terça-feira, 16 de agosto de 2011

o sublime valor dos vencidos*

Salgari,Hemingway. Dois escritores apenas de entre os muitos criativos, génios, que desde Séneca escolheram partir deste mundo a seu belo modo, em dia aprazado.
Usam modos solitários, por vezes prosaicos como Virgínia Woolf, ou fazem disso um evento público como Mishima.
Nem sempre ficam registos tão directos como  deixou Cesare Pavese no seu diário: "Os suicidas são homicidas tímidos. Masoquismo en vez de sadismo" e o seu lapidar: "Não voltarei a escrever"
Mas na obra de todos, uma frase, um poema, denotará a sua pulsão no confronto com a morte. 

Florbela Espanca nestes belos versos:
  
Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo outono,
Fecha os olhos, simples, docemente,
Como à tarde uma pomba que tem sono...

ou Mário de Sá Carneiro no seu poema Fim


Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!


Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.





"O suicidio é o sublime valor dos vencidos" - Maupassant que morreu num acidentede carro




2 comentários:

wind disse...

Este tema dá pano para mangas:)
Beijos

Rui Constantino disse...

Excelentes referências e melhor articulação. Um dia disseram-me que "a chatice" começa quando o suicídio começa a ser visto, inclusive socialmente - como no Baixo Alentejo, por exemplo - como uma forma aceitável de resolver problemas aparentemente irresolúveis, e já não como nobre saída de monarcas destronados. O que também vai de mão dada com a nossa luso-fatalidade. Ou seja, Maupassant tinha absoluta razão! Parabéns pelo post!

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein