sábado, 17 de dezembro de 2005

pose

Caminhavas.
O andar partido.
Entre um e outro passo,
deslizavas numa parede,
embebias-te numa porta,
dobravas uma esquina.
Arredondavas-te num vómito.
Perdias o sentido do ir.
Voltavas.
Recuperavas o ir que imaginavas.
Só mais uma noite.
Uma madrugada em que caminhavas...
Deixar de te ver.
O passo partido entre um e outro passo.
Num tempo tardio.
Num lugar distante.
Um corpo fotografado.
Um corpo divulgado no jornal.
Uma pose de vivo.
Essa pose que me confundiu.
Morto, tu, num lugar tardio.
Mordias a dobra de um lençol.
Desleixada a roupa.
Olhei-te morto...
Sem lágrimas, sem coração doido.
Estavas simplesmente morto...
Um corpo fotografado.
Um corpo divulgado no jornal.
Num lugar distante.
Num lugar tardio.
Morto em pose de vivo.
A pose, só ela, me confundiu.

(Havia aqui uma Imagem. A IMAGEM DESAPARECEU...
coisas de quem, como eu, não tem cuidado.)

18 comentários:

Marcelha disse...

Querida! Estou passando pra lhe desejar um ótimo final de semana... Beijos

peciscas disse...

Um texto um tanto mórbido. Mas bem construído.
Afinal a morte faz parte da vida, não é?

TMara disse...

amiga, senti um arrepio, não só na pele, ao ler o teu belo texto/poema. Como o olhar nos confunde e as imagens das notícias nos ludibriam, MAS, principalmente, como é ténue a barreira entre a vida e a morte.
qnd puderes passa lá por casa. O post de hoje tmb é para ti. Bom f.s. bjs de luz e paz

Arion disse...

Um poema lindo que mostra como a morte pode ser um descanso para a vida, e a vida, por vezes, mais destruidora que a morte. A imagem, que maravilha...

Maria do Céu Costa disse...

Um "compasso" agradavel que nos transmite a leitura deste poema.
Beijinhos.

Zecatelhado disse...

Minha querida;
Antes da tradicional pausa para a quadra Natalícia, queria enviar-te os meus votos de um SANTO E FELIZ NATAL.
Que tudo o que sonhas se realize.

Aquele @bração do
Zecatelhado

wind disse...

Muito bem escrita a morte. Como se visualiza bem o que escreves. A imagem em simbiose com o poema. Aproveito para desejar um Bom Natal e Boas Entradas na companhia dos teus:) beijos

lique disse...

Uma pausa no meu "intervalo" para ler o teu poema e te desejar um Feliz Natal e um óptimo ano de 2006!
Beijão, mulher!

Menina_marota disse...

Um momento a que não poderemos faltar... mas arrepiei-me, não quero agora lembrar...

Passei para desejar um FELIZ NATAL e deixar um abraço ;)

polittikus disse...

Há coisas de que não gostamos de nos lembrar... Boas festas.

Lmatta disse...

Olá
Seilá
BOM NATAL CHEIO DE PAZ
beijinhos

Amaral disse...

De andar partido, num lugar distante, num tempo tardio, um corpo fotografado… Acho que são versos que têm vida própria, numa pose especial, muito própria…

Afrodite disse...

o espanto de te ler....

um espanto raiado de êxtase!

Friedrich disse...

Realizações, Alegrias, Saúde muito Amor e Paz!E sobretudo saber viver em liberdade...

Os meus melhores votos aos amigos e a todos aqueles que me comentaram desejo-vos um Santo e Feliz Natal, e que o Novo Ano 2006 esteja incluído nas vossas vidas tudo isto que vos desejo.

Boas Festas
Beijos e Abraços fraternos

guardião da cidadela disse...

faço minhas as palavras do Peciscas---bjs

almaro disse...

tens a particularidade de estares sempre presente, como se fosse sempre natal. é um sentir teu que nos abraça no silêncio de uma palavra, de um ponto, de uma virgula. estás sem (re)pensar, "apenas" sentindo, e é esse "apenas" que nos aquece em festa de Natal. bem hajas

Amaral disse...

Que este Natal de 2005 seja uma oportunidade para encontrares o que mais ambicionas na tua vida.
Muita Paz, muita Alegria e muito Amor, para o ano que aí vem!

peciscas disse...

As imagens estão lá!
No texto!

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein