sábado, 19 de abril de 2008

manutenção, diz ela

Sei que ela gosta de conversar
(A palavra dita)
Leio-a por
aqui
(A palavra escrita)
Diz de coisas várias
Ou diz dela e dos que lhe são queridos
Sem peias
Fala de coração aberto
Conta
Simples coisas que a ralam
Questiona

Diz que é preciso tomar conta

Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante (palavra de Raposa)

Os que mantemos em ponto de rebuçado, caramelo, qualquer ponto que não deixe nunca, um dia, deslassar o bolo. E os “eles” que os desmerecem, que fazem que escoem nas fissuras do descrédito ou do desconhecimento. Que os permanecem sentados na soleira da porta da saída. Na porta da não entrada.
“Eles” que roubam a nossa atenção. E nem merecem um segundo. Não tanto. “Eles” que em cada momento encontram a escala onde valoram o gesto, o dito, o realizado e, sobretudo, o que nem atingem, não por falta de capacidade, apenas porque não vislumbram “necessidade”. “Eles”, os que não têm dúvidas. Nunca. Os para quem a porta ou fecha ou abre, a cor é preto ou branco. Para quem é falso e está decidido. Para quê balancear se o que interessa é seguir o caminho (que seja carreiro) que no momento se enxerga? Se é para matar, mate-se; se é para proibir diga-se: ninguém aqui fala que não seja disto; aqui ninguém entra; aqui ninguém lê os livros tais e tais.
Assim que é o seu mundo.

Não, não devemos (um dever nosso) atender a "eles", dedicar-lhes tempo.

Existe um mundo paralelo que minará aquele.

Velemos (faça-se “manutenção” usando terminologia de empresa que tanto se imiscui na linguagem dela) Seja!
Faça-se, cuidada, sistemática, a manutenção do que prezamos. Daqueles (e daquilo) que “Se falharmos, mesmo sem perder a tal preciosidade, algo se perde - um brilho, um pormenor, uma curva ou uma aresta que ficam sem relevo, uma concavidade que desaparece; qualquer coisa que mais tarde – provavelmente quando mais precisamos dela – nos vai fazer uma falta imensa… E que jamais se recupera.” (palavara dela)

Viaje-se serenos pelos lugares que nunca conheceremos!
E nem falo de praças onde desaguam e de onde partem avenidas largas, e nem de rios, extensos caudais de águas a cair de alturas ( lençóis de linhos e brocados em natureza pura), e nem de museus escavados na rocha por mãos antigas, e nem de gente! os tantos que podíamos ver na curta vida que é esta que deus nos deu.
(louvemos ser ela prolongada por mais um dia com saúde e os 5 sentidos)
Falo de viagens que fazemos, outras.
Viagens de onde vimos dizendo: nunca conheceremos.
Nunca conhecer o ser que connosco dorme o sono do amor que lhe dedicamos e nos dedica em dobro!
E nem nos conhecermos!

Nunca conhecer este ser que conversa e ri e chora.
O ser que somos e solitário escreve quem sou?!
e nem que não escreva uma só destas palavras...

Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos.




Citações de O Principezinho - Antoine de Saint-Exupéry

7 comentários:

mac disse...

Há presentes que nos alegram o dia e aquecem a alma... Totalmente desmerecidos e por isso mesmo ainda mais apreciados.
Sim, a linguagem é uma fonte de mal entendidos; alguém que compreende o que foi dito é precioso. Mas alguém que compreende o que não foi dito?! Alegraste-me o dia, aqueceste-me a alma. Obrigada.

eremita disse...

um texto fortíssimo que fala de um mundo onde h+á cinzento a mais, d eonde tentam eliminar as cores, mas tu foste buscar o Principezinho, essa maravilhos e intemporal obra, que nunca deixa de nos maravilhar independentemente da idade e do número de vezes que a lemos e repusestem com garra, todas as cores e vida no lugar.
agradeço o destaque dado ao nosso Jogo das 12 Palavras.
Fraterno abraço

legivel disse...

... a cada um a sua verdade.

Prefiro escrever que a linguagem (escrita ou falada) não deve ser uma fonte de mal-entendidos, antes um jogo lúdico e salutar, em vez de uma guerra de insinuações sem sentido.

abraço.

mac disse...

O que é, é. A linguagem é uma fonte de mal entendidos (esta frase lapidar implica boa fé, entre muitas outras coisas, valha-me S. Teotónio ou se calhar ficava mais bem servida com o Principezinho). Há outras, claro; mas a raça humana prefere a linguagem, quando (des)comunica.

Mas tu já viste bem o que fizeste?

Hélas!

Mena G disse...

A linguagem é também - e sabe-lo melhor que eu - uma fonte de muito-bem entendidos; os amigos, conquistados a cada gesto nosso, desprendido, e só porque sim, não se vendem nem se compram. Pois claro!
Gosto muito do que não tem preço.
:)

wind disse...

Caio sempre no mesmo Escritora, Excelente!
Beijos

Nilson Barcelli disse...

As palavras servem para nos desentendermos e para o contrário.
Para tratar mal ou para fazer declarações de amor.
As tuas, neste caso, formam um belo conjunto, ainda que tivesse ficado com algumas dúvidas (sempre naturais em textos fortes como este).

Bfs, beijinhos.

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein