sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

5 sentidos

há bocado, o mar estava num sueste intenso e eu
nem sei porquê
senti-me orando
eu, de novo, ímpia que sou, a dar graças aos céus
eu a curvar-me, humilde, perante a benção dos meus 5 sentidos
e ali fiquei em transe 
com cada um
com eles todos
a maresia caía-me nos lábios
e eram sabores tão variados
como variados eram os odores
iodo, sim, mas também outros
partículas vindas de outros tempos, de outros lugares
sabores que eu senti sem lhes saber o nome
pele de gente ou de peixe ou de duende
a tocar-me o rosto
eu a olhar aqueles tons refractados na neblina de fim de tarde
azuis, cinzentos, roxos
eu inebriada dos meus cinco sentidos
e aquele mar rugindo soava aos meus ouvidos como,
dizem,
são os sons celestes

2 comentários:

wind disse...

Tão bonito!
Beijos

Vieira Calado disse...

Ora ora, também rezo, eu que sou impie-idoso... ímpio.

E como se aproxima o Natal, aí vai https://vieiracalado-poesia.blogspot.pt/2016/12/poema-de-natal-1.html
Bjsss!!

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein