segunda-feira, 16 de maio de 2005

No Chiado…à tardinha

Esguia, grossa,densa,
mulher de precisa passada.
Soltada de ti,
tua mão esquerda
esquartejava o ar.
Faca invisível,
dura.
Um gesto curto, rijo, agudo, intenso.
Num ir e vir de braço e mão,
o ar cortado
o ar abraçado.
A vida esventrada
ali
no início de coisa-nenhuma
bem no começo da calçada
bem no início da subida.
Esquartejavas a vida
num gesto rude
num gesto de tanto nada.
Precisa na passada,
deixaste no ar um rasgão.
...
(...ou foi apenas o meu medo?
Tão só ele correndo?!
Meu medo correndo de mim a ti
Desfazendo o ar
Esquartejando a vida
No início da calçada que subias,
Apenas o meu medo
Abraçado ao ar com que afinal vivias?! )


:_:_:_:_:_:_:_:_:_:_:
ei!!!!!....
por aqui a gente anda em obras
desculpai as interrupções


11 comentários:

Antonio San disse...

Já há muito que não passava por aqui e continuo a ser sempre surpreendido pela qualidade como se fosse uma primeira vez. Parabéns por este trabalho. Convido-te para o meu novo (não tão) espaço onde tento exorcisar esta aversão natural à poesia (sem o conseguir evidentemente). Mas serás sempre bem-vinda, a casa é tua.
http:\\xtema.blogspot.com
Um beijo

O Micróbio disse...

Mas que sombra tão bem desenhada na calçada e tão bem descrita nestas palavras... vê lá se te despachas com essas obras... :-)

Yardbird disse...

Mas as obras ainda deixam espaço para umas sombras chinesas desenhadas na calçada e no fundo do ecran.
E ainda bem, que se sente a falta :-)

Friedrich disse...

Bonita poesia, não consigo escrever mais nada porque não consigo ver com o pó originado pelas obras. Depois voltarei com mais tempo...

Beijos
espaço mãe:-
http://babushka.blogs.sapo.pt/

Cecília disse...

E, já agora, as obras estão a correr bem? É sempre uma chatice ter 'obras'...
Um grande abraço.

mfc disse...

Um poema decidido de alguém decidida!
Muito bom.

Nilson Barcelli disse...

Gostei do teu poema, da tua mulher a esquartejar o ar e avida, enfim, uma coisa-alguma que construíste muito bem no meio dessas obras todas.
Beijo***

wind disse...

Mais um belo poema. Boa continuação de obras e "esquarteja" o que te apetecer:)Beijos

Ana Russo disse...

Continuo a dever-te uma foto... e tu.. o tema :) Diz qualquer coisa. Bj. Penelope

sotavento disse...

Gostei que a mulher estivesse no "início da subida"!... :)

bertus disse...

...no Chiado...Ná! Não foi á tardinha e além disso o gajo era muitaaaaaaa velhooooooo!!

Intés!!

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein