sábado, 7 de junho de 2014

requium

De repente as ruas entupidas
Cheira a suores e cheira a mijos e assados e fritos e odores de desinfectantes, sabões e outros
Soçobram as calçadas aos andares de tantos
Seres divididos, seres inacabados
Duplos, cada um deles em pedaços
Ou serão maus seres, que seria o que diriam as mães se ainda se dedicassem ao amor maternal e esse lhes saísse em palavras 
Seres tolhidos por medos tão enormes como eram os de antes enrolados em edredões ou mantas, lençóis e colchas
De repente, as ruas atulhadas 
E um mal estar virulento a cobrir tudo
O céu nublado e este frio de inverno a descarregar-se junho adentro e a chuva e o mar que devia estar azul ou verde e está cor de chumbo salpicado de farinha de trigo
O céu pesado a descair-se nesta aguinha falrrirpa que nem se pode dizer: agora chove
E o silêncio: nem uma gaivota cacareja e nada se ouve 

2 comentários:

wind disse...

É mesmo isso que se sente quando está assim em Junho.
Beijos

Mena G disse...

Mal estar na gente quando as gaivotas estão em terra.

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein