quarta-feira, 10 de novembro de 2004

momento


partir para uma viagem
sem sem som e sem sentido
simplesmente nem ir
des/ser de mim
vaguear por aí
sem fusos sem sequer tempo
sem gente
sem sem sem sem
desouvir o que tanto oiço
rebentar as correias
retirar o cabresto (o de mim)
abrir os braços
apanhar a chuva
(e não cegar de sol!)
partir aos tropeções
picar-me nos ramos
numa floresta escura
(desver o sol em cima!)
cair numa cratera
num buraco
(cilada para fera!)
desarrumar os livros
partir todos os discos
riscar as folhas todas
(riscos riscos riscos!)
amarrotar tudo regar a gasolina
(depois ficar olhando o fogo!)
partir de mim pra loooonge
e nem sequer partir
ficar aqui quietinha
no fofo da cadeira
olhando o crepitar do fogo na lareira
des/sentir esta dor que fica de pensar
desatar este nó que fica de sentir
deslassar tudo em mim
devagar sem tempo sem horas
ficar mole a parda
parada
não ter que responder
(porque sou perguntada?!)
deixem-me só sofrer
assim apenas assim sem ser por nada
(porra!!já nem se pode estar simplesmente cansada)
cansada sem razão sem motivo aparente
cansada de si mesmo e no entanto querendo
apenas e tão só estar consigo mesmo
assim sossegada sem mais nenhum motivo
que seja o de estar descansada
Porra!! Sempre ter que responder!!
Caramba!! sempre ser comparada
consigo mesma...e ter FORÇA!
Que puta de palavra!!
Força força que nada!!
A quem me ouvir...
Por favor!!! Por favor!!!
Não me diga NADA!!
Sobretudo não diga espera que isso passa
ou que tenha força
ou que grande depressão
(caramba!!! tanto chavão!!)
digam se aprouver disso
que ouviram só!! e estão comigo!
Mais nada!
O resto o resto é cá comigo!!
E desde já vos digo de coração
OBRIGADA!!!



12 comentários:

MWoman disse...

Entrei e li em silêncio...nada mais direi. Não há receitas. Um beijo muito grande.

wind disse...

Estou contigo! beijos:)***

Anónimo disse...

(não era para dizer nada, como o pedido). Que adiantam (mais) palavras? Como traduzir um sentimento? Li o poema e sei. Isso me basta (que o único destino é partir!). (willnow).

bertus disse...

...calado que nem um túmulo (brrrr có horror!) eis como aqui hoje me posiciono: hirto, quedo e mudo -que escrever não é falar e sei que te agrada ler as bacorices que debito (não sou nada vaidoso...) e acho que estás em grande estilo com o teu poema pois que pelo tamanho ( e pela qualidade!) dava para uma ópera; se quiseres posso fazer os cenários e ainda contratar um barítono e uma diva (atenção que não escrevi divã)e a orquestra ficava por tua conta. É só dizeres que tenho conhecimentos no meio (é no meio que reside a virtude...) e até eu próprio dou uns lamirés no belo canto. Entrei uma vez no Barbeiro de Sevilha; interpretava o pincel...da barba.Que tudo te continue a correr de feição -ou de maré-, que os ventos e oa mares estão propícios à navegação. Já mandei "notícias do além". Beijinhos e intés!!

Seila disse...

Grande amigão! passe a vaidade sei lá...se é!! pareces mesmo eu a dar de riso no siso de quem se assim coloca escuro idiota arremessando notas de mais morto que vivo quando afinal está vivinho e essa te digo me fizeste (como eu a outros, sim! que pensas?! que tens o monopólio?!)com este post de morte e aquele comentário de "oh! minha! está bem se é assim que queres pois fica lá na tua, mas olha que eu na acredito que isso seja assim mais do que pra ter uma escapada para os lados de lá do riso! fica lá na tua que eu PORCUS BÀCORO DA SILVA actor de pincel fazido em ópera, posso estar contigo, mas é estando tu noutra! bora aponta lá, menina um buédagrandedeumsorriso" BOA bacorinho (tal como eu noutros ...alguns!!! risos..) CONSEGUISTE!!!!!!!

R/B Estação disse...

E gostei deste momento.
Bjs.

Anónimo disse...

"Deixem-me em paz, porra!" como "ele" diz?
E inventar o mar de volta?
:)
M...

almaro disse...

Ás vezes imagino-te na praia, na areia, a tatuar os teus passos. É uma fantasia. Minha, porque te sinto sempre a voar nos silêncios, nos teus e nos nossos.
És um colibri engraçado que se esconde curioso a espreitas o “des / ser”.
Será do gato em que te passeias no cão?
Não sei, nem tenho que saber. Mas hoje vi-te desenhar as tuas próprias pegadas, no teu próprio chão.
Ilusão?
Acho que não!
Estás engraçada, hoje, assim, pregada no Teu chão…
Ps. Mas que raio fui eu escrever hoje…Shiu para mim que ando desastrado…

almaro disse...

ai ai isto de escrever à pressa, queria dizer:

És um colibri engraçado que se esconde curioso a espreitar o “des / ser”.

pipetobacco disse...

{ ... as (tuas) palavras não são aquelas que se escrevem, mas sim as que se lêem © biquinha ... }{ beijos* }

ognid disse...

Ouvi/li, gosto de ti e estou contigo :) beijão.

MJM disse...

Vir aqui atrasada, deixa-me presa para tás, como camisola num ramo aguçado. Mas o corte na pele ainda sangra. Conheço-lhe os trilhos que sulca na alma.
Este 'momento', contido num tempo, é contínuo de trás para a frente (estou aqui, estou de colete, que se me desfaz a camisola).
Kiss valente, nada piegas ;)

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein