segunda-feira, 2 de julho de 2007

espera



Na noite escura não havia lua
Bailavam raras nuvens
Piscavam as estrelas como costume
Soou no silêncio um quebrar de folhas

Sentava-se

Não contou as estrelas, uma a uma
Não desenhou sonhos nas nuvens
Não fez modo de entreter a espera
Não olhou o pirilampo que brilhava

Semi cerrou os olhos

Assentes as mãos sobre o regaço
Vestia de rendas com folhos e laços
O cabelo preso numa trança
Entrelaçada como os dedos

Parece que rezava

Solta da copa de uma árvore
Uma folha caiu do alto
Corria em Agosto leve aragem
Esfriava na noite sem lua

Aninhou-se num tronco

Não era a hora ainda chegada
As árvores abanaram as copas
Taparam-lhe o corpo de folhas
Embalaram

Adormeceu esperando

Um esquilo respirou-lhe segredos
Frutos e flores e campos de milho
ninhos de andorinhas,
do tordo e do melro
gaivotas e águias e mochos
e a água saltitante dos rios
E falou-lhe dos faunos
das fadas, dos duendes

Sonhava

Quando chegou a hora
As árvores ergueram as copas
E o esquilo observou do alto


Quem a levou subindo pelo céu
Não foi fauno, nem duende, nem fada
Quem a levava nos braços era um Anjo




11 comentários:

CNS disse...

Sente-se a noite no murmurio deste poema...

Mateso disse...

Faunos, duendes e fadas... sonhos imaginados e trazidos até nós pela tua escrita.
Um sonho de infância! Lindo!
Bj.

Alba disse...

E ela não esteve só na sua espera. Teve aconchego materno e restolhada fraterna. Uma fada, ou um duende, ou um fauno, convocou todos os seres da floresta para uma derradeira celebração.
E teve a companhia de um anjo no momento em que atravessou o véu.
Não, ela não esteve só na sua espera.

Arion disse...

Quem nos salva nas noites de aves e de criaturas fantásticas é, invariavelmente, aquele/aquela em cujas virtudes o nosso olhar não repousa... Muito bom, este poema, gostei mesmo! Beijo!

efe disse...

raios partam os anjos

;p

Gi disse...

Hoje é o primeiro blog que visito. Parece-me que vim à procura das minhas asas, de fada, pássaro ou anjo, do meu céu, dos meus ninhos. Da magia que eu procuro e que vou deixando rasto nos meus pequenos nadas. Afinal estava aqui tão perto.

A trança eu tenho, só me faltam os folhos ... (servem os filhos :)? )

Gostei MUITO do teu embalo.

Beijos

Ana Paula disse...

Muito bonito, Sei Lá! :) Gostei imenso até porque acho o máximo essa atmosfera de fadas, duendes, gnomos,etc... Muito ao meu gosto. Os pássaros a esvoaçar... Tens imenso jeito!! Parabéns. :)
Beijinhos e volto para mais bons escritos teus... com todo o prazer...

TINTA PERMANENTE disse...

Mas, talvez, as asas fossem dela própria...
Belo!
Abraço.

essência disse...

Vestir o sujeito!

wind disse...

Escritora, está lindo:)
Beijos

Pepe Luigi disse...

Entende-se a noite no chorar deste belíssimo poema.
´

Um Beijinho
do Pepe.

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein