domingo, 26 de dezembro de 2004

Vida...


Isto não anda nada fácil. Mas para que nos havemos de queixar?! A Vida é isto mesmo! Assim um fogacho. Um niquinho de tempo que passa num instante. Ainda ontem era o tempo de prever e já estamos no hoje e logo a seguir no “olhem que...lembras-te?!” E pronto!... lá se foi o presente e o futuro e fica um grande passado que, bem olhado, e nem preciso é olhar assim tanto, é afinal um pedacito de tempo. E quando nos começam a bater na porta aquelas ditas desgraças que podem até não ser as desgraças mesmo aquelas, mas são as nossas!...então a gente observa...realmente!... que andamos nós a fazer do tempo?!
Olha que raio de conversa me vai esta arranjar logo, mas mesmo logo, logo depois...melhor!...ainda no dia da festa! Bem podia esperar que passasse o dia de Natal para vir para aqui com estas lamechas de dizer do tempo! Olha que realmente! Já nem uma pessoa pode viver sossegada a época das broas e do bolo rei e das rabanadas...que vem alguém, armada em sofredora, lembrar o tempo aí a vir e que temos a certeza, ai, temos! vai ser um tempo de coisas boas! que esse ... já passou! Bolas! ele há gente!!
Pronto!... eu, por mim, aquilo que digo, e nem é lamento...apenas constato! é que a coisa de viver anda assim um tanto xoxa! um bocado má!
Agora, além dos mortos na estrada, da crise na política e, por tabela, nas nossas bolsas, aparecem à porta de cada um, desprevenido, claro está!...doenças! e, porra! nem podiam ser assim umas gripes, umas dores de dentes derivado aos doces, um torcicolo por espetar tanto o pescoço a ver as montras ou, para quem ainda acredita, a olhar se o Pai Natal sempre descia do cimo, lá de dentro, da chaminé! Não!...agora!... isso... essas doenças de rápida cura...foi chão que já deu uvas! Quando se dá por ela, o que nos bate à porta é doença da grossa. Enfarte. Cancro disto e daquilo. E pode até sair na rifa assim uma sida desirmanada. Isto para nem falar das doenças da moda. As do foro psiquiátrico. Que bem que soa, não?!
Não estou a brincar!! Parece?! Pois creiam que, a ser assim, eu devo ter jeito para dizer o sofrido com ar de chalaça. Mas, olhem que a coisa anda assim borrada aqui pelos meus lados. Na minha casa, na do vizinho, num amigo, num outro mais distante no espaço, que não no coração. E já nem consigo falar da velhice que entra pela casa adentro pejada de sinais de esquecimentos e desordens que, não fora a gente ter alguma ponta de riso, mesmo que de pouco siso, seria o laço para atar o ramo daquilo a que simplesmente poderia apelidar de “ai! que desgraça!” Apenas eu entendo que a Vida é alegria de mistura com muita tristeza e muito desconsolo.
Pois... eu entendo!...não será a melhor forma de terminar o ano! Eu sei! Compreendo! Mas que querem?! A gente não comanda nada! Pensavam?! Não acredito que pensem tal! Eu, por mim, há já bastante que entendo que devemos estar preparados para tudo! Tudinho! Há uns natais atrás, a coisa andava mesmo colada aqui a mim. Mesmo debaixo do meu telhado. Lá foi passando. Mas...digo-vos! Nunca mais nada é visto, sentido, pensado, do mesmo...nem sei eu qual!... assim...do mesmo modo que...já esqueci qual!...que era antes! Agora...foi bater a outra porta e deixa-me aqui um peso do caraças! mais do que isso! um engasgamento entalado na garganta.
Se eu rezasse...mas só sei fazer andares pelo pôr do sol ou ficar muito quietinha a olhar o mar!... será isso alguma outra diferente forma de rezar?! Se for...eu rezo, então!...aos deuses...a todos as entidades! Rezo à Vida que faça a graça de dar a perceber que ela, ela mesmo, é da Morte entrelaçada! Desta, e daquilo a que nos habituamos a sacudir da Vida com tanta força e afinal não passa apenas de sinais com que ela nos espicaça a ver como nos comportamos ...se é grande e segura e firme a Esperança! Em quê?! Nela!...na Vida! Curta, escorregando lesta, pregando partidas a cada momento, mostrando a outra face, aquela que a gente sempre esquece...mas...uma curtida esta Vida! Demais! Foliona! Divertida! Adora brincar com a gente e avisar-nos que, sendo o nosso maior bem, esconde-se a um dado momento, faz negaças, vai-se mesmo...e a gente tem mais é que perceber que é ela, essa divina deusa, fazendo os seus rituais. Apenas isso! Mas, vá lá dizer a gente isto assim a quem está em maus lençóis!
Por mim, e olhem que sei bastante do que estou a falar, entendo que atrás de um dia outro virá e vou tentando levar a água ao meu moinho!...se possível, e caso queiram, distribuo também por outros.
Isto não anda nada fácil! Isto anda mau! E eu peço que me desculpem este modo assim do meu falar!
Àqueles, concretos, em que neste momento penso, a minha, a tal...da forma que sei...oração!
_______________________________________________

E o boneco assim a modos que o Pinóquio foi o mote.
É brincando que tento levar a coisa da Vida, da Morte e do Sofrimento.
Mas não pensem que tenho arte...tento!!

10 comentários:

BlueShell disse...

Oh, nem tu imaginas como te compreendo: desde os acidentas às doenças...passando pelas marcas de velhice que nos entram porta dentro...até à vida, essa, que matreira nos prega partidas. Nem pude reter uma lágrima...porque sei o quão real é este teu texto. Sinto cada Natal mais diferente do anterior, mais dorido...e eu nada posso fazer...
Se chegar ao próximo Natal...e estiver tudo como está hoje...não está mal...mas as probabilidades estão contra mim: ninguém sabe o dia de amanhã...ninguém sabe nada...mas quando há doenças em casa...já é um mau princípio. O nosso optimismo...anda por "baixo"....e quando toca o telefone é um sobressalto " que terá acontecido, meu Deus?"...é isto, sabes? este estar inseguro permanentemente, este não saber viver cada dia por si só: um de cada vez; é esta mania que eu tenho de antecipar o sofrimento...estúpida criatura , eu!!!

Jinho, BShell

bertus disse...

...eu sei que argumentas a tua escrita que se pretende (e consegues muito bem) o retrato (com moldura em formato dramático) da vida (das vidas) das pessoas, como ela realmente é. Ponto.
Por isso venho aqui em registo as mais das vezes provocatório, tirar-te do sério para te ouvir as sonoras gargalhadas, daquelas que tu dizes largar enquanto escreves ou lês e que deviam contagiar o "auditório". Na parte que me toca, acredito nessas gargalhadas e no sentir sério das letras que debitas, sem intenção de as valorizar livrescamente ou sem copiar modelos mas, pelo contrário, incutir-lhes a força com que pretendes sejam entendidas pelos teus leitores. Gosto disso. Ponto.
Que isto anda mau, escreves tu. Que rezas a teu modo, invocando aos deuses (sejam eles quem forem) por uma melhoria das coisas terrenas, se bem entendi. Isto, após uma "listagem" em forma narrativa, de maleitas e misérias que nos atingem a nós, comuns mortais. Mas acabas sempre por reconhecer que a VIDA é assim mesmo: feuta de coisas boas e revezes e quando mal damos por isso já estamos na curva descendente a contar não os anos mas os dias, ou os minutos e os segundos (passe o exagero) de que são feitos esses mesmos anos. Sei disso por experiência própria (lá se vai o mistério da minha idade "enquanto jovem") e só sei que que o tempo é irreversível. Mas sem lamúrias, lágrimas ou arrependimentos. A história da nossa vida (para além de alguns acasos)é feita por nossa conta e risco e a tão propalada "esperança de vida" pode acabar sem fortuna nem glória, se um qualquer maluco em contra-mão se atirar para cima de nós ou uma doença sem cura nos escolhe sem mesmo lançar os dados. Ponto.
O que podes "oferecer" aos teus "concretos" como lhes chamas?. Palavras, apenas palavras. E nisso tu és boa; se lhes juntares um sorriso aberto vais ver que o ambiente fica menos pesado. As lágrimas (ou choro?) nunca foram grandes ajudas para os que não estão bem. Contagia-os com um grande e o teu melhor sorriso. Um novo ano está aí. Igual a tantos outros. Não o façamos pior do que ele vai ser. A paleta de cores está á nossa disposição. Pintemo-lo como o desejamos e à nossa medida. Ponto.

lique disse...

Gostei muito de te ler, mulher. Hoje, agora, período de festas e tudo. Entendo-te, como te entendo! Também te podia contar como por aqui isto não anda fácil. Mas acho que a tua forma de nos dares o teu entendimento da vida e da alegria nos ajuda muito mais que o simples carpir de mágoas. Um beijão para ti nesta ressaca de Natal.

darkman disse...

olá. a historia era ficção...*;)

wind disse...

Admiro a forma como escreves. Textos grandes, mas com sentido, expões-te, contas a realidade tua, nossa de muita gente. Mas olha que o sol pode não se ver, mas está lá:) beijos***

mfc disse...

Tudo o que dizes é real, terrivelmente real!
E ninguém cá fica para semente...
Há que encontrar um ponto de equilíbrio, com todas, ou quase todas, as garantias do nosso lado.
É isso possível?

inconformada disse...

Li e reli o que aqui escreveste e tenho muita dificuldade em comentar talvez porque tocas num assunto que me é muito caro. "Mas para que nos havemos de queixar ? A Vida é isto mesmo..." Resta-nos o sorriso e a esperança :-)
Beijo

Anónimo disse...

Pois, Seila...
Ao ler o artigo senti os meus olhos saltarem das órbitas... se eu ainda acreditasse em Natais, diria se isso são modos de "entrares" nesta data festiva. Disse festiva? Ainda devo estar com os copos, depois daquela demonstração da velha Gaya (Terra) de que está viva! Mas a VIDA é assim... um passo menos em direcção à eternidade!
Cala a boca, Zé Gomes, só dizes asneiras!!! [diz a minha consciência - mas será que ainda tenho disto?!!!].
Resta-me acreditar que a VIDA é movimento, é criação, é evolução é caminho para... para aquilo que acreditares, para aquilo que acredito (será que ainda acredito em alguma coisa nesta trilha que me arrasto há muitas e muitas luas?).
Seila, sei lá...
Se "evolução" é isto?!!!
Deve ser das misturas que fiz no Natal...
Um abraço, minha amiga algarvia, gosto muito daquilo que escreves, mesmo que tenha o condão de me pôr de rastos... é a Vida, a porca da VIDA!!!
José Gomes

pipetobacco disse...

{ ...

que medo tenho eu de em tuas palavras me embrenhar [delas entender] e a medo as fazer compreender [;] que medo tenho eu de teus gritos [verdades] saber e sobre elas vir a chorar [.] enrolei meu pecado [por as quer esconder] em papel de tabaco [sinal ou indicio de não as querer ver] para as mascar [velhaco] e reciclar para que de medo meu elas não possam mais voltar [doer; compreender] [.] que medo tenho eu de as fumar [em meu peito as sentir] [...] só as quero curtir por ti a brincar [aquelas que dizes a sorrir] nunca a chorar [reclamar] [] porque tenho medo [...] de voltar atrás e as reler [compreender] [.]
© pipetobacco

beijos*

... }

日月神教-向左使 disse...

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adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

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meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein