sábado, 8 de agosto de 2009

verdades

Enforcou-se numa manhã de Outubro.
Colocou um cinto em volta do pescoço e dependurou-se na árvore que o pai plantara em frente da porta da entrada.
Não deixou bilhete nem carta.
Nem deixou uma poça de sangue que fosse semelhante ao sangue que lhe escorreu nas pernas quando retirou a agulha: um toque pastoso como o escorrer dos ovos esmagados, quando os trazia dos ninhos, aparados nas saias.
Ardeu em febre e delirou.
Ninguém que lhe pusesse uns pachos de água com vinagre ou lhe fizesse um chá. Ninguém que chamasse o doutor.
Apenas vieram dizer-lhe que ele morrera, havia umas horas. Que o cinto apertara a preceito quase no mesmo instante em que pontapeou o banco com os pés descalços. Que não sofrera.
Quem veio anunciar, segura que era seu dever que lho dissesse, nem se apercebeu. E nem chorou com ela as lágrimas do seu imenso desespero.
Um choro que nem ela sabia se era dor por os perder ou se o seu choro eram lágrimas de uma imensa culpa por se ver livre deles.

6 comentários:

wind disse...

Escritora, um texto muito forte!
Beijos

Maria, Simplesmente disse...

Quantas vezes a realidade é essa!
Maria

Carlos Gil disse...

senti-o na primeira pessoa

Mena G disse...

Preto no branco! Entre o preto e o branco, todas as necessarias tonalidades de cinzento.Lindo texto!

entremares disse...

- Vá… vai tu primeiro…

- Eu ? Porquê? Eu sou rapariga, tu és rapaz… tu tens que ir à frente…

- Mas eu sou… cavalheiro. E além disso, sei que estão à tua espera… em primeiro lugar…

- … Hum… parece-me ver aí uma pontinha de… medo, talvez?

- Medo? Não digas disparates… Os homens não têm medo, isso é coisa de mulheres…

- Convencido… então vá, vamos os dois ao mesmo tempo…

- Ao mesmo tempo? É impossível.

- Se tu já tivesses nome, eu agora rogava-te uma praga… és rapaz… mas és um medricas… mas não faz mal, eu vou à frente…

- Faz favor… e vê se não choras muito, está bem?

- Chorar? Porque não ? Eu gosto de chorar…

- Mas eu não gosto de ver as raparigas chorar… não me sinto bem com isso…

- Não há dúvida… tu nem pareces meu irmão… e muito menos irmão gémeo…

- Sim, sim, sim… vá… vai lá, vai lá, que a mãe já está a ficar impaciente…

- Está bem… desejas-me sorte?

- Oh, irmãzinha… claro que sim… toda a sorte do mundo…. E agora, deixa-te de conversas e vê se nasces… está bem?

- Prometes que vens logo atrás de mim?

- Prometo, está descansada… vá, vai lá…



Deu-lhe um beijo na testa e empurrou-a suavemente.

Segundos depois, ouviu-a chorar.

Sorriu, aliviado. Agora chegara a sua vez.


- Pronto… chegou a hora… vamos a isto…

Marta disse...

Boa noite Maria de Fátima.

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desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

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meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

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ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein