domingo, 21 de agosto de 2011

flor de lótus

Cambiantes de cera e os reflexos que a luz lhe confere. E nem um veio, um vinco, um dedo marcado de quem ali a tenha colocado por promessa, enfeite, ou tão só pelo gosto de a ver pasmada aos pés de cristo-morto. Nenhum  sujo de óleo que tivesse escorrido de um guizado. Brancura apenas, e os laivos multicores da luz coada nos vitrais.
Uma flor boiando no altar de nosso senhor.
Pungente, lancinante, o grito que já nem se ouve e ainda assim perdura pelos séculos, pelos milénios, mares e desertos, pragas e festins, mortes e nascimentos, e o rumor intenso do homem-deus morrendo pelos outros. O mesmo rumor que atravessa o branco desta flor em taça de vidro, soprado por pulmão de um que nem terá vivido no temor a deus.
Estames cor do oiro, e nem caule que a erga, magestosa. Uma corola em pura singeleza, diria que submissa, diria que temente. Diria mesmo que estará orando: perdão, senhor, imploro, pelos meus pecados e pelos pecados de todo o universo.

3 comentários:

wind disse...

Ai o Deus anda muito longe:)
Beijos

Anónimo disse...

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Rui Constantino disse...

Pelos de todo o universo… Gostei muito.

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein