sexta-feira, 6 de setembro de 2013

solilóquio comigo

tens a tragédia alçada num reduto do teu corpo
nem sabes onde
mas sabes
intuis que seja disto ou daqueloutro, mas sem certeza
e um dia dói-te
um dia, e pode ser hoje
ou ter sido na manhã de ontem
ou naquela madrugada adentro, depois do vinho, depois de nem sequer teres bebido ou de teres apenas ingerido um chá bem quente, um chá que dizia nas letras da embalagem "calmante dos nervos" e tu teres pensado: "que raio acalmaria senão isso?!"
enquanto aquecias uns quatro dedos de água na cafeteira eléctrica que há muito te desabituaste de acender um fogo, sequer ligar a chapa - é ali, e fica pronta a água para o chá em poucos segundos que o tempo urge, o tempo sempre a correr atrás da gente, o tempo a dizer é hoje, foi ontem, vai ser daqui a pouco
o tempo a misturar-se com os sinais do corpo
e  pode ser na praia
e pode ser - inusitada é sempre-
fazendo a depilação ou lendo um livro
ou pode vir num repente e nem ficares sabendo
mas, e isso não duvides, a tragédia está lá,
e quiçá sorri-se

2 comentários:

wind disse...

Forte!
Beijos

Menina Marota disse...

Quantas vezes ...

Bjo

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein