

Sejamos sinceros
Deixemos de pensar em água para isto e aquilo
na falta dela
Água doce, claro
água de rios e de barragens
a água dos autoclismos e das torneiras
e das garrafinhas e garrafões que
a faltar uma, também falta outra, acreditem
Deixemos de tentar encontrar poesia na chuva
Tudo a rever a húmido
Tudo pardo e, 
no mínimo, um fedor a madeira queimada
ou a gasóleo
ou o contador da electricidade a rodar como louco
e um frio de cortar os ossos
Deixemos de ver poesia nas nuvens a dançarem-nos 
baixas e escuras,
em cima das cabeças e
dentro dos olhos, essa luz coada que magoa
Sejamos sinceros
Nada de politicamente correto
Nada de ficarmos a pensar no futuro
o nosso e, mais ainda, o dos netos
Peçamos tréguas à boa consciência
Peçamos complacência aos rios e às couves
e às plantações diversas
e perdão a nós mesmos sedentos e sebentos
e a modos que 
a modos que endoidados
que a falta de água nas torneiras nos poria loucos
Deixemos estes cenários trágicos e lembremos
este Novembro
nem sendo frequente
não é caso único
Tudo se recompõe
Vejamos a coisa dum ponto de vista esperançoso e
Caramba!!
Um Natal na praia seria um grande gozo!!
Um Natal como, afinal, em outras partes do Globo
Nem neve, nem chuva,
essa coisa que nem deixa que sequem os lençóis
Ou, em alternativa,
concedo,
uns esgarrões entre as duas e as quatro
e o sol raiando, antes e depois
e um calorzinho que deixasse 
lavarmo-nos nessa água mole que caísse dos céus
Estamos quase nisso, regalemo-nos
Um Natal de biquíni
e a árvore enfeitada com conchas e limos.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

contentamento

há dias como hoje que nem percebo
estou assim a modos que contente
assim como quando se recebe um presente
nem isso
assim como quando nos apaixonamos
quando sabemos que, de aqui a pouco, vamos ver o motivo do nosso apreço
um contentamento e um sossego de lago depois das neves
será deste interregno do Outono
será deste tempo primaveril a saber a estio
será de mim mesma e eu desconheço
nada que se tenha passado e eu nisto

afinal descubro

é tudo do Chopin que toca lá dentro
do cão que dorme pachorrento
e do cheirinho gostoso a marmelos assados

terça-feira, 10 de outubro de 2017

romã



era apenas uma romã uma, igualzinha a outras romãs de que retiro os bagos para uma taça e sirvo à sobremesa mas esta fez-me sentir que estava ali o Universo e Deus... (se Ele existe) que aquilo cresceu de uma flor encarnada  andaram, uma e outra, flor e romã, a enfeitar os céus  de Maio até hoje  e eu  a retirar aqueles bagos translucidos de sob as películas que os aconchegavam  a desfazer os gomos sedosos no interior daquele redondo matizado verdes, amarelos, castanhos e vermelhos... lembrei-me dos cachorrinhos que outro dia nasceram e dos falares dos meus netos  e dos dedinhos dos meninos quando vêm ao mundo...  caiam na taça os bagos vermelhos e eu se Ele existe, será nisto (como neste engelhar de pele que a cada dia me acontece...)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

em memória

A aflição dos que se foram
a dor que terá sido,
essa,
não me consinto imaginar,
recuso.
Penso, sim, nos vivos:
pais e mães e avós e filhos
(sobretudo esses)
Atormenta-me a dor que lhes imagino.
Que cada um saiba onde buscar alívio,
desejo,
eu que nem sei de shivas ou deuses gato
ou mesmo jesus cristo, ou o todo poderoso
santos e virgens
anjos...
Eu egoísta,
eu amarfanhada do meu medo,
penso neles e,
ignorante dos desígnios dos céus, balbucio:
não suportaria uma dor semelhante.
E, porque não sei outro modo,
finjo que oro.




Pedrógão Grande

sexta-feira, 5 de maio de 2017

chuvinha de maio

A minha vizinha apareceu na janela de peitilho a sacudir um tapete azul escuro.
Sacudiu, sacudiu, e retirou-se deixando a janela aberta com a cortina alçada sobre o fundo, que vislumbro escuro, do interior da casa
Depois, voltou, sacudiu um lençol e retirou-se com o pano, mas reapareceu a sacudir outro tapete, este, azul clarinho.
Ali ficou, demorando-se ela, e demorando-me eu a olhar o vagar com que se entretém, ou assim parece, a retirar uns não sei quê que eu imagino que sejam pedacinhos de pele de uns calcanhares que tenham assentado, nus de peúgas e de chinelos, sobre o pelo fofo daquele artefacto; ou serão penas do canário que ela tenha lá por casa; ou serão penas do merlo que por aí anda em pios danados, ou serão penas das andorinhas que abundam; penas que tenham entrado pela janela da vizinha e caído nos pelos do tapete.
Ou nem serão coisa nenhuma, mas apenas distracções da senhora minha vizinha que tem o cabelo preso com um lenço verde alface e nem olha o tapete que cata com a mão direita e bate, suave, com a outra, enquanto voga o olhar pelos carros que descem e sobem a rua que nos separa, eu aqui a olhá-la, eu também distraída, mas sem que sacuda uma peça que seja, tapete ou colcha, ou coisa nenhuma, num gesto do qual alguém dissesse: que zelosa está esta mulher a tratar da sua casa.
Estávamos nisto, eu e a minha vizinha, nem ela sabendo de mim, observando-a, ou pararia aquele seu distraído catar de coisas nos pelos do tapete a dizer-me, simpática: bom dia! e nem sacudiria, quem o sabe, outro lençol como este que agora sacode, tão imenso que quase roja as pedras do passeio.
Estávamos ambas, cada uma em seu lado da rua, quando o sol que prometia demora, resolveu esconder-se atrás de nuvens negras e, logo de seguida, começou a cair uma chuva desgraciosa que levou para dentro o lençol com barra cor-de-rosa que a minha vizinha sacudia a seguir ao tapete azul clarinho.

E, por causa da chuva, encerrou-se a janela ali defronte e encerrou-se, assim, o que eu pretendia que fosse a minha primeira crónica. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

numa outra Primavera

"Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
 Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. "
 mas...
se, no início de uma outra Primavera, eu cá não estiver, estes ramos vão rebentar de igual modo, não tenho dúvidas,
apenas...
não terão neles o brilho dos meus olhos
e isso, que me perdoem os deuses que eu seja presumida e vaidosa, que eu não consiga dizer como Poeta que se houver outra Primavera sem que eu esteja, será a mesma coisa...

e será por sentires destes que nem sou crente, nem a poesia me bafeja



sábado, 18 de março de 2017

regresso

no fim de semana que passou fez anos (quarente e dois) que nasceu o meu primeiro filho
eram tempos de tanta esperança, esses de ele ter nascido, ainda que o seu dia tenha coincidido com aquele "golpe" que meteu o general do monóculo...
estivemos na praia onde me cresci para este gosto pelo mar que lhe transmiti e ele aos seus meninos
desse entardecer de quase primavera deixo um registo e a promessa de que, de hoje em diante, é aqui que volto quando me apetecer dizer de mim ou dizer de seja o que for




domingo, 5 de fevereiro de 2017

M de Mulher e de aMor e de Mãe



cada uma delas teve um momento certo
foi tradução de um viver intenso, 
bom ou menos agradável 
nunca indiferente
colocá-las em lugar publico sabe bem enquanto há a ilusão de que quem as olha o faz amorosamente
depois,é como se ali ficassem ao abandono
a sala enorme e elas olhando-se mudas
aprisionadas
solitárias
indefesas de um e outro que as despe,
as viola ainda que gostando-as
ou de quem nem as gosta
ou não sabe
ou as vê apenas como traço
serem ou não serem mais ou menos arte
se eu tivesse sabido...
e eu soube-o tanto
mas ficou-me aquele dizê-las aqui estamos
a ilusão de libertá-las
a vaidade de sermos eu e elas
das que partam, ficará a saudade
desse tanto que com elas se vai


mais no OLHARES FELINOS e no INTIMARTE

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

fase natalícia

que eu até gosto deste brincar com os enfeites
e as luzes e as velas
e os vermelhos, verdes e castanhos
eu até faria um presépio com um moinho
e um rio com ponte onde
nem cabia o burro e o moleiro, que seriam do primeiro plano
e teria uma igreja
(a minha mãe fazia-as em papel com luz lá dentro e uma data de freirinhas que eram grãos de bico e um pedacinho de tecido...)
eu faria isso tudo se tivesse cá os netos...
uma coisa que ocupasse espaço
quase uma cidade que
tivesse até modo de acender a apagar luzes
e tivesse movimento...
mas não tenho os mecinhes e entretenho-me
faço apenas para que a casa fique...diferente
porque gosto, já disse
porque é aconchegante
faço para mim e pronto
(a minha mãe gostava, mas, este ano ...
onde andará quem montou presépios e fez filhoses?!!)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

100% de humidade


Aí onde te deixamos é escuro e há bichos

E hoje que chove tanto
Hoje que escorre água pelos caminhos
Se eu tivesse poderes
Se me tivessem ensinado os deuses
Se tu me tivesses dito
Mas também não sabias
Não dizem disso os livros
Se fosse como eu sinto e creio
Se fosse, sobretudo, como desejo
Deitava-me a teu lado com um cobertor quentinho
Levava uma lanterna e um livro

Tenho tantas saudades 
Tantas 
De não me ter deitado mais vezes contigo


5 sentidos

há bocado, o mar estava num sueste intenso e eu
nem sei porquê
senti-me orando
eu, de novo, ímpia que sou, a dar graças aos céus
eu a curvar-me, humilde, perante a benção dos meus 5 sentidos
e ali fiquei em transe 
com cada um
com eles todos
a maresia caía-me nos lábios
e eram sabores tão variados
como variados eram os odores
iodo, sim, mas também outros
partículas vindas de outros tempos, de outros lugares
sabores que eu senti sem lhes saber o nome
pele de gente ou de peixe ou de duende
a tocar-me o rosto
eu a olhar aqueles tons refractados na neblina de fim de tarde
azuis, cinzentos, roxos
eu inebriada dos meus cinco sentidos
e aquele mar rugindo soava aos meus ouvidos como,
dizem,
são os sons celestes

terça-feira, 29 de novembro de 2016

inconformada alfacinha

hoje faz-me anos uma amiga
uma daquelas que a gente conhece desde o ventre
certamente
porque sonho é isso
e a gente conheceu-se nesse limbo
nessa orla onde tudo acontece
joguei com ela à cabra cega
corremos em cima de paredões
esfolámos joelhos
namorámos e tivemos desilusões
e às duas por três éramos afinal
duas mulheres em tamanho certo
tudo no sítio excepto
deuses!!!
tudo como deve àparte a loucura inata dessa outra
minha amiga do peito
tal e qual a minha ou semelhando
desde esse momento que nem tem fronteira 
corremos de pés juntos para dentro do sonho 
e lá estamos...



adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein