Domingo, 1 de Janeiro de 2012

cores do ano



se houvesse pedido que ela fizesse em início de ano,
se ela se deleitasse a invocar os deuses para pedir benesses,
pediria decerto que o ano fosse da cor do mar
e da cor da chuva,
e, se fosse possível,
(e o que não é possível às divindades, perguntaria antes de atrever-se)
ela pediria que o ano fosse da cor dos campos de espiga, por Agosto
e entremeando, ali e aonde,
dispersa,
uma cor de papoilas.

a cor do mar para que fosse azul e também fosse cinza,
percorresse os vários matizes do verde,
e fosse amarelo, e alaranjado,
anil e roxo, no de repente de um ocaso.

a cor da chuva para que fosse límpido deixando ver para lá dele,
atrás e adiante,
e ainda sobrasse.

a cor das espigas para que fosse de oiro 
e nem por isso fosse de riquezas mais do que as suficientes
e fosse na alma que as fizesse.

o rubro das papoilas,
essa cor dos deuses e das mulheres,
para que fosse vida,
intenso,
para que acontecesse.

4 comentários:

Cinthia Kriemler disse...

Ah, estes anos que tantos nos inquietam e atraem, em suas cores maravilhosamente múltiplas. Mas a "cor de chuva" e a cor de "campo de espigas", definitivamente, me valeram a leitura todinha, só pela beleza da imagem que se formou na minha cabeça! Belo! Bjks.

wind disse...

E bem bonito que era.
Beijos

Claire disse...

Se eu fosse ela ~ seria tal e qual
Tchin ~ Tchin

alfacinha disse...

a cor de saudades para Portugal

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dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

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meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril