quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

o nosso mundo?!!!

Hoje sopra um vento norte frio. O sol brilha. Não chove. Nunca mais chove! Em Portugal vai haver eleições. Eleições antecipadas por via de tanta coisa e quase nada. Ontem houve eleições no Iraque com tanques estrangeiros nas ruas por razões tantas e nenhumas. No dia qualquer coisa deste mês fez anos que um campo de extermínio nazi foi descoberto pelos aliados por razões tantas e nenhumas aquilo tinha acontecido. Vocês percebem porque falamos de cada coisa destas separadamente em níveis diferentes? Sabem?! Eu suponho que a razão de ser de encontrar diferenças entre o terror, o medo, a injustiça, a farsa, a morte, a tortura, a fome, a doença...deve advir de ser muito difícil a gente, cada um de nós, aguentar com tudo no mesmo saco, na mesma data, com igual peso, ao mesmo tempo. E depois que seria da nossa vidinha certa, sisada, cumprida, cheia de devoções?! Que seria da nossa sanidade se nos pusessem em igual a injustiça, o medo, a tortura quer ela fosse de um na sua casa ou na nossa rua, ou de milhões deles ali num país ao lado ou noutra época, num passado?! Se compararmos os nazis com, para não ir mais longe, casos na Bosnia-Herzegovina ou, mais recente os torturados no Iraque em prisões guardadas por europeus...se .....não podemos?!!! porquê?! misturar tudo é nunca conseguir encontrar culpados, é dar a todo o acto o mesmo peso?! ahahahah! deixem-me rir que só com um riso louco se consegue afugentar a loucura maior, a real, que é a do que tem juízo segundo a norma! Pois vos digo eu que nada sei, mas sinto e muito, que nada de diferente existe entre a cara que eu volto para o lado perante o ....como lhe chamam mesmo?!!!...drogado e aquele que enviou multidões a morrer em Treblinka, Auschwitz...Dachau... ali nos corredores da António Maria Cardoso ou na fritadeira do Tarrafal no Sal. Não concordam?! Não se pode meter tudo no mesmo saco?! Que piada!!! O medo que nos acagaça de sair para certos bairros é diferente do medo que tinham os judeus?! é?! Então vos digo que medo é medo e ponto final e neste momento a gente anda com medo até do vizinho do lado...diferente?! ah! claro! Mais cómodo sentir diferente para a gente poder ir levando esta vidinha até que nos caia o telhado em cima! Não acreditam?! Pois então deixem que a gente vá cantando Esperança e chorando o passado e não olhe o presente e não faça nada...
e depois digam que os poetas são... premonitores...

Terá mais fome o filho do meu filho
procurando a destruição dessa pedra verde,
árvore ou lâmpada, rio de folhagem.
É fascinante a ferida embriagada.
Nos olhos anoitecem biliões de mundos:
só o homem solitário acredita nas estrelas
e quando as olha é duro como uma nogueira
ardendo no vento em fogueira de frutos.
Há no peito do Homem um cristal profundo
mas, no mais fundo do fundo, é um sino mudo
que herdou do frio a paz da borboleta.
Como criança que apedreja andorinha,
cada homem destruirá a sua pedra verde,
árvore ou lâmpada, rio de folhagem
e breve será a prata de um coração feliz.
Essa fome é maior e ao filho do meu filho
pergunto se estou morto, pergunto se estou vivo,
ele encherá talvez a boca com a fome
e sem palavras calará qualquer resposta.

Terá mais fome o filho do meu filho de Joaquim Pessoa



e, já agora...assim numa de ao acaso....
encontram diferenças
?!


More than half million Muslims were massacred,
thousands of Muslims were sent into concentration camps,
women were raped and children
were kidnapped by the Serbs during 1990s.

e há muitos sites com torturas bem actuais
que me recuso a colocar
pela dor que me causa a sua actualidade
eles podiam todos ser meus filhos, entendem?!




12 comentários:

Anónimo disse...

Pois, Seilá, com muita, mas mesmo muita dificuldade consegui aceder ao teu blog.
Texto de grande profundidade, comovente e sobretudo com muita objectividade.
A escolha do poema de Joaquim Pessoa dá o acabamento de mestre ao texto.
Mas tu não contente com o que fazes atiras de chofre imagens que mostram como vai este lindo mundo...
Fiquei chocado!... porque sinto que deveria fazer mais alguma coisa!... mas o quê para dar a volta a este caos que este planeta está, dia a dia, a mergulhar mais...
Seilá...
É cá um sentimento de impotência e de desilusão!!!
Acabar uma vida com a frustração estampada no peito!
Um abraço,
José Gomes

lique disse...

Então não te entendo, mulher? Li e reli a tua reflexão sobre este mundo cão em que vivemos. A frase "não podemos meter tudo no mesmo saco" sempre me irritou sobremaneira, quando comparamos crimes basicamente iguais. Os horrores de outrora repetem-se hoje em dia, sendo considerados quase normais.
Há algo, no entanto em que não concordo totalmente contigo. É quando dizes "O medo que nos acagaça de sair para certos bairros é diferente do medo que tinham os judeus?!" . Para este medo, bem actual, todos nós contribuímos e até o construimos, por vezes.
No restante, estou totalmente de acordo. Sem deixar de querer fazer alguma coisa e de poder cantar a esperança. Beijão, mulher!

manuel disse...

o riso sim, lúcido! e o olhar arguto, como o teu! a diferença está em nós! em cada um de nós, se tecem solidariedades...

(a despropósito: o poema - aliás belo! - do Joaquim Pessoa não acrescenta nada à "eficácia" do teu texto!)

cada vez gosto mais de te ler! ainda me levas pro serio... rss

beijos

Yardbird disse...

Fizeste-me lembrar daqueles dois filmes do Jacometi, Mundo Cão I e II. Já lá vão mais de 30 anos e o mundo está muito...pior
Beijinho, SeiLá

ognid disse...

Olha amiga, para não ser repetitivo digo que faço minhas as palavras do Yard. O Mundo Cão nunca ficou desactualizado, infelizmente :( beijos amiga.

BlueShell disse...

Sim, infelizmente tens razão...e temos medo de juntar tudo...seria "demais para a nossa sanidade mental"...mas o mundo é "cão", mesmo. Não há humanidade, não há respeito, não há valores...a vida humana de nada vale...triste, muito triste!!! jinho, BShell

wind disse...

Efectivamente não há diferenças:((( beijos*

Sofia disse...

Não vislumbro grandes diferenças!

Poemas de amor e dor disse...

Concordo contigo estamos num mundo cão. Também vi o filme.
Porém este mundo cão é bem mais real.
É assim: há uns anos chamávamos selvagens aos selvagens, hoje são os senhores do mundo que negoceiam a selva. Arrasaram os campos, desertificam o planeta, matam, torturam e ainda lhes sobra tempo para nos venderem armas, usadas, para as usarmos nos inimigos que criam.
Queria era paz.
Queria era esquecer o holocausto de vez.
É necessário enterrar o passado com soluções que não finais por exemplo com amor.
É necessário enterrar o passado não fazendo do passado um modelo para os actos e desacatos dos verdadeiros selvagens.
Cá por mim continuo com esperança no futuro, pois, não podemos deixar o planeta deserto.
Um beijo deste vosso amigo no mundo dos sonhos
Rogério Simões

BlueShell disse...

Voltei...para agradecer as tuas palavras, o teu carinho. Um beijo, BShell

Aran disse...

Olá Seila! Adorei o poema... e claro que as tuas palavras também foram sentidas! Sempre com a mesma garra! Ah! relativamente ao teu post "Brincadeiras inocentes", o que eu me ri!!!! :) beijinhos

TMara disse...

Olha, há coisas k nos exigem silêncio. É o único "som" e "movimento" k podem comportar a necessária dignidade e respeito. Assim me calo, hoje. Bj

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

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meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

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ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein