quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

nunca


Nunca lhe falaste nessa dor.
Esse pequeno pico de dor que vem do peito
Uma ferida sob a pele que for
Um durão correndo debaixo do teu dedo.
Nunca lhe falaste nessa outra dor mais fina
Uma dor também mais quente
Mais estendida.
Uma dor que apanha o corpo todo
e a alma...
Nunca lhe falaste.
E no entanto, sorris às suas dores
acalentas
como que as lambes feito gata
como se salivasses cada crosta
cada ferida aberta, ao ar exposta.
Nunca lhe falaste nessas dores que sentes.
Nunca lhe disseste das feridas não saradas.
E vais sorrindo
vais aparicando
vais tentando que não sinta.
E aumenta a tua dor espalhada
E cresce a dor em pico que ora sentes.

(E bastava, apenas, que escutasse.
Que ouvisse o teu silêncio enquanto falas.)

11 comentários:

zé das loas disse...

Poema declinado no feminino. Ainda bem, acrescento. Beijos

Arion disse...

Pois, exactamente! (Por mim, pode declinar-se no masculino.)

wind disse...

O silêncio diz tanto. Porque é que eles não ouvem?
Mis um belo post, poema/imagem muito bem conjugados. beijos

perplexo disse...

Muito sensibilizante. Houvesse quem ouvisse e meditasse.

Lmatta disse...

"Nunca"
poema triste
Gostei do "Nunca" é lindo
Beijocas Seilá

lique disse...

Porque é que tu me viras do avesso sempre que escreves? Tu olhas fundo nas almas, naquele fundo que se tenta esconder...
Beijão

legivel disse...

Já vai sendo tempo de se acabarem de vez com as dores não reveladas, que não saram, que são feridas expostas, com o engolir tudo... no feminino e... porque não no masculino. Não é verdade?

Ou NÃO???

sic disse...

:))))
beijos beijos

5 Pontas disse...

Beijos e abraços 5x

Zecatelhado disse...

"...macho e fêmea, Deus os criou com as mesmas dores, quer físicas quer espirituais".

Um GRANDE @bração do
Zecatelhado

menina graça disse...

Do melhor que aqui tenho lido. E mais não digo que já me puseste um nó na garganta.

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein