terça-feira, 22 de julho de 2008

a palhinha


- Pára. Pára quieto com isso! - diz ela.
E ele naquele prazer de vê-la.
Um niquinho de palha, um bocadito seco de alguma erva. Podia, mesmo, ser papel de seda, ou papel de mortalha.
Ele a enfiar a palhinha nos decotes dela.
Ele a roçagar-lhe os bicos das maminhas, e ela a desviar-lhe a mão.
Um dia, e depois mais outro, sem mais do que isso: um beijinho de nada, nem língua, nem um mordisco. Assim, aquela coisa, deslavada. Um beijo, uma festinha na perna despida de saia. Só na coxa de fora, que nem pensasse, ele, em subir à virilha!
- Pára quieto!- dizia, logo, ela.
E ria-se, desviando-lhe a mão, sacolejando as pernas.
E ele entretinha-se naquela brincadeira de roçar-lhe a palhinha nas maminhas.
Hoje, ela destapou-as. Assim. Num de repente.
- Mas nem toques. - disse-lhe.
- Tira daqui a mão!- acrescentou.
E riu-se, agarotada.
Desejosa disso, foi o que ele pensou, mas não sabia,ainda, quase nada.
- Desvia essa boca.
É o que diz ela, e ele nem pensara o gesto.
A palhinha que apanhou há nada, dançarica-a, ele, num daqueles piquinhos castanhos, muito escuros. Contorna-lhe o doirado da auréola.
Que enorme que é o bico da mama. - pensa ele.
Lamber. Tocar só com a ponta de um dedo. Apertar o biquinho do seio.
- Pára!- grita ela.
E ele dançaricando a palhinha, e apenas pensando.
E ela a voltar-se de lado.
O rabo sai-lhe do calção curtinho que alarga mais na perna esquerda. Devia ter o elástico lasso, ou descosera-se e ela nem notara.
Fica uma nalga mais gorda do que a outra. E ele jogando a mão, e ela a encolher-se.
- Podes ficar quieto?!
E ele nem percebe se o que ela diz é convite, se pedido, se ordem, e fica-lhe no ar o suposto gesto.
Deitados na manta de quadrados, debaixo da nogueira, o ribeiro correndo, manso.
Já tomaram banho, já nadaram, já comeram salada e melancia: o suco a escorrer-lhe, ela a deixar que corresse vermelho para dentro do decote,que lhe molhasse, fresco, as duas maminhas, ainda ela as não soltara do fato de florinhas. Ela a oferecer-lhe, que ele fosse lambê-lo, e a negar-se rindo, rindo demais.
E ela a tirar as alças, assim num de repente, e ele a querer tocar-lhes, e ela rindo, rindo, retorcendo o corpo que lhe parece a ele mais gozo que brincando.
Ela deitada de lado, fingindo-lhe desprezo.
Ela respirando, muito devagarinho, o rabo, com uma bochecha mais gorda do que outra, saindo do calção, e as maminhas desviadas dele.
Ele a beijar-lhe um ombro, a lambê-lo, a afagar-lhe o braço. Ele a roçar-lhe apenas a borda do seio, a afagar-lhe as costas com os lábios, a deslizar uma mão no cabelo molhado. Ele a morder-lhe a orla rosada da orelha. E ela muito quieta, respirando.
Ele a segurar-lhe, devagar, a medo, a borda rechonchuda da maminha.
Ele a encostar-se e ela que se roda inteira, quase nua.
E o céu a dar-se em chuva, bagos grossos.
E eles revolteando, nem sabe ele se de maminhas, se de rabo, se de ombro, se de que parte do corpo.
Repuxa-lhe, ela, o calção de banho.
Segura-lhe entre as mãos o sexo. Aperta-o. Chupa-o.
Num repente,morde-o e afaga-o, como se fora beijo.
- Pára com isso. Está quieta… - diz ele. E sabe que mente.
Ele espantado dela que cheira a melancia.
E ela rindo. Ri-se sempre muito. Dobra o riso, quase em gargalhada.
Diverte-se.

Vermelha a boca dela como se fora fruto a ficar maduro.
As maminhas, soltas, bailam-se, muito virgens, e ele beija-as, e ele suga cada um dos bicos.
Eles inventando gestos não ensinados. Gestos, nunca mais que aprendidos, descobertos no corpo um do outro, na manta de quadrados, junto ao rio.
O corpo dele oferece. O corpo dela recebe. Ou que seja o oposto.
Ri-se ela, e ri-se também ele.
Riem-se, muito, os dois.
E a chuva a cair.
A chuva, muito fresca, a misturar-se aos líquidos dos seus corpos.

(uma palhinha tonta olha-os, esquecida, sobre a manta)

8 comentários:

Anónimo disse...

Apesar de não deixar comentários, cá venho regularmente. Hoje fui motivada para a tua ESCRITA através de umas fotografias com 28 anos de existência(!!!!!), quando não conhecia estes teus dotes. Bem, nessa época só sabia que aquilo que fazias de melhor era...contar pedacinhos de carne, tendo em vista as ementas semanais!! TÁS TÃO GIRA ( com o Zé Roque e o Dinis). Que saudades!

FB disse...

Quem conhece a sua ignorância revela a mais profunda sapiência. Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão.

efe disse...

palhinha marota.

;)

Muito bom, isto.

Mena G disse...

Qual tonta, qual quê!
Ao responsável desempenho da palhinda se deve todo este lindíssimo conto!
Sem variar, gostei muito...

wind disse...

Escritora, que "estória"!:)
Começas com o jogo da sedução e acabas nos "finalmente".lol
Excelente!:)
Beijos

Mateso disse...

Palhinha atrevida, que de coceira em coceira, comichou os sentidos num desempenho de escrita ritmado ao rolar daquelas emoções...
Parabéns.
Bj.

Paradoxos disse...

conto com sentido e sentidos!!

:-)

joaquim bispo disse...

Ó pá, tu poupa-me, que já estou com a respiração alterada!

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein