quarta-feira, 25 de julho de 2007

Avé Maria

avé avé
avé Maria
avé avé
avé Maria


Canta a cada quarto o sino da aldeia.
Canta acordado toda a noite.
Canta a cada quarto de meio dia ou meia noite.
E em chegando o aprazado, ele bate: uma duas três quatro.
Seja depois do sol a pino ou depois da meia noite.
Avisa os em redor, seja preto ou branco que os há de muitas partes deste mundo por estas aldeias onde o relógio bate as horas de dormir e de acordar.
Avisa depois de rezar à Senhora cantando:
avé avé
avé Maria
avé avé
avé Maria

Eu gosto de dormir sabendo que há um relógio que canta aqui ao lado.
Eu gosto de acordar com o seu canto e o seu bate certinho: um dois três quatro.
Isto no caso de ser quase hora do lanche, mas também assim se for um meio de noite.

E gosto de o ouvir com o sol a pique, ardendo, e ele muito certo, lá do alto, cantando o seu avé à Virgem, à Senhora.
Batendo em ritmo arrepiante de preciso e dormente:
um, dois três e por aí adiante até perfazer as doze.
Gosto de uma aldeia com uma torre e um relógio badalando as horas e a cada um dos quartos cantando o Avé à Senhora .

Vou dizer na minha terra que acertem os relógios das torres para baterem certinhos e cantarem assim como este, a cada quarto.

É uma alegria encontrar um relógio certinho cantando avés e sobretudo se é numa aldeia escondida na falda de uma serra com o mar ali quase ao fundo.

7 comentários:

CNS disse...

Os relógios, os sinos da aldeia empuram o tempo que por vezes não corre. Hoje sou eu quem te oferece um conto ;)

http://mrspankhurst.blogspot.com/search/label/MANUELA

beijos

augustoM disse...

Não há nada como o relógio da igreja da aldeia, só e preciso que o carrilhão não fique muito perto.
Um abraço. Augusto

wind disse...

Escritora, mais uma excelente descrição típica de um dos marcos de uma aldeia.
Beijos

Gi disse...

:)´a tua imaginação é pródiga. Eu leio e o meu pensamento povoa-se de imagens, umas existentes outras inventadas. Tu vês uma imagem e contas mil histórias.

Gostos dos sinos embora já não tenham a mesma função que tinham antigamente. Avisavam os trabalhadores do campo das horas de descanso e de saída do trabalho, tocavam a rebate em caso de incêndio ou qualquer outra desgraça onde toda a força braçal era pouca e todos respondiam à chamada ou ainda em caso de morte para se reunirem para a despedida.
Tudo se vai perdendo e agora o que se vê por quase todo o país são ainda os relógios de torre do "Cousinha" que por acaso eram aqui de Almada.
Também gosto de os ouvir se bem que com uma casa a uns 100 metros de um tenha sido dificil a adaptação, felizmente nem sempre estou lá. Habituar é fácil mas desabituar também :) e ainda por cima não toca nenhuma Avé.
Esta aldeia no meio do Alentejo não tem serra não tem mar mas tem a albufeira de uma barragem :) e é mesmo uma alegria ;)

Beijinhos, noite feliz.

Mateso disse...

"Tocam os sinos da aldeia..."
Algures numa aldeia do Douro, numa casa virada para o adro, onde impera a igreja seiscentista.. oiço o sino, nos seus quartos, meias e horas... Cortam o silêncio da noite, acordam o sono da manhã, despertam a fome do almoço... e assim pelo dia fora.
Tocam, tocam e o povo move-se ao sabor das badaladas. Ora aqui, alí ou além... é o sino que ainda gere o dia a dia.
O sino da aldeia...
Gostei.
Bj.

Poemas de amor e dor disse...

Boa noite,

Gosto de escutar o galo pela manhã, do chiar do carro de bois… gosto do cheiro a hortelã, de ver passar as moçoilas com cântaro à cabeça. Sra. Maria já deitou as águas.
Que recordações trazem à lembrança as Avé Maria rezadas ao sinal do sino.
Os tempos são outros e na minha freguesia foram proibidas as avé Maria. Dizem que os sinos incomodavam.
Como sempre é uma verdadeira delícia visitar a amiga.
O blog está lindo, Avé Maria
Rogério

Gi disse...

A D. Seilá não se importa de ir receber um prémio que tenho lá para si?

Agradecida.

beijinhos

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

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meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

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ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein