quinta-feira, 10 de março de 2005

...vontade

Se eu fosse a derramar o sangue que me escorre em cada pequenina veia, em cada capilar...se eu derramasse assim de natural, então seria em sangue de vermelho cada lágrima de meu chorar. Loucura. Como se de um plano de cidade em teias de ruas e becos e avenidas de visão aérea feita. Assim meus sentires. Assim meus pensares. Assim se deles tornam causa de chorares em soluços que, se sentidos são e a alma desfalecem, são confusos como se a vista aérea estivesse desfocada e da cidade, entremeadas de becos e rotundas, jardins e pequenos nichos, apenas eu visse uma difusa rede de linhas inapercebidas e as até confundisse com vasos de meu sanguíneo sistema. Vejo-te ali sentado. A ti eu vejo nítido. Mas não és o tu que eu chamo e de quem me apelido. Aquele que se ali derrama vai não sendo. Eu sinto isso. E este que referido faço antes dito, devolve-me um de chorar que aborta no interior do peito e deixa uma pressão que mais um pouco medida em bar, atmosfera ou unidade de medida outra, sufoca. Sufoco dessa pressão do não chorar. Dizia eu acima, e continuo. Se me desse em rebentar as correntes que me fazem ser vivente, choraria eu de vermelho vivo e cada soluço operaria um diagrama aqui na face. Cada tentativa de conter o curso do choro seria um avermelhar de mão e braço e cotovelo. E isso porque ele se não ergue, não lhe pede a vontade que se vá dali em passeio de sol ou de chuva. É isto que eu sinto olhando a ele. Ele perde a vontade mas nem ele e nem eu sabemos como e para onde, para quem, porque caminhos se vai, se perde tal de importância de se ter que é igual e maior de se perder de cada um numa cidade assim ou de perder o tino. Mal maior é, assim me dá em sentir e crer, perder a vontade. E por esta perda que nele se está processando, a da vontade, se me estão em mim desfazendo as vias daquele um sistema lógico de circuitos alimentadores do ser na energia transportada em vermelho de plaquetas. Como se me desfazem? Não sei. Estas coisas eu sinto. Apenas sinto. Sinto eu apenas?! Loucura. E fico olhando em espanto porque se me escorrem transparentes as designadas lágrimas. Fico em soluço esfregando um de cada olho com estas mãos que se me voltam humedecidas, mornas, mas límpidas. E eu as esperava tintas de vermelho sangue.

2 comentários:

sotavento disse...

Eu não disse que vinha bomba?!... Veio sueste que é, mais ou menos, a mesma coisa!... :(

Lágrimas "sangue de meu sangue", ainda que transparentes?!...

wind disse...

Extraordinário texto que arrepia. Escrito de uma maneira que se fica gélida. Parabéns:) beijos

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein