segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

UM ANO ...TANTO?!!!

Porque o Porquinho-da-Índia...o Bertus...Francis Bacon também dito... hoje, mesmo hoje, fez a proeza de atingir um ano – DOZE MESES! - a manter activo, escorreito, pleno de novidades comentadas da nossa praça sempre muito propositadas, o seu TOPOCILGAS!

Aqui deixo a minha homenagem ao bicharoco que, apesar de nunca me dizer nada, nunca sequer uma vez me comentar uma palavra, eu prezo muito tudo o que leio no seu canto!
Gostava que ele me ligasse assim um pouco! Tenho pena, porque aprendo muito com as suas delicadas e sábias conversas, posso assim dizer, que observo, sem que consiga deter uma réstia de inveja de para mim não serem, com os diversos leitores e leitoras (muitas e boas!) que passam pelos comentários e a quem ele responde, uma, duas, três, no mesmo post, as vezes que cada um precise de lá deixar um dito, um pedido, um desabafo.
O Porquinho preza o comentário...escreve postes e acaba-os no verso da folha...
Sérios. Sisados. Eu leio e fico extasiada com a precisão com que ele responde a cada um dos comentários. Com graça e ferroada, plenos de delicadeza e sempre, disso tenho eu a certeza, com total verdade.
Ele diz coisas que se fossem faladas, levadas à cena num Teatro, davam rios de dinheiro em bilheteira.
Outra faceta do Porquito, assim algumas lhe chamam carinhosas, é ser, apesar de podre de rico, um esbanja mãos, um caridoso. Ele até traz prendas para alguns!
E...outra coisa que eu acho que deve ficar registada neste dia de aniversário:
O Bertus Francis Bacon detesta que o chamem de Porco! Tem essa pecha, esse único defeito! terá ficado de linhagem, de ser da Índia de uma alta casta...
Isto...digo eu que leio tudo o que ele até hoje escreveu! O que é fácil porque, ele, quer no post , mas sobretudo nos comentários, nunca escreve mais que uma linha duas, no máximo três!
Parcimonioso no gasto de bits, creio.
Muito mais teria eu a dizer, não fora urgente colocar a carta, esta, no posteiro a tempo de lhe dar os meus calorosos PARABÉNS!
E pedir-lhe que me leia, me faça a fineza, a caridade de responder aos meus pedidos...se ele há uma tal Seila que junto com uma Nia não largam o pobre do bicho todo o dia, e ele responde aqui ali e acolá!... posso rogar que me faça um pedacinho só o mesmo que eu até nem escrevo muito...lê-se bem!

Para que melhor o conheçam, fui buscar algumas fotos que roubei num assalto - ele não sabe, claro!- que fiz a sua casa um destes dias!
São fotos dele (descubram!) e de membros da família!







domingo, 26 de dezembro de 2004

Vida...


Isto não anda nada fácil. Mas para que nos havemos de queixar?! A Vida é isto mesmo! Assim um fogacho. Um niquinho de tempo que passa num instante. Ainda ontem era o tempo de prever e já estamos no hoje e logo a seguir no “olhem que...lembras-te?!” E pronto!... lá se foi o presente e o futuro e fica um grande passado que, bem olhado, e nem preciso é olhar assim tanto, é afinal um pedacito de tempo. E quando nos começam a bater na porta aquelas ditas desgraças que podem até não ser as desgraças mesmo aquelas, mas são as nossas!...então a gente observa...realmente!... que andamos nós a fazer do tempo?!
Olha que raio de conversa me vai esta arranjar logo, mas mesmo logo, logo depois...melhor!...ainda no dia da festa! Bem podia esperar que passasse o dia de Natal para vir para aqui com estas lamechas de dizer do tempo! Olha que realmente! Já nem uma pessoa pode viver sossegada a época das broas e do bolo rei e das rabanadas...que vem alguém, armada em sofredora, lembrar o tempo aí a vir e que temos a certeza, ai, temos! vai ser um tempo de coisas boas! que esse ... já passou! Bolas! ele há gente!!
Pronto!... eu, por mim, aquilo que digo, e nem é lamento...apenas constato! é que a coisa de viver anda assim um tanto xoxa! um bocado má!
Agora, além dos mortos na estrada, da crise na política e, por tabela, nas nossas bolsas, aparecem à porta de cada um, desprevenido, claro está!...doenças! e, porra! nem podiam ser assim umas gripes, umas dores de dentes derivado aos doces, um torcicolo por espetar tanto o pescoço a ver as montras ou, para quem ainda acredita, a olhar se o Pai Natal sempre descia do cimo, lá de dentro, da chaminé! Não!...agora!... isso... essas doenças de rápida cura...foi chão que já deu uvas! Quando se dá por ela, o que nos bate à porta é doença da grossa. Enfarte. Cancro disto e daquilo. E pode até sair na rifa assim uma sida desirmanada. Isto para nem falar das doenças da moda. As do foro psiquiátrico. Que bem que soa, não?!
Não estou a brincar!! Parece?! Pois creiam que, a ser assim, eu devo ter jeito para dizer o sofrido com ar de chalaça. Mas, olhem que a coisa anda assim borrada aqui pelos meus lados. Na minha casa, na do vizinho, num amigo, num outro mais distante no espaço, que não no coração. E já nem consigo falar da velhice que entra pela casa adentro pejada de sinais de esquecimentos e desordens que, não fora a gente ter alguma ponta de riso, mesmo que de pouco siso, seria o laço para atar o ramo daquilo a que simplesmente poderia apelidar de “ai! que desgraça!” Apenas eu entendo que a Vida é alegria de mistura com muita tristeza e muito desconsolo.
Pois... eu entendo!...não será a melhor forma de terminar o ano! Eu sei! Compreendo! Mas que querem?! A gente não comanda nada! Pensavam?! Não acredito que pensem tal! Eu, por mim, há já bastante que entendo que devemos estar preparados para tudo! Tudinho! Há uns natais atrás, a coisa andava mesmo colada aqui a mim. Mesmo debaixo do meu telhado. Lá foi passando. Mas...digo-vos! Nunca mais nada é visto, sentido, pensado, do mesmo...nem sei eu qual!... assim...do mesmo modo que...já esqueci qual!...que era antes! Agora...foi bater a outra porta e deixa-me aqui um peso do caraças! mais do que isso! um engasgamento entalado na garganta.
Se eu rezasse...mas só sei fazer andares pelo pôr do sol ou ficar muito quietinha a olhar o mar!... será isso alguma outra diferente forma de rezar?! Se for...eu rezo, então!...aos deuses...a todos as entidades! Rezo à Vida que faça a graça de dar a perceber que ela, ela mesmo, é da Morte entrelaçada! Desta, e daquilo a que nos habituamos a sacudir da Vida com tanta força e afinal não passa apenas de sinais com que ela nos espicaça a ver como nos comportamos ...se é grande e segura e firme a Esperança! Em quê?! Nela!...na Vida! Curta, escorregando lesta, pregando partidas a cada momento, mostrando a outra face, aquela que a gente sempre esquece...mas...uma curtida esta Vida! Demais! Foliona! Divertida! Adora brincar com a gente e avisar-nos que, sendo o nosso maior bem, esconde-se a um dado momento, faz negaças, vai-se mesmo...e a gente tem mais é que perceber que é ela, essa divina deusa, fazendo os seus rituais. Apenas isso! Mas, vá lá dizer a gente isto assim a quem está em maus lençóis!
Por mim, e olhem que sei bastante do que estou a falar, entendo que atrás de um dia outro virá e vou tentando levar a água ao meu moinho!...se possível, e caso queiram, distribuo também por outros.
Isto não anda nada fácil! Isto anda mau! E eu peço que me desculpem este modo assim do meu falar!
Àqueles, concretos, em que neste momento penso, a minha, a tal...da forma que sei...oração!
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E o boneco assim a modos que o Pinóquio foi o mote.
É brincando que tento levar a coisa da Vida, da Morte e do Sofrimento.
Mas não pensem que tenho arte...tento!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004

uma visita

Se eu soubesse onde mora a solidão ia lá um destes dias. Batia-lhe à porta de mansinho e convidava-me a entrar. Deve ser mulher de meia idade bem vivida. Foi até rica, com marido e dois divórcios antes deste último ter falecido de enfarte. Pois, dizia, aparecia-lhe assim de repente e sentadas as duas frente a frente com um copo de sumo de maracujá e um pratinho de biscoitos de manteiga, eu havia de com ela conversar. Perguntar-lhe-ía de onde aparecia assim nas gentes sem avisar. Porque se dava em sentir mais pesadamente em alturas festivas. Porque se coadunava tão bem, andando quase abraçada, com gente da alta roda e malta da pesada, velha e nova. Mas, sobretudo, dir-lhe-ia se ela não sentia assim uma pena grande, se não se gostava de desaparecer quando visitava assim um velhote ou uma senhora viúva com meia dúzia de filhos que dois deles estavam na Austrália, dois nem sabia o paradeiro, um morrera há um mês e outro vivia duas ruas acima da casa onde morava, mas nunca o via. Entretanto, ela beberricaria o sumo de maracujá aguado e ir-me-ia olhando de lado, calada, com ar de quem espera a ocasião para despejar do seu dito e entretanto vai mirando o interlocutor que neste propósito era eu. E este eu que imagino visitando a dita senhora, recusa o bolinho amanteigado que ela empurra para a minha frente assim num gesto de como quem não quer a coisa. Eu falaria. Eu nem sabia ao que ia. Nem tinha lá muito bem pensado no que diria, mas acontecera, por um daqueles acasos, que apanhara um bocado de papel amarrotado caído de um saco de plástico de uma criatura que arrastava um carrinho de rodas desses das compras muito velho abarrotado de tralha e levava pendurado no ombro um saco cheio de papéis e trapos e garrafas e latas. E o papel...nem sei porque diabo me abaixei para o apanhar... mas certo é que o fiz e o abri e lá estava escarrapachada a direcção: Solidão Rua X número Tal assim muito esborratado, mas suficiente para ver que era ali para estes lados onde acabei por vir parar. A casa era mais assim uma barraca, apesar de ser de tijolo e ter uma espécie de telhado e uma porta de alumínio e campainha e tudo. Por dentro era a jeito de um T0 com muita tralha amontoada e no meio uma mesa muito limpa coberta de toalha de oleado azul com rosas e uma jarra de vidro baço com um pedaço do que fora laço encarnado. Duas cadeiras de palhinha e na parede um calendário de um ano atrasado com um Sagrado Coração a sangrar desbotado. A um canto, a tentar ficar escondida, uma cama de madeira meio bamba, segura, no pé que eu desvisava, por um maço de revistas e um livro. No canto atrás de mim, que num repente vi quando entrei, havia um armário com uma torneira e uma data de loiça que me pareceu ser ali o seu lugar lavada ou suja e, arrumado a ele, um frigorífico tão branco que devia ter sido adquirido para aquele local há dias recentes. Foi de lá, presumi, que teria saído aquele inopinado sumo de maracujá.
Tudo isto, já perceberam é o que eu conto se realmente um dia pudesse visitar a tal de Solidão. Pois assim, continuando, eu fui desfiando um rosário de situações que, entendia eu, seriam todas elas conhecidas dessa senhora. A certa altura desse meu imaginado tanto que até aqui conto tal qual se tivesse passado, a Solidão encarou-me nos olhos com um olhar profundo e tão intenso que senti que se não fosse a minha Paz e as minhas boas intenções, se bem que imprecisas, eu teria sido cuspido da cadeira e levado nos ares como se passasse ali um tufão daqueles que felizmente ainda só vi na televisão e no cinema, sim! A esse olhar eu fiquei sem mais o que dizer. Ela debruçou-se sobre a toalha, agarrou com as dela as minhas duas mãos e apertou-as. Ficámos assim um tanto instante que, hoje quando me lembro, entendo que às vezes não há relógios para marcar o tempo! Foi infinito e de repente. Depois, com voz que nem parecia ser daquela boca que saía, ela disse apenas: Meu amigo só pode mesmo falar comigo, saber o que essa, toda essa gente que agora enumerou, sente, quando a visito ou com eles moro uma vida ou a partir de uma dada altura! quem já viveu ou me encontrou assim sem dar por mim, num mero acaso! Os outros, como a senhora que me procura, percebo que com o melhor intento! O de fazer que me deixe de aparecer, que desapareça, que me faça com presença de menos peso a tanta gente! Esses, como a senhora, lhe garanto nunca poderão saber o que é viver comigo dia a dia, nem percebem, por muito que no meu nome falem, quem eu realmente represento. Cuide que, com esta visita se não vá ficar sentindo que aliviou alguma solidão ou, pior ainda, que estima que me conhece de perto. Nem de longe, lhe garanto. Não poderia nunca aqui vir assim, sem me conhecer, se algum dia tivesse eu cruzado o seu caminho! seria eu a encontrá-lo! apenas eu decido a quem faço ou não companhia.
Fiquei de cara à banda! A mulher lia-me os pensamentos! A mulher sabia que tantas vezes eu havia dito, escrito, coisas sobre a minha solidão! Agora ali estava ela. Ela mesmo em pessoa, afirmando que tivesse juízo que eu nunca a tivera! feliz me devia sentir! a sua companhia nunca, dizia ela, eu conhecera, nem naqueles momentos em que parecia que o mundo e todo o universo me fugia e eu ficava apenas eu, poeira perdida sem uma única companhia. Eu a ouvira como um acusado a quem lêem os crimes antes de ditarem a sentença.
Solidão, a voz dela ressoava baixa mas intensa aos meus ouvidos, solidão mesmo não tem voz, meu caro amigo, solidão quando eu lá entro, fica assim um desapercebimento que é apenas uma dor que apanha tudo na pessoa e, sendo assim, ela nem percebe que havia antes outra coisa...um diferente. Eu caio, vou minando, falo baixinho, trato de apagar recordações e em seu lugar deixo um vazio de pensar, apenas uma dor sem nome e sem direcção...melhor com todas! Fique sabendo que, por vezes, quando passo junto de gente que me emprega o nome, dá-me uma vontade enorme de as abanar e dizer tenham siso que...um dia eu lhes entro e... nada nada do que viveram vocês aproveitaram. E dá-me uma raiva! Que... sabe?! eu tenho sentimentos e dói-me a solidão dos outros! Penso, quando eu sou mesmo eu presente, que é a deles sempre muito maior que a minha. É o que resta a cada um quando me instalo, perceber no outro a solidão e dar-lhe, apesar de tudo, um pouco de solidariedade! Agora vá-se embora! E quando vir alguém precisado de ajuda, de assim de companhia, dispa-se dessa pele de querer saber tudo e fique apenas assim juntinho sem pedir nada e sem querer dar o que não sabe. Eu quando me instalo, cuido eu, que quem me fica comigo apenas sabe perceber que está ali alguém um instante que seja ao seu lado.
E lhe digo mais, continuou, eu entro tanto mais facilmente, quanto cada um de cada qual onde me instalo, andara sempre...sempre...buscando fora de si a sua própria metade!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

ora bem....

Ora bem! Estava eu aqui a pensar com os meus botões: por que raio ando eu sempre a fazer ilustres postes (esta do ilustres advém dos comentários ! a culpa é portanto deles! vossa! se me revejo babada naquilo que escrevo e escrevo mais!) mas estava então, falando eu com os ditos dos aqueles que apertam os casacos e outras coisas mais de roupa de vestir e, diria, que desapertar um assim ali num local certo, tem por vezes efeitos que, diria, podem ser mais colaterais dependendo, evidente, do local certo do corpo em que é colocado o botão fora da casa! E pronto isto está mesmo a ir como eu pensava, dizia, pensando com os tais...está a ir por um caminho diferente daquela sensaboria de escrever contos que saem sei lá de onde e são sempre tragédias, e mais tristezas e pesos de alma. Ora eu cá até me tenho por uma mecinha com uma pontinha jeitosa de ironia e muita, alguma gracinha (quer dizer...na tenho piada nenhuma ...mas rio-me muito e à minha volta fica, quase sempre, todo o mundo a rir!) Entonces...porque raio saem todos os dias aqui uns postes que são uma coisa assim que, vinda sei lá de onde, dá da minha virtual pessoa a imagem de uma gaja sensaborona, triste, ca alma apanhada por uma qualquer virose de tristeza ou coisa parecida?! Nem eu entendo!! Quer dizer...na acreditem que eu percebo, sim, e muito bem , mas que querem, hoje, deu-me para colocar-me aqui escarrapachada como eu sou assim meio marada e dichotando sem tino nenhum! Acabei?! Que jeite?! A coisa inda vai no mêo ou menos...sei lá... Hoje acordei a ler um artigo que o jornal na digue qual que eles, taditos, são assim todos a modes que muita parecidos e tamém na tou pra entar nessa de publicidade que bem me chega ter a caixa do corrêo chêa dessas coisas cheias de cores que apresentam de uma ponta à outra bacalhau e flores e cadeiras e camisolas e chóriços e percima vem uns números sempre de tamanho grande e a cores e eu amando aquilo tudo pra forrar o cêste do lixe que dá pra isso muito jeite. Mas...olha deve ser aquilo que aqueles que me conhecem bem, costumam dizer: ela perdesse...faz uma data de parênteses e depois na sabe o que ia dezer! Pois...dizia a prima do outro... assim estava eu lendo o tal artigo... ah! esquecia-me de dizer que além dos tais papéis, agora aparecem no telefone umas vozes a dizer pra mim ir a um jantar assim lá num hotel e um dia é fui e levei o mé home queles , os moços que me telefonaram, disseram quéra preciso levar o marido se não na mofereciam o jantar, assim é cá fui e... Depois conto cagora estava a contar que lia o tal artigo no jornal! Ai! Carago! Esquecia-me ! tenho quir ao banco e deve tar a fechar! Té logo! Eu depois conto! Um abraço que agora...Ai! já me esquecia, inda vou dizer uma num instante sobre essa coisa de publicidade! é cá goste é cande aparecem a bater aqui na porta uns rapazites muita loucos! percebem?! buéda giraços! Coitados! andam a ganhar uns cruzados! euros é?!pois! São capazes de ser meus netos, mas são tão fofos que é percasa disse que é face sempre os inquéritos todes e inda lhes précuro se ganham bem e coisas assim ou se andam a ganhar pró curse e ... eles contam-me assim a vida toda ou quase...é ache...e é tenhe pachorra...mete assim cunbersa e ele gostam... vê-se nas caritas...às vezes são umas mecitas ...um dia tava um raio dum calor caté escaldava e é disse quentrasse e dei-lhe um cope dágua fresquinha... coitadas das gentes estas que na tem mais empregue e anda a fazer o que pode... o raio da publicidade é outra coisa qué digue sempre a quem me telefona que deixe que na quere ir (sim depois daquela em que levei o mé maride e me queriam impigir um colchão que andava de baixo para cima sem a gente mexer coisa nenhuma do nosso corpe...é nunca mais fui a outra! caí né?!) mas sou muito simpática qué cá percebe queles estão a fazer aquilo qué o sé empregue e lhes mandam assim... Pior é esta seca da TV quentra pela casa dentre! ( mas há anúncios que são arte!!! é adore!! É uma contradição, mas se calhar até não!!! Sei lá...tamém na tou aqui pra convencer minguém! ) Pois...o pior ainda são esses Spames quinda na percebi bem o que é...

Ah! agora, desculpem lá, tenho méme quir! Té outra ócasião!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Maria...


-Anda Maria corre! Olha ali em cima no alto da torre da Igreja!
Maria arrumava a loiça. Os pratos muito limpos de um pano branco que dependurava na mão e mais parecia, quando o erguia lenta a retirar os restos de água do lavar, que afagava com algodão ou alinhado pano, ferida de ente querido.
De fora, o grito se ouvia:
-Maria! Anda! Corre! Anda ver!
Parecia coisa de aflição, mas ela, Maria, conhecia aquele deslariar e continuou a tarefa de colocar um sobre o outro, já bem secos, os pratos, dois, do almoço acabado há pouco. Ainda se deu em abrir a gaveta da mesa redonda e colocar, sem pressas, antes com desvelos, se diria, muito dobrada pelos quatro cantos e depois em quatro partes, a toalha de quadrados. Compra-a na feira no sábado passado. Enquanto passava a mão direita para aconchegar de melhor guardada, pensava que encontrara o António nesse dia. Há quanto tempo não o via! Pegava na toalha (essa que agora guardava) apreçando. Uma conversa de descuido com a feirante, cigana bem parecida se bem que não lhe tivesse quase visto a cara. O António. Partira dali há tanto! Ninguém mais lhe soubera o paradeiro. Deixara um bilhete na mesa, aquela redonda. Dizia apenas: Amar-te-ei sempre. António. Fora há tanto ano! Aquela barba! O cabelo muito louro! nem os brancos se viam! E os olhos! Aqueles olhos azuis olhando-a como se fosse ontem aquele longe dia! Desapareceu no meio da gente falando, falando e ela ficou olhando...a toalha de quadrados pendurada entre a dela e a mão da feirante e o coração a saltar-lhe de um não percebia de onde como se hoje ali fosse o outro dia. Tirara a nota da carteira como se nada mais tivesse a fazer que comprar a toalha. Recebera o troco e sabia que por mais que olhasse nunca mais o veria. Mas olhou tentando alcançar uma guedelha loura a andar apressada no meio da feira cheia de gente. Uma voz de dentro ralhou-lhe muito forte, muito zangada. Dizia-lhe que se lembrasse que ele, aquele, já não era o António o pai da sua filha. Esse fugira para sempre deixando um bilhete e nunca mais dissera nada. Era esta a história, não sabia ela que essa era a história?! Não havia António!
De fora para o dentro de casa a voz gritava:
- Maria, anda ver! O homem vai cair assim empoleirado. Corre, Maria!
Ela entreolhou a cozinha arrumada. Fechou de manso a gaveta, endireitou a jarra com um ramo de malmequeres apanhados de manhãzinha a dar de comer às galinhas. Havia tantos! Ainda mal abertos! Ainda orvalhados! Agora estavam lindos na jarra. Rodeados de verdes das folhas. Ainda com raízes. O transparente do vidro mostrava. Nestes gestos e observados, se perdeu não mais que em passando, ouvindo a que gritava e pensando “que seria?!”. Era melhor ir. Apesar de, como costume, não ser nada. Alguém que arranjava o relógio há muito parado nas dez horas ou um curioso que pedira ao padre para subir a ver de cima os campos de cevada. E como estavam lindos com tanta papoila e aquelas borboletas negras que pareciam contas caídas do colar de uma fada. Foi-se assim chegando, agarradas, como lhe era hábito, as duas mãos dobrando, para cima, para junto da cintura, o avental meio molhado. Assomou na porta. Olhou a filha ali especada no quintal. Aquele olhar azul meio debotado e a boca sempre a esboçar um sorriso ou pronta para se esboroar num babado de choro sem lágrimas. Olhou-a naquela saia de quadradinhos encarnados com a blusa muito apertada deixando no decote redondo assomar uns seios alvos, duros de menina. Os pés descalços enfiados num par de sandálias verdes muito velho. O cabelo loiro atado num tufo desarranjado por cima do pescoço. Era linda! Era muito linda a sua menina! Tinha, no momento em que assim, num sequer que instante em que a olhava, a mão em pala sobre os olhos assestados na torre da igreja ali ao fundo da rua; ali dependurada acima do quintal. Maria olhou para cima e gritou. Um grito que nem sequer se ouviu de forte ressoou no peito. Ela sentiu que não gritou, mas que julgou. No alto da torre o corpo de um homem balançava como um galho seco. Maria não gritou. Pegou na mão da filha, abraçou-a pela cintura como que para a proteger do que ambas viam. Só ela, Maria, percebia. Trouxe-a assim colada a ela. Sentou-se às duas na soleira, viradas ambas para dentro da casa. Deixou que a filha a olhasse com aquele ar de perguntar sem saber o que pergunta. Levantou o avental e enxugou um nico de água que corria do lugar que não devia. Ficou Maria assim abraçada à filha. Lá fora, junto ao muro baixo do quintal, passava gente em corrida, em vozearia. Maria bem ouviu o nome que diziam.
Aconchegou-se mais num encolhido que se deu em pranto de balançar o corpo.
Uma voz de dentro falava baixinho. Falava de dizer a história que ela dera em esquecer. Quanto mais a voz falava, mais Maria lembrava o balançar do homem. Bastara um relance. Vira quase sem ver. O sol batia forte na cabeleira ainda loira. A voz soava no seu lá de dentro. Levava-a a um tempo de guerra e de fome. Ele voltara de lá. Uma terra de nome que soava como de muito longe e nossa se diziam ser. Voltara. O mesmo cabelo loiro. Diverso era o olhar. Um outro olhar azul. Um azul sem fundo, sem alvo. E a voz. A voz rouca que cantava, agora falando, falando. Sempre falando de coisas que ela nem entendia. No meio da fala apenas ouvia, quando a ele dava de soluçar: Maria, amo-te! Nunca percebera da filha. E a voz dizia. Não, Maria, não! ele não fugiu, Maria! Ele foi que o levaram a tratar na cidade longe, lembras?! E ela chorava. Agarrava a filha que assim, mesmo sem a tal de guerra, ficara que nem ele sem mundo deste se aperceber. Outro, ela habitava. Um seu mundo de fantasia, dizia o doutor. Tratar de quê?! Deixar. Ela assim nasceu, assim irá morrer. Ali, agora, se cruzaram seus caminhos. A filha olhando, sem perceber, o homem que trepara no cimo da torre.
Maria já não chorava.
Ergueu-se devagar. Tirou o avental. Pegou a mão da filha. Sentou-a na cadeira e deu-lhe a caixa dos lápis, os papéis.
- Ficas aqui que a mãe vai ver se estão a concertar o relógio, sim?!
Ela sorriu de ver Maria sem chorar.
- Sim, vai. Olha, eu desenho o homem pendurado na torre. Sim?! O homem loiro. Viste que era loiro?!
- Sim! – respondeu Maria e saiu.

sábado, 11 de dezembro de 2004

Bora!!! Parabéns ao Tim!

CENTRO COOL TURAL DE PARABÉNS!!!


Tim

BORA PRÁ FARRA QUE HOJE É O TEU DIA!!

...vá lá...um beijinho...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

(in)titulada...

...ou porque o ano está a terminar...já 2004!!...ou porque sempre, mesmo se não escrevo, ando a pensar, a meditar, a reflectir ...em mim, nos outros, naquilo que acontece...por uma razão que desconheço e nem me vou pôr aqui fazer dela tema...e está bem perto, sinto, esse desvio! eu depois explico... Por um ou qualquer motivo, desde ontem que sinto esta necessidade de deixar registo de algo que me anda por aqui a bailar.
E neste momento a coisa está a avolumar, a crescer, ainda mais, cá dentro. Acordei cedo o que não é novidade. Novidade, sim, é estar aqui a dizer...sim porque sei que não estou a escrever para o meu diário, mas vos estou a escrever. Ando a deambular em volta da temática. Este “vos” que ali se esbarrou debaixo dos dedos fez dentro de mim uma mossa assim como uma pedra atirada à janela como aviso: “Ei! Olha estou aqui! vê lá o que é que escreves!” Topo-a bem a esta minha cuidação de me falar de mim. Mas que se dane o raio do aviso que eu hoje tenho que dizer umas coisas que senão ainda me piro disto e nem a mim mesma me aviso. Delet your blog clique e prontos! Num instante meio ano e uma data de escritos e aqueles nomes todos alinhados ali ao lado jogados pró camandro! Delet e pronto!
Mas, claro não era nada disto o que eu pensava no início de, com dois dedos, andar por aqui a passear no teclado, com frio e uma manhã linda aqui ao lado.
Vamos lá então a ver o que se passa.
É! É mais uma vez sobre este de andar aqui a escrever. Mais do que isso. Calma. Vamos devagar.
O Mundo é muito...quero eu dizer...é muita gente. Isso não me incomoda. É dado adquirido. Nascem, vivem, morrem. Muita muita gente...ontem à noite diziam e ouvia eu com uma lata que me arrepia, que morrem em cada...nem me lembro o intervalo de tempo, mas é coisa quase de instante, tantas crianças no mundo com menos de cinco anos CINCO! Tantas como o total daquelas que habitam, nesse intervalo de tempo, a Europa...a nossa civilizada e democrática Europa! Pois...e eu ouvindo isto e comendo uma sopa! Assim num desplante como se fosse um naturalmente o que se dizia ali no écran a um canto da minha sala ... a minha topam?!...a minha salinha...e no écran passavam figuras esqueléticas...brancas...amarelas..pretas...crianças a morrer de fome e doutras doenças...não sei quantas por um intervalo de tempo muito curto para tanta gente que nem chegou a ser mesmo mesmo gente...nem chegou a andar por cá cinco anos...365 dias vezes cinco mais os bissextos.
Coisa crua isto, né?! Pois então imaginem como eu me sinto aqui a escrever...para quê?! Pois...para coisa nenhuma! Ando eu nestas in re flexões e abro um blog por mero acaso...um “deixa cá ver” e dou de caras com um gajo que conheço.
Devem estar a pensar, se é que conseguiram chegar aqui, esta Seilá é louca! Pois e pensam muito bem!
Mas, então...de caras com um homem que eu conheço.
E aqui recomeça a tal porra que deu início a esta merda toda.
Que se lixe a linguagem! Eu quero é perceber que raio ando eu aqui a fazer.
Eu quero é perceber o que raio é isto de conhecer uma pessoa outra pessoa! Pronto já disse!
Não disse nada! A coisa é bem mais complicada!
Pois...eu por mim sou assim: coisa que me doa fica aqui guardada, enquista, arredonda, bloqueia, encolhe, e passado um tempo esqueço. Julgo eu! Que a porra é que eu sei que ela a tal coisa que me incomoda, está lá arrumada, mas vivinha da costa! Preparada para dar, em qualquer altura, sinal de si. Abrir que nem um vulcão e desatar a ditar de sua justiça coisas que eu já pensava arrumadas. Mas, que hei-de fazer?! Sempre fui assim. Coisa que me doa...Doer entendem?! Coisa dessa...eu nem falo. É mesmo assim um “não consigo!”. Sou assim desde criança. Começou, digo eu, na escola quando numa prova fiz aquilo que depois chamei de erro sistemático. Topam?! Assim dois vezes dois 4 e vai um! O tanas que não ía nenhum e a puta da conta dava sempre errada e a professora, ciosa da sua boa aluna, de roda numa de ajudar que a sua menina tinha que ter a prova impecável! e o raio do dois vezes dois quatro e vai um que não ía nada, a rolar...e assim ficou a prova com a divisão errada. Contei?! Que nada! Chorar que nem uma cabra tresmalhada. A pobre da minha mãe arreliada. Desesperada. E eu de boca fechada. Eu só a ver o raio da divisão e vai um para quatro três e pumba acabou o tempo e a menina a descer a escada com a aquelas vozes todas a berrar “olha,a menina da professora a sair com as burras”. Sim! O que é que pensam vocês que aqui andam e fizeram a escola depois dos anos sessenta?! A coisa era tramada. Bastava um e vai um e ser tida de boa para ficar assim uma criança com a alma esfolada! Não brinco, não! nem contei à mãe que teve que ir saber o que se passava a casa da professora. Topam o estilo que me ficou?! Agora imaginem com esta idade, sem ter tido, então, assim um psicólogo logo à mão a ver o que fazia calar de apenas dizer que de quatro ia um, uma criança naquela idade! Pois...nas outras idades começam-se a calar outras coisas mais...diria eu...mais pesadas. E com isto tudo já perceberam que para sair mesmo o essencial é parto de ferros e coisas que tal e é se sair daqui algo que seja sequer parecido com o que me anda dentro e nem por um raio sai para o teclado. Pois...tanto dá ser aparo de pena, esferográfica, máquina de fita de carreto, gravador ou simplesmente gente, o interlocutor. Se doer...nem a mim eu digo nada! Topam o estilo de gente que escreve aqui umas coisas cheias de humor nos coments e muito certinhas nos postes?! Topam?! Pois é assim um disfarce. Uma coisa nenhuma...bem bem exagero!
Encontrei fotos do tal que eu conheço e aquilo que já cá andava reaparece numa interrogação, num espanto: "Que gente tanta que eu conheço!” Ora! Mas isso já eu sabia! Conheço um porradão de gente! E lá volta! mas...pessoas...conheço?! que raio sei eu assim de conhecer daquele homem?! Nada! Pouca coisa! Nada!
Tou quase lá!
Quase.... um é assim: a gente, eu, nós, conhecemos quem?! Que é isso de conhecer pessoa?! Os amigos?! Porra! então são muito poucos!!! É que conhecer assim de saber coisas da vida deles e saber o que pensam e ler-lhes o pensamento e saber como vão reagir ou porque fazem isto assim e não assado...conheço...quantos?!! porra! tão poucos! Terei andado distraída?! Sei lá se fazem poesia nos intervalos?! Sei lá se leram aquela autora que eu adoro! Sei lá se gostam de antúrios ou de rosas?! E de gatos, gostam?! E querem ser avós?! E choram assim fora do contexto?! Tomam pastilhas ao almoço?! Rezam à noite?! Sentam-se para ler ou fazem-no de cu pró ar deitados?! Adoram olhar para uma formiga ou esmagam a desgraçada sem pensar nem nada?! Ficam a olhar uma rosa a abrir ou preferem ver se há arroz e grão na dispensa e regam a rosa apenas porque o arranjo do jardim custou uma fortuna?! Namoraram no rio às escondidas?! Andaram de bicicleta dentro de água?! Subiram a montes quase a pique?! Acamparam alguma vez na vida?! São contra ou a favor do aborto?! e da eutanásia?! E da pena de morte, que defendem?! Sei lá se tiveram os filhos na marqueza ou na cama ou de cesariana e sei lá se tiveram prazer ou se acham que se safaram com a epidural?! ou berraram?! Sei lá...se choram a ver que saiu o...quem?! da quinta das celebridades?! Sei lá se gostam do Picasso na fase azul ou se sabem os nomes de todas as músicas?!
Sei lá...de cada um dos que conheço eu... não sei quase...não...não sei nada!! De alguns.... mas são poucos! Conto-os pelos dedos de uma mão e sobram os outros cinco dedos para uns que ficam assim num que me parece...
Mas com este quadro que raio ando eu aqui a fazer?!
E parece que é aqui que marca o ponto da coisa. Parece...
Mudemos o trilho.
Eu gosto de tanta gente! Tanta gente gosta de mim!
Boa! Assim isto toma outro sentido!
O tal homem por exemplo! Coitado! Que ele nem sonhe nem pense a ser aqui assim usado de exemplo!
Gosto daquele homem! Gosto dele pronto!
Conheço-o (pronto escrevo o raio do verbo e sobe-me um calafrio de baixo para cima!) Mas, sim, conheço -o! É ... mas topam?! eu até há pouco tempo nem sabia que o homem era casado e tinha uma filha! E já gostava dele! E já conversávamos!
Que raio! Terá sido de ser nómada na minha adolescência que ficou esta facilidade de gostar assim de toda, de muita, muita gente e saber pouco de cada pessoa?!
Não! Não é que não me interesse! Apenas não sinto necessidade de saber mais que o preciso para simpatizar, e caso seja preciso estar lado a lado com ela numa ocasião e dar-lhe o meu ombro e tudo o que tenho e vou inventar para lhe dar!
Pois...por exemplo, isto acontece com os meus ex-alunos...só aí é um carradão de gente!...com colegas de escolas,liceus, faculdade, cursos, encontros, retiros, grupos... partidos!!!...das escolas onde leccionei e esta...olha esta é uma boa como exemplo! Tanta gente que aqui passa! E tanta que nem me lembro sequer o nome, mas que sei que gosto e que reencontro e abraço assim com uma grande sinceridade de lhe dar e de saber dela e de a ver...no entanto...nada sei, assim de saber mesmo de coisas contadas de pensar...apenas que houve e continua uma amizade...fundada em ....
Pronto lá volto eu outra vez à estaca zero!
Afinal a gente pode gostar sem conhecer?! Gosta-se de quê?! Do que se sente?! Gosta-se e pronto?!
Então...aqui nos blogs isto é, pelo menos comigo, a continuação da coisa que me acontece na vida! Gosto na realidade porque gosto e pronto!
Mas aqui é diferente em quê?! Apenas não conheço a cara, o carro, se o tem e a marca, a casa se é vivenda, andar, na Lapa ou na periferia...
mas se eu da maioria também nada disso conheço e são, alguns, os que mais gosto!
sei lá de onde é aquela colega menina fofa que me abraça e beija com tanta ternura quando me sente embaixo ou se ri de gargalhada com uma coisa que achamos, ambas, divertida, ou que fala de uma outra pessoa ou acontecimento na mesma onda de sentir que eu?! Dela nada sei e no entanto eu posso dizer que a amo e dela sei que o mesmo por mim sente! E diria mais: a mulher ali na merceeira que me fala da filha...bom pode ela me conhecer...saber quem sou...mas se for noutra cidade assim num autocarro ou no bar do comboio... a gente fica com o endereço, escreve-se, pergunta pelos filhos que desconhece...
Olha escrevi isto tudo ou quase nada...entendam o que vos aprouver...
eu estou bem mais descansada.
Andava a fazer disto do gostar e conhecer uma empreitada e chego à conclusão que era apenas um arranjo, um biscate.
A gente gosta de uns e conhece, sabe.
De outros, a gente gosta tanto ou mais e na conhece, nem sabe nada ou quase! É assim um feeling e não tem nada que ver com a embalagem! Ah! Isso não tem mesmo, para mim, mesmo nada!
Então eu gosto de vocês e o que tenho pena é de não poder, conhecer mais!(o verbo já não me incomoda!).
O tempo não chega e tenho tanta pena!
é que encontro, a cada canto, tanta gente linda!
Tanta pessoa!
Hoje não vos deixei em silêncio!
Perdoem!
Um abraço para toda a gente!
Um beijo a cada pessoa!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

shuuut!!!!!!!!!!!!

Agradeço a todos os que leram,comentaram, perceberam o escrito de dia sete!
De todos há um que lembrarei a vida inteira...o do meu menino grande!
Gostava que lessem o que a Sotavento publicou
aqui ...
e hoje deixo-vos assim... ..
um pouco de silêncio faz bem!

imagem daqui

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Hoje...


Cresceste–me num tempo de incógnitas
num tempo ainda de segredos
Gostosa espera!
um dia nasceste
um nascer de desejado parto lindo!
caíste de mim
no meu ventre exposto
encolhido da tua falta
rosaste de ti o meu corpo entregue
Foi um instante
Um lapso
uma avalanche
anichado entre mim e o mundo
mundo que te esperava...
eu ria e chorava!
Nós dois ainda um só
mas já tão longe!
Hoje...
deixo-me ficar em silêncio!
Hoje...
quero mesmo só ficar em silêncio!
num dizer de silêncio
fazer-te ouvir sentido
Amo-te!
Que esse Amor seja em ti Vida Paz Serenidade
Hoje...



Os amigos Ognid e Lmatta deixaram uma prenda linda neste teu dia!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

aniversário


Este hoje é só para TI FERNANDA!

Uma estrada de vida repleta de flores!

Um grande abraço!

PARABÉNS!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

tempestade


Sentava-se no meio do largo como se fosse a sala de visitas. Direita. As duas pernas muito unidas nos joelhos. As mãos cruzadas sobre o colo. Nunca vestia um fato, uma saia, um vestido, umas calças. Nunca. Fosse de dia frio ou canícula, cobria o que se não via num apertado casaco sempre azul tisnado de pingados de tinta. Trazia uma mala. Uma daquelas antigas malas de cartão com cantos de lata arredondando os cantos. Uma mala dita de viagem. Mas era uma mala pequena assim pelo mal medido de quatro mãos-travessas (o mesmo que dizer fechadas de dedos o que é diverso do palmo mais usado em medidas). Sentava-se num banco mesmo no centro do largo. No único banco onde chovia directa a chuva e a sombra não cobria do sol quando este dava. No largo havia bancos e havia árvores. Aquele banco tinha, por razões de arquitectura que de paisagem, ao tempo, não havia, ficado ali ao centro sem ficar por debaixo de coisa nenhuma. E, por razões dadas ao acaso, o banco ficava bem no meio do dito largo. No meio mesmo, não! Havia entre ele e o meio um canteiro. Quer dizer...era um arredondado de terra salpicada de ervas e duas roseiras secas e, mesmo, mesmo no meio, um cipreste. Ela, sentada no banco. É de dizer que cada banco, e também esse, tinham sido verdes que ainda se lho via, na tinta saltada em lascas, essa, apenas de longe apercebida, cor. Para além do canteiro com o banco ao lado, o largo era rodeado por um gradeado. Um enfiamento de ferros verticais com pontas esguias apontando acima e a uni-los uma espécie de fita torcida do mesmo material. Era assim todo em volta do largo onde havia o banco onde ela se sentava. Ademais disto, as árvores eram, precisemos, quatro. Quatro árvores de folha caduca uma em cada canto como se formassem um quadrado inscrito no arredondo do círculo do gradeado. Eram árvores antigas de troncos gorgulhosos, esburacados. O chão deste largo era todo de terra amarelada. Aqui e ali, um naco de côdea parecia uma pedra. Mais noutro sítio uma semelhança mesma se fazia uma poita de caca de animal canídeo ali vindo de rara ocasião. Sim, que o largo não era quase nada frequentado, nem mesmo pelo bicho passeante cão. É verdade! Esquisito também! Mas o certo é que nunca se via, além dela, ninguém passeando ou ocupando qualquer dos outros bancos. De quando em vez. Lá muito de longe em longe, um que não era dali, e isso via-se pelo modo como parecia, atravessava o chão terroso e, raras vezes, se sentava numa ponta de um banco. Podia parar olhando o que ela nunca via. Uma ponte que corria por cima do rio lá muito ao fundo, lá muito do outro lado, lá muito embaixo do alto em que planava, parecia quase, o largo. Porventura quem ali passava era em busca do rio. Talvez, de o ver de ali de encima. Há que dizer que o largo não fazia parte de nada. Isto é, não era largo de aldeia, nem de cidade ou vila. Não. Era simplesmente um largo perdido ali no em cima de uma povoação de casas soltas atravessadas por um rio delgado e uma ponte estreita. Claro! a ponte nem precisava ser larga para tão pouca água.
Nessa tarde ventava. Um vento frio azulado num ar de trovoada. O céu estava roxo escuro. Plúmbeo?! Não! era roxo misturado de negro. Escuro! Ela chegou, como costume, e sentou-se tal qual descrita. Pousou a mala no lado esquerdo. Deitada, a mala sobre o banco, parecia prenha. Uma das mãos deslocou-se de sobre a outra que se manteve inerte. Num gesto de cegueira, inesperado para quem o visse. Num gesto que, a ver-se de alguém, se diria sem tento, soltou os fechantes dois da mala, um de cada canto. Qual boneco de mola preso em caixa, um soltar de folhas brancas, vermelhas, verdes, amarelas, se fez de dentro. Cada, todas as folhas escritas de certa, rigorosa, esguia caligrafia. Cartas?! Parecia, se alguém o visse. O largo e mais o ar azulado de quase trovejar ficou coberto daquele arco íris de papel. Lá no bem no fundo as casas desviam-se de alguém que olhasse. Ela, sentada, abriu o casaco botão a botão. Um, dois, três, quatro, cinco, seis. Sete botões dourados verdes de zinabre. Ergueu-se. Uma de cada aba do casaco em cada mão. Diria, quem visse, que parecia ela com duas asas. O vento batia forte os seios desnudos. Os pelos púbicos, muito negros, tremiam de arrepio no roçagar do ar sobre eles. Os pés calçados de chinelas pretas de um verniz quebrado, deslocaram-se no amarelado da terra. Um passo. Dois, três, quatro, cinco. Cinco passos em linha recta. Parou certeira na grade pendurada sobre o de lá embaixo onde havia o rio e as casas e a ponte.
Os papéis voavam.
Diz quem por lá passou, assim de por acaso, que no banco do meio nunca mais viu alguém sentado.


hoje, 5 de Fevereiro de 2012, encontrei o largo onde se podia ter passado esta tempestade

terça-feira, 30 de novembro de 2004

pequeno almoço


Era o meio-dia. Era o fim da manhã. Era domingo. Chuviscava. Era na capital. Era na grande cidade. E era num Bairro. Todas as cidades grandes são somatórias de bairros! Não?! Esta sim! Falta pouco e será um somatório de casas. Era domingo num bairro de uma grande cidade - não assim tão capital, nem assim tão grande, nem assim tão bairro. Era uma avenida. Era mais assim uma rua antiga que cortava, há muitos, muitos anos, um bairro de um outro bairro. A capital, ali, era duas partes dentro de uma. Era dia de descanso. Chovia na cidade grande. Os carros chapinhavam nas poças. O alcatrão colado sobre o velho empedrado deixava, aqui e além, com o passar dos andantes, estas coisas arredondadas, mostrando por debaixo pedras aquadranguladas que noutros idos tempos sentiram, em si, rodados diversos e foram afagadas por lisas ferraduras. Digo eu que conto e não vi senão os salpicos que faziam os carros de dentro da água chovida dentro dos referidos buracos.
Era, pois, domingo dia de descanso numa rua que dividia, naquele sítio, a cidade em duas – um bairro a poente e outro a nascente. E chovia. Na rua passavam carros. Era, do lado da rua em que eu estava, o bairro de ruas estreitas que assomavam em goelas direitas de casario envelhecido. Ruas lisas. Ruas que, espreitadas, pareciam um retrato de janelas enfileiradas resguardadas umas das outras dirigindo-se todas a um ponto de fuga. Eram ruas de casas com janelas floridas. Era roupa pendurada parecendo gente que assomava.
Assim, na grande rua atravessada por carros e com buracos onde havia água de chuva, espreitavam uma série de outras ruas todas fugindo, quase se unindo lá num ponto ao longe, que não se via, se adivinhava apenas, fugindo todas para um rio ao fundo. Era um rio o que aparecia, aqui e além, como se fosse um lugar de debruçar das ruas e das casas todas. Era uma cidade nem por isso assim tão grande, mas capital, e tinha, ali, no local onde me encontrava, um bairro cujas ruas espreitavam de um lado sobre a rua onde passavam carros chapinhando nos buracos da chuva, e do outro lado, parecia, que cada rua se acabava, toda e cada uma, dentro de água, penso eu que vi e conto, de um rio ao fundo.
Era na rua essa grande que, numa esquina, e daí ser meio da rua meio do bairro, havia uma padaria. Pois! Eu sei, eu que vi e conto, que padaria não é de conto. Sim. Mas esta era uma padaria especial. Era uma padaria da cidade grande e do bairro. E isto faz uma diferença tal que nem eu, que conto, pensava o quanto é diferente ser, ao mesmo tempo, padaria de cidade grande numa rua central e de um bairro com roupa e flores de vaso e até limoeiros, soltados nas janelas. Era mais. Era a padaria uma casa antiga e, como calhava bem naquela zona, de tectos altos toda decorada com vistosos retorcidos doirados e rococós de medalhões entrecruzados nos ditos. Era uma padaria que servia pão que ali mesmo fazia e vinha para boca da gente ainda quente. Era uma padaria que servia, a um tempo, pão para transportar e nas mesas, colocadas em local onde antes, digo eu que agora invento pois não sei da sua história, se formavam filas de raparigas do bairro e outras senhoras e suas raparigas, de então ditas criadas, esperando o pão. Era, devia ter sido, penso, um espaço de conversas animadas. Isso não sei de ter visto nem sequer lido ou ouvido - imagino.
Era, assim, uma padaria o espaço onde, em manhã de domingo, dia de descanso e de chuva, duas coisas juntas apenas de acaso, que eu tomava, lenta, o pequeno-almoço tarde como convinha em manhã de domingo. Era na padaria que, olhando (este vício de olhar em volta e ver que me ficou de não sei onde nos genes) eu via os casais novinhos com um dois filhos bem trajados; aquela rapariga magra de roupa que já tivera cor e uma cara que não tinha idade, agarradas as duas mãos no copo do galão, os olhos enfiados num de dentro vazio (assim me pareceu); o casal de meia-idade esguio e com os corpos enfarpelados em caros trajares entrando na porta verde de vidraças eu não disse? era uma porta enorme e havia outras em recantos de mesas enquadradas nas grossas paredes; a um canto um rapaz lia o jornal com ar de quem esperava alguém, um descentrado olhar que o fazia ter, para mim que o via, esse ar, digo eu mas sem certeza. Era assim uma padaria e um dito de café como por cá gostamos de dizer.
Era aqui que, na mesa ao lado daquela de onde eu via, olhava enquanto comia e bebia, se veio sentar uma senhora. No cabelo muito liso, muito ralo e muito branco, salteavam uns ganchos. O casaco de um xadrez coçado a preto e branco quadrava sobre uma blusa de malha multicolor coçada como a saia de viés de cor indefinida, usada. No rosto, a pele era lisa, branca por debaixo de um mar de lindas rugas sobre as quais refulgiram, olhando-me, um par de olhos semi escondidos por detrás de umas lentes de algumas, poucas, as suficientes, creio, dioptrias. Era assim, descrita agora por mim que a vi, a vizinha que, também ela, me olhava. Era uma senhora sim! Era do bairro, dizia: “ a senhora sabe?! já aqui venho há mais de quarenta anos!”. Não eu não sabia e ouvia parando, toda eu ali na padaria, a minha vida, ouvindo a dela se contando. Era mãe de um filho que sofria “sabe a senhora que ele teve, fumava muito, um enfarte! Aqui deviam abrir uma nesga da porta para sair este ar a tabaco! Sabe?! Não que a mim me incomode, mas há crianças e há quem se incomode e nada diga. A senhora sabe?! Não! não apague o seu cigarro! Eu digo por dizer! Gosto de falar! Venho aqui só ao domingo, sabe?! Moro aqui na rua ao lado, no bairro. Nasci aqui. Que idade me dá?!” Era uma senhora do bairro. Era uma mulher da padaria. Era uma mulher daquela rua que descia para longe e tinha flores e roupa dependurada nas janelas e ao fundo tinha, de um lado o rio, e de outro, a rua onde a cidade dividia o bairro dela do bairro do outro lado. “Sabe, minha senhora eu tenho mais do que isso, muito mais, mas não pareço, não! “ Era uma mulher de quase oitenta anos e sorria da vida que fazia parecer ser outra a sua real idade. “ Olhe, veja aqui!” Era uma mulher que abria uma carteira engordada de enchimentos vários entre elas muitas fotografias de um nada ali espalhadas e colocadas da dela na minha comovida mão. Era um dedo, o dela, que apontava e a boca, ainda de lábios carnudos, que dizia:”este é o filho que falei. Desempregado. Mora por cima de mim. O outro, vê?! são tão diferentes, não?! um louro o outro tem assim um ar aciganado” Era ela quem dizia dos dois filhos sorrindo embevecida. No meu de tentar sair que espreitava na tal de porta de entrada e saída, o meu marido, ela sorriu e disse, uma vaga onda de água transparecendo por debaixo das lentes: “Sabe?! fiquei viúva deste, um lindo homem o meu marido! há quarenta anos!” Era viúva a senhora do bairro, ocasional vizinha da mesa ao lado da minha numa manhã de domingo na padaria que era também café de diversas gentes. E, acrescentou, enquanto eu já me levantava desejando, apesar, de ficar mais à palavra: “a solidão custa muito, minha senhora! Custa muito! Sobretudo à noite! A solidão é muito, muito pesada! Gosto de aqui vir. Ao domingo, só ao domingo! Venho sempre!
Saí para a rua deixando, espero, desejava, a minha mão assente num carinho sobre aquele ombro sob o casaco de xadrez usado.
Saí e fiquei pensando que a solidão é muito, mas muito mais, do que estar sozinho.

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

PARABÉNS MINHA LINDA!!!


Hoje este meu espaço é todo todinho para dizer do coração sentido
e com um abraço do tamanho do que o real e virtual em união se fazem
um mundo de emoção e vida
que desejo PARABÉNS
e dizendo nele transporto para o lado de onde ela se encontra
o desejo de toda a FELICIDADE prara esta
MULHER INCONFORMADA
que hoje completa
ela o diz de modo lindo
44 PRIMAVERAS !
PARABÉNS! e um monte de beijinhos, Linda!

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

contradição?!!!

    porque será que pode num nadica de nada a gente ficar assim despedaçada?
    porquê este estar feliz pela manhã e de repente sem que sequer mude esse sentir de se estar por outro tão contente, se escorre de frio, uma termura, um mal estar dorido como se todo o Universo se concentrasse todo frio e quente e a evoluir num turbilhão dolente, deixando lágrimas a correr por fora e um mar de lava entupindo dentro? o que será afinal estar contente? nao é tristeza, nem dor...é isso tudo e uma vontade moribunda a rodar aqui dentro...é o corpo a pedir descanso e é a alma a soluçar por nós...a rogar-nos que por favor a cuidem que ela não aguente mais o que somos nós! e que fazer de mim se sinto que não lhe sei dar mais e que inda por cima lhe minto nesta insistente permenência de rir e rir quando estou a carpir?! e, no entanto, afirmo, eu estou feliz por outra muita gente! eu não vos minto quando afirmo que hoje estou de facto feliz, contente!!mas...talvez ande dividida em duas...talvez esteja há muito feita em cacos e ande de gatas a colá-los e de repente é aquele...aquele pequininino...o que se perdeu de mim e faz toda a diferença entre o ser todo, mesmo colado, e aquele buraquinho, uma fissura que dá, em alturas devidas, toda a forma ao vaso! será?! o que sei é que há por aqui muita racha que faz que o vaso de que me comparo de ser, fique sem jeito ou graça apenas porque alguma coisa se perdeu e eu...eu não sei achar!

Amigo/s

Hoje eu hoje estou Feliz!
assim uma coisa calma um escorrer de leve uma alegria doutro derramada em mim!
Eu estou feliz sinceramente! e sei que não é de mim que isto me vem!
por isso sinto-me assim tão bem! Ele está feliz!!! entendem ?! Ele está tão Feliz!!! e eu ...ai eu...sinto-me tão Bem!!!

Fui buscar, por isso, uma coisinha que considero querida escrita era eu uma menina. Publiquei um dia no início quase deste andar por blog! deixo aqui...
Ofereço-vos de novo com esta Alegria aos Amigos todos!


    Amigo!
    apetece gritar ao mundo
    ir por aí dizer a toda a gente
    Dizer que não é tarde
    que vale a pena espear
    amar e crer
    sorrir e no sorriso dar-se
    A hora sempre chega!
    E, então..
    o ribombar da tempestade
    é doce sol nascendo
    luz filtrando-se nos bagos da chuva
    o sol, o firmamento
    as terras, os mares
    o trinado dos pássaros
    o coaxar das rãs
    o rugido das feras
    o rumorejar do vento nos sobreiros
    a calma do sorriso
    o soluço no choro
    é vida...vida!
    A alma volteia em passos de dança
    loucos, muito loucos.
    Vestiste-a de brancos folhos, Amigo!
    e ela rodopia
    dança, dança, dança...
    escorrega aqui, mas logo retoma
    na mais louca das danças
    ao ritmo voluptuoso da Alegria pura!
    Ouve, Amigo,
    Ouve!
    És tu quem colocou na pauta
    o dó , o ré, o mi...
    as notas todas!
    És tu, Amigo quem conduz a minha alma
    quem doira de luz o salão
    onde ela rodopia!


    Debruçado nos prados, nos vales, nas montanhas
    nos ribeiros, nas fontes
    na vastidão do mar
    na imensidão do espaço...
    és tu... Amigo...

    quinta-feira, 25 de novembro de 2004

    que dia é hoje?!!!

    Hoje ...
    Trocam-se-me as datas todas
    Revolteiam-se números
    Enrolam-se intricados nós
    Apertam-se imprecisas cadeias
    Hoje...
    eu tenho a alma...
    nem sei... está ela aqui ainda
    ou se voou de mim
    deste sentir de ferida
    carne viva de Vida
    Hoje...
    Gritam por aí cantares
    Oiço rufar tambores
    vozes de multidão
    megafones troando
    na rua
    bandeiras desfraldadas
    Soam ecos surdos
    Ecoam
    Longe
    Mal se ouvem
    (escutem...ouvem?)
    O calendário voou...agora
    folha a folha
    desabriu pela janela
    revolteou no céu
    (O céu ainda azul)
    eu nesta confusão
    de não saber dos números
    (a quantos são?!)
    Novembro...em eco oiço
    doendo como antes
    A jarra de cristal
    e a panela de barro
    estão ali em cacos
    E os panos...
    bandeiras descoloridas
    Vermelho só o sangue...
    ... ainda corre quente
    Hoje...
    relembro...
    havia um mês de Abril
    depois um de Novembro...
    ...é impreciso...
    é tudo muito longe...

    (Que dia é hoje...então?! )


    terça-feira, 23 de novembro de 2004

    saudades

    Tenho saudades hoje
    De coisas simples

    Um bocado de corda pra saltar
    Dois berlindes
    Um aro de bicicleta e um ferro
    Um carro de linhas, sabão, elástico
    Um prego grande
    Uma meia velha cheia de trapos
    Um grão de bico um pedacinho de tecido
    Um biscoito frito
    O doce na côdea humedecida na boca
    Uma fita vermelha no pescoço

    Hoje tenho saudades dessas e outras
    Simples...simples coisas

    Um cabelo entrançado em duas
    Um bibe branco... a mala de cartão
    O cheiro de borracha e tinta
    O quadro de artista plástico
    num mataborrão
    e no papel dobrado em dois
    as formas fabulosas dum borrão

    Hoje as saudades crescem-me
    Saudades de coisas simples
    As coisas, afinal, que me deste...vida

    O cheiro que a terra tinha então
    O sabor diferente em cada fruta
    Joelhos esfolados lambidos a cuspo
    A cópia rigorosa de caligrafia
    A caneta de aparo
    O tinteiro de loiça no buraco
    O beijo trocado no banco do quintal
    A cama de ferro de lençóis de linho
    A palha solta do colchão riscado
    Aquela tarde que não acabava
    O verde mais verde que havia num prado

    Hoje, nem eu sei...
    Ficou-me uma saudade...

    Do mar que era de cheiro intenso
    Das covas na areia até ficar tapado
    A bicicleta com dois, três e quatro
    E a lama...a terra suja no vestido
    E o vento molhando de maresia
    E a chuva trespassando a alma
    E os rios que corriam devagar
    Os rios sempre quase parados

    Hoje se continuo assim escrevendo
    Hoje rebento de saudades

    Hoje tu partiste
    Foste de mansinho...
    Sorrindo... acho...
    Partiste agarrado à Vida
    E eu fico falando assim
    Destas saudades



    a tua praia

    domingo, 21 de novembro de 2004

    Beijos...mãe!

    Li no Biquinha poemas sobre o beijo

    e me lembrei
    mãe

    aquele que escreveste...BEIJOS
    tu, Senhora de Poemas...

    Lembras?!
    (nunca me dei de t'ouvir senão já bem crescida...
    que me me perdoas, sei...mas dói de mim
    este ter desatentado tanto no teu escrever
    Tu sabes, mãe!)

    Aqui um teu poema!
    Vão gostar de te ler!


    Os meus beijinhos são brancos!
    Escolhi a cor da Paz!
    Mas todos...se forem francos...
    de qualquer cor...tanto faz!

    Sendo beijos amarelos
    eles terão outro sabor...
    mas também podem ser belos
    quando dados com Amor!

    Beijo azul é ciumento?!
    Só o sabe quem o deu!
    Dado com sentimento
    nos fará subir ao Céu!

    Vermelhos são suculentos
    Saborosos com'a romã!
    despertam-nos sentimentos
    São assim...um talismã!

    De cor de rosa os beijinhos
    são o Amor...são a Ternura!
    Transmissores de carinhos...
    pois que dados com doçura!

    São os beijos mais bonitos
    os que os filhos nos dão!
    São belos! são infinitos!
    Gravam-se no coração!

    Parecidos...quase iguais...
    Ternurentos...amistosos
    dados aos filhos pelos pais
    com carinho e amorosos.


    Ai! Beijos! Beijos fogosos
    Cheios de outros sabores !!
    Apaixonados...amorosos...
    São rubros...cheios de cores !!
    São beijos cativantes
    quando eles são trocados
    pelas bocas dos amantes...
    Com ternura! com ardor!
    Plenos de sinceridade
    nas suas juras de Amor...

    Beijos dão Felicidade!


    Mãe em 1 de Fevereiro de 1992

    quinta-feira, 18 de novembro de 2004

    caminho/s

    Uma estrada. Não. Um caminho. Uma vereda de areia. Em cada margem. Berma. Em cada berma pinheiros. Mansos. Pinheiros mansos.Redondos. Negros. Cerrados. Apertadas as copas. Copas baixas. Pinheiros novos. Não verdes. Negros. A noite caia. Sulcos de rodado na areia. Um carro. Ela guiava. Conduzido um carro rodava na vereda. De noite. Quase noite. Ainda se via. Pouco. Via o rubro do sol. Sol já posto. Era visto à esquerda. À esquerda da vereda de areia o sol já se tinha posto enquanto ela conduzia um carro escuro de uma marca antiga. Um carro grande. O carro rolava muito devagar. Olhássemos de longe nem tanto dali de uns metros e o carro se diria parado. Ela conduzia agarrada ao volante. Um volante grande. Redondo e de diâmetro grande. A cara dela encimava o volante. O queixo encostava. Encostava quase. Apenas o tanto para deixar rodar. Que nada. O volante ía parado. O volante não rodava. Era caminho estreito. Era caminho de areia. E era a direito. Em recta. Ela não sabia onde ía. Ía. O queixo apoiado no volante. Via ao fundo o areal de sulcos. Outros carros de antes. Antes do dela este. Passou um de repente. O carro estacou. Pisou travão nem mais que ao de leve. Precisava ver. O caminho andava em frente. Ainda se via areia até uns metros. Em frente. Depois era escuro. Desaparecia ali quase logo o caminho em frente. Parada para ver dois caminhos. Um de esquerda dela. Outro de sua direita. Dois caminhos abertos de repente no corpo do caminho que era antes um. Onde ía ela não sabia. Sim. Tanto fazia o qual tomar. Pensou no mar. Olhou um rubro em negro ali . Devia ser. Sol posto sobre o mar. Rodou. O caminho outro acabava. Logo ficava mato. Não percebia. Agora era mesmo já escuro. Era noite. Pensou onde ía. Não lhe deu a ela resposta. Abriu a porta. Porta pesada. Grande. Saiu. Espantou. Uma casa. Uma falésia. O caminho. Aquele sobre uma falésia. O outro não sabia. Fora naquele pelo pensar de mar que havia no onde se pusera o sol. O outro nem pensava. Pisava coisa mole. Chorões. Mar se havia estava ainda longe. Mas ouvia um som vrum vrum e era logo ali. Um sono. Assim um torpor de digo eu que conto. Talvez de receio. Talvez de indecisão. Ela sabia. Foi um arrepio de pensar cair. Não. Não sabia onde ou porque ía. Mas cair da arriba. Não. Isso sabia. Não queria. Rodeou o mato. Olhou. Flores. Jardim pensou. Mato plantado. Sorriu deste pensar. Uma porta aberta e de dentro luz. Uma luz fraquinha. Espirrou. Um despropósito. Um calhou. Alguém ouviu. Alguém andou. De onde estava cosendo bordando não sabia ela nada do de lá de dentro. Entrou. Pareceu que deslizou. Estranhou. Casa grande. Sala de tudo e outra mulher sentada. Não houve de dizer. Ela deslizou. Pensou que estranho nada me falarem. Mas andou viu mexeu. Parou na janela ao fundo. Um vidro só. Uma parede só vidro. Pensou que lindo! Espreitou do negro o que via do lado de lá do vidro. Um branco remexido. Lá ao fundo. Em baixo. Do lado de lá do vidro. O mar. Pensou que bom e virou. Olhou as duas. Três mulheres na sala. Palavra nem uma. Nada. Disseram-lhe que dormisse sem lhe dizerem nada. Disseram-lhe que ficasse. Sem nem uma palavra. Sorrir ela sorriu. Sorriso viu. Não. A mulher levantada era sisuda. Loura. Alta. Magra. A outra sempre a cara baixa. Sentada. Lia. Bordava. Ela nem percebeu. A loura alta sisuda parou de frente nela. Uma chave pegada na mão. Não. Sentiu um arrepio. Um arrepio diferente. Este não era frio. Sabia. Era um quase medo. A porta abria. Não havia nada. Uma luz tão forte. Não era dia. Isso ela sabia.

    Acordou. O sol batia em cheio na cara. O cão ladrava. Abriu os olhos devagar. A gata ergueu um em arco de cauda alçada. Piscou. Afagou a gata. Saltou da cama. Que raio de sonho estranho. Pensou. Como é que o carro andava? Que raio de casa! Bolas deixa-me ir ver as horas. Meio dia! Nunca lhe acontecia. Sorriu e levantou. E ele? Ah! Saira já. Voltava a almoçar. Descansa. Está tudo feito. Debaixo do chuveiro morno inda cantou.

    segunda-feira, 15 de novembro de 2004

    voltas...

    Acordado. Olhar vago. Alma pesada? Um fardo?
    Dormir. Descansar? Não sei. Volteios. O sol brilha.
    Digo. “O sol aquece alma”. (aquece?!)
    Dormir. Redondo. Fetal.Revolteado. Retorcem-se olhos. Círculos de redondo.
    Vejo-os. (vejo?!). Oscilantes pálpebras. Cortina ventando. Titilam pestanas.
    Não. Não dormir. Dormir cumprido.
    O sol brilha. Enche de luz em tiras o volume na cama.
    Persianas discretas injectando luz. Um volume . Um dormindo.
    Num mundo outro (será?!).
    Falo de quem? Não sei. Será de mim? De alguém?
    Acordar.
    Quando choverá? A chuva. O olhar brilhando. (será?)
    Falo de mim. De ti. De muitos.
    Espero.
    Chuva. Digo. “Chuva limpa a alma” (limpa?!).
    Acordar.
    Chuva. Sol. (e se nevasse?! e se ventasse?!)
    Ficamos. Acordados. Depois. Novo sono.
    Digo. Talvez neve. Então brincamos. Rimos.
    Depois. Dormimos todos. Abraçamos o sono.
    Olhos cerrados. Sono de justo. Digo.
    Esperamos. (espero?!)
    O teu (o meu?!) olhar brilhando.

    ...e hoje é segunda feira...




    domingo, 14 de novembro de 2004

    mais que nostalgia...mais...

    Estive a ouvir no meu velho vinil
    Ouvi tudo e voltei a ouvir . Aqui deixo a segunda parte do texto que, depois de uma busca Google, retirei daqui Obrigada UNO

    Segunda Parte

    Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe. Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
    Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.
    Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.

    ************************************

    e ainda estive pensando e lendo sobre essa coisa obscura da pobreza e dos pedintes a propósito do texto de hoje da Blueshell

    fica aqui um sinal

    mais aqui e aqui


    sexta-feira, 12 de novembro de 2004

    fuga

    Deixem que perca o sabor de tudo
    Apenas a sensação de boiar
    em cada superfície

    da descida às profundezas
    apenas flutuar
    afogando-me
    na água que um dia verti
    Sem memória
    Sem ouvido
    Sem vista
    Sem tacto
    Sem sentidos

    Sem corpo
    que não o que se precipita
    para mais nada



    (escrito e desenho de finais de 02)

    quinta-feira, 11 de novembro de 2004

    luto

    SILÊNCIO!
    O MUNDO PERDEU UM HOMEM!



    ::::::::::::::::::::::::::::

    AGORA... por favor
    leiam o post anterior!
    sff...
    !!

    quarta-feira, 10 de novembro de 2004

    a cura

    Já o querido Orca o Jorge ali dos 7 mares tinha no dia anterior começado a ver que eu estava a precisar de um aviso qualquer de um apoisito e escrevia assim:
    Fugaz cada momento desta vida
    Fugaz o nascer e o morrer à desfilada
    Fugaz ser feliz
    Fugaz tristeza
    Mas vem de lá grávida a certeza
    De que é também fugaz a madrugada
    Que apaga a fugaz noite
    E faz o dia
    Que por nós passa e repassa sempre à espera
    Que dele se faço
    Por fim
    A Utopia
    mas eu desouvi dele...
    eu insisti na gritaria e postei aquele texto de eufemismo dito momento de alma negra sangrada marafada (olha! onde andou o Ognid?! também pronto na fica linkado!!) que foi de “baixa” o raio do dia!
    E foi-se do negro aliviando com os passinhos de leve
    da MWoman
    Entrei e li em silêncio...nada mais direi. Não há receitas. Um beijo muito grande.
    A sempre doce e discreta
    Wind Estou contigo! beijos:)***
    O amigo filósofo
    Willnow (não era para dizer nada, como o pedido). Que adiantam (mais) palavras? Como traduzir um sentimento? Li o poema e sei. Isso me basta (que o único destino é partir!).
    Mas a festa inda (perdoem!) estava negra os altares tapados...taipados mesmo digo eu que era o templo aqui na minha zona!
    Vai daí aparece um castiço que do Além se apercebe que por aqui andava alminha em desassossego e o
    Porquinho da Índia amigo Bertus obedece à ordem de nada dizer e desata a escrever a escrever .... assim:
    ....calado que nem um túmulo (brrrr có horror!) eis como aqui hoje me posiciono: hirto, quedo e mudo -que escrever não é falar e sei que te agrada ler as bacorices que debito (não sou nada vaidoso...) e acho que estás em grande estilo com o teu poema pois que pelo tamanho ( e pela qualidade!) dava para uma ópera; se quiseres posso fazer os cenários e ainda contratar um barítono e uma diva (atenção que não escrevi divã)e a orquestra ficava por tua conta. É só dizeres que tenho conhecimentos no meio (é no meio que reside a virtude...) e até eu próprio dou uns lamirés no belo canto. Entrei uma vez no Barbeiro de Sevilha; interpretava o
    pincel...da barba.Que tudo te continue a correr de feição -ou de maré-, que os ventos e oa mares estão propícios à navegação. Já mandei "notícias do além". Beijinhos e intés!!
    Lá mais para a tardinha, creio, aparece, coisa rara, que me fez pensar que isto devia andar mesmo muito sentido e ou então o escrito era tomado por belo escrito da alma bem sentido, isto para dizer que aparece naquele silêncio em cores de aguarelas o poeta das cores o querido Almaro....vinha ele, assim o entendi, despido das coloridas e silenciosas cores com que veste as palavras e escreveu uma coisa em que, já vão ver, além de Colibri eu sou, para ele, Gato em Cão e ando por aqui a deixar de mim pegadas no meu próprio chão. Mas, claro, sempre tudo dito com acerto... eu é que me deu pra rir (mal feito!!)
    mas foi de ver um bichinho tão simpático quanto este...
    Deu-me tanto pra rir
    (já começara tá visto com o Porquito mas isso é trivial é de esperar!)
    fiquei daquela negritude, ao menos por hoje... curada!
    atão ele até achou (tão mal que eu estava!!!) e ele a achar-me engraçada!!!
    Pois...é isso...ou ria, como fiz, ou ficava amuada. Deu-me para rir...olha fiquei curada!
    Delícia pura aqui fica o que escreveu o Almaro:
    Ás vezes imagino-te na praia, na areia, a tatuar os teus passos. É uma fantasia. Minha, porque te sinto sempre a voar nos silêncios, nos teus e nos nossos.
    És um colibri engraçado que se esconde curioso a espreitar o “des / ser”.
    Será do gato em que te passeias no cão?
    Não sei, nem tenho que saber. Mas hoje vi-te desenhar as tuas próprias pegadas, no teu próprio chão.
    Ilusão?
    Acho que não!
    Estás engraçada, hoje, assim, pregada no Teu chão…

    A todos do coração muito obrigada!!!

    momento


    partir para uma viagem
    sem sem som e sem sentido
    simplesmente nem ir
    des/ser de mim
    vaguear por aí
    sem fusos sem sequer tempo
    sem gente
    sem sem sem sem
    desouvir o que tanto oiço
    rebentar as correias
    retirar o cabresto (o de mim)
    abrir os braços
    apanhar a chuva
    (e não cegar de sol!)
    partir aos tropeções
    picar-me nos ramos
    numa floresta escura
    (desver o sol em cima!)
    cair numa cratera
    num buraco
    (cilada para fera!)
    desarrumar os livros
    partir todos os discos
    riscar as folhas todas
    (riscos riscos riscos!)
    amarrotar tudo regar a gasolina
    (depois ficar olhando o fogo!)
    partir de mim pra loooonge
    e nem sequer partir
    ficar aqui quietinha
    no fofo da cadeira
    olhando o crepitar do fogo na lareira
    des/sentir esta dor que fica de pensar
    desatar este nó que fica de sentir
    deslassar tudo em mim
    devagar sem tempo sem horas
    ficar mole a parda
    parada
    não ter que responder
    (porque sou perguntada?!)
    deixem-me só sofrer
    assim apenas assim sem ser por nada
    (porra!!já nem se pode estar simplesmente cansada)
    cansada sem razão sem motivo aparente
    cansada de si mesmo e no entanto querendo
    apenas e tão só estar consigo mesmo
    assim sossegada sem mais nenhum motivo
    que seja o de estar descansada
    Porra!! Sempre ter que responder!!
    Caramba!! sempre ser comparada
    consigo mesma...e ter FORÇA!
    Que puta de palavra!!
    Força força que nada!!
    A quem me ouvir...
    Por favor!!! Por favor!!!
    Não me diga NADA!!
    Sobretudo não diga espera que isso passa
    ou que tenha força
    ou que grande depressão
    (caramba!!! tanto chavão!!)
    digam se aprouver disso
    que ouviram só!! e estão comigo!
    Mais nada!
    O resto o resto é cá comigo!!
    E desde já vos digo de coração
    OBRIGADA!!!



    terça-feira, 9 de novembro de 2004

    a uma Amiga

    o/um desespero de mim hoje se aconchegou
    negro brutal irracional
    de ti me fiquei pensando
    e quase em oração te reli
    (nas tuas buscas...sabes que te entendo...)
    também esta oraçãoé para/por ti


    Eu sei só tu , Vida, és minha resolução
    No que em mim é irresolúvel
    Neste ponto sem retorno,
    Sem saber mais como existir
    Neste faz de conta de vida.
    Não me deixes mais
    Aqui neste espaço-tempo
    Presa e livre sem solução
    Nesta imitação sufocante de Ti,
    Na vaidade e crueldade de não sermos
    Negando a beleza que somos,
    Que mais não consigo aguentar.
    Deixa-me ser só minha parte
    Da água dos rios , do mar
    E da foz em que todas se vão misturar.
    Minha parte do ar
    Onde os pássaros vão migrar.
    Minha parte
    Da fluidez da lava.
    Minha parte da seiva das árvores
    Da beleza das flores
    E do alimento dos frutos .
    Minha parte do riso
    De criança de braços abertos ao Sol.




    (Escrito de uma Amiga ...
    parte final de um extenso texto a que ela chamou
    Ponto sem retorno )




    domingo, 7 de novembro de 2004

    Ao raio dos servidores!!!!!!

    A essas entidades enigmáticas tão escondides de face quanto nós, mas de alma se a escondem sei eu lá bem se é porque a perderam nas ondas deste espaço imenso de redes e de, sobretudo, me parece, de interesses. Se estas entidades fossem homens mulheres e se tivessem estes espaços imensos para servir de comunicar entre eles seja ciência, arte, apenas um trocar de palavras...se eles percebessem que já não é o tempo de esperar o carteiro mas agora o tempo é de estar em cada instante (isso! o tempo é o instante!) e que o que há para dizer tem que ser dito nesse momento perene que eles, os tais senhores gerem ... palavra digna deles(?!) servidores do nada que esta apalavra servir, meus senhores, também a desconhecem de significado e alma! Se vocês precisassem de escrever apenas, por exemplo isto: "São as que não escrevendo evoco." e a seguir dizer de quem o escreveu:" olha que bom terem as tuas iguais às minhas sido palavras importantes perdidas as que não foram escritas " e a seguir: "MJM vai ver as minhas letras no post que está referenciado em conflitos... leste... viste?!"
    Assim coisas de nada !
    mas...senhores! em vez "disto" podia ser coisa de salvar uma alma ou uma vida se fosse palavra de dizer o como tal fazer!
    cuidem deste espaço, senhores! não façam dele o que fazem do resto da vida! deixem correr a nova era em vez de andarem a perder-vos em chalaças e tentar saber mais uma vez quem tem mais frequência, mais linha mais ...massa!!
    abram um blog
    criem uma página
    façam o que raio vos aprouver...
    peçam uma taxa se é isso que querem!
    mas...
    mas cum raio deixem que a gente comunique SEMPRE que nos der na gana!!!

    sábado, 6 de novembro de 2004

    conflito


    pensem pensem só
    imaginem
    ainda mais
    sintam

    pedradas de palavras
    rebentam baralhadas
    informes disformes
    entrelaços
    pedaços
    palavras desfeitas em letras
    desarrumadas
    borradas de cores
    palavras desfonadas
    zunem revoadas
    toneladas de escória
    lava esfriada
    zunem
    doem
    desarrumadas
    palavras que não dizem
    nunca disseram
    palavras esfriadas
    cansadas

    palavras desfaladas



    minhas as palavras um dia

    hoje de novo
    palavras desditas

    as palavras dominam



    quinta-feira, 4 de novembro de 2004

    re/Composição

    Aproximou-se. Um nadica só. Correram na direcção certa os dois olhos. Fechou um. O outro deixou-o apontado. Atingia, assim, mesmo no ponto certo. Lá onde queria ver o que via.

    O que a ela mesmo mesmo lhe apetecia era gritar. gritar que a deixassem só. mais só do que aquele só que era todo estar todo companhia. aquele só que tanto lhe pedia. Gritar que a deixassem. não um dia. dois. uma semana. Gritar que a deixassem sempre. Que não lhe precisassem. Ou. se o sim. lho não pedissem. Que deslembrassem assim como em desastre que se diz amnésico. ficarem todos despensados dela. Gritar que não estava. encerrara. não para obras balanço remodelação. Não. não estava simplesmente. deixara um bilhete ou nem tal e partira. melhor seria assim - eles desconheciam dela que existia. Nem partida. Nem bilhete. Desconhecimento. Um atrás de tempo .Gritar neste momento era tão só o que lhe apetecia. Mas gritar não resolvia. Fingia. Fingia que via. Olhava.Uma luz. Que nada! O que via era o que supunha ver. No ponto em que assestara o olho só estava uma casa e dentro dela sentada na janela uma menina. Vestia um bibe. Em cada ombro do bibe ela vestia um folho. Ou era asa?

    Chegou-se mais. O muro de cal amparou-lhe o corpo. Sentiu-lhe o frio. Sentiu mais. Sentiu o limite ali da aproximação. O muro limitava. O muro empurrava. Encostava e de resposta levava um empurrão. Era assim como se o muro estivesse a dizer daqui para baixo não.

    Era! ela estava assim. apertada entre um muro e o resto. Mais. Ela estava numa caixa. Não. Não era uma caixa grande. Muito menos era uma caixa fechada. Nem. Nem de madeira ou metal ou material duro resistente ao abrir. Resistente ao sair de dentro que quer que fosse que lá estivesse. Não. Não caixa onde estava... entalada... dobrada. Essa era simples. Mole. cartão. nem isso. papelão. Entalada. nela estava. Sentia assim como se...se estivesse. Sabia que não estava. Pensava até. Que tinha as peças desencaixadas. Que, a sair, teria que se reconstruir. Um braço aqui, ali um dedo. .É. Se não se cuidasse, a ser assim, inda ficava o médio na ponta onde devia o mindinho estar. Devia ser lindo! É. Via. Só. Plena de vontade de gritar. Isso. Inda assim sorria só de se assim pensar...um mindinho no meio e nas pontas um médio e um polegar.

    O olho dela entretanto olhava. E via a menina que estava. Sentada no parapeito da janela. Muito lá longe. Tanto que só com a ver de um olho lhe alcançava. Por isso passou a mão em cima. Tapou o outro. Agora via. Via mesmo bem.

    Curioso! destas coisas que a vida tem! depois de tanto olhar com aquele olho que só queria ver e não gritar... gritar era ela que queria.
    Depois do olho e do muro e da menina e do bibe...
    Curioso...passou-lhe aquele apetecer de ir. Aquele querer que lhe esquecessem.
    Até arrepiou de horror um nadica. Um pouco só.
    Afinal estava apenas a olhar ao longe.


    Lá muito muito tanto de longe estava a menina.
    Agora sorria. Olhava. Via. Sorria... em vez de gritar...
    E...curiosa vida.
    Um choro levezinho suave quase doce escorreu...
    Teimoso do choro escorreu daquele e também do outro olho.
    Limpou na saia a mão molhada e ficou olhando a paisagem. Com um e também com o outro olho. Olhou com os dois olhos. Depois...sentou no muro a perna. Uma só.
    Mais não precisava. E ficou pensando.

    Curioso! agora sabia que pensava.
    Pois. Pensou que iria... e depois viria... e seria sempre bom ir e vir.
    Sempre saber que voltava.


    Lá muito longe a luz que vestia de bibe a menina na janela da casa...
    sumira devagar.

    Ela nem dera por nada.



    segunda-feira, 1 de novembro de 2004

    Sorvete


    Os cabelos redondos. Uma negrura de pele. Redonda a anca. Um por detrás redondo. Rolava pé descalço. Rolava! que não anda quem assim andava. Por detrás do assentar do pé, ficava um chão pisado. Igual?! vocês o pensam! Pois desigual vos digo eu que é! O chão que ela pisava rolava de um pé a outro pé. Nem ela era que andava! disse. Sim! Era o chão que rolava por debaixo do pé. Negrinha toda. Não. Minto. Rosada a língua aparecendo no lamber calado do sorvete. Sorvete castanhinho que nem ela. Um chocolate lambido de rosa. Rosa também o dela no debaixo da mão. Debaixo era de cima e um par. Isso era mesmo. Quando aparava água de chover pingo de céu. Rosado sim! olhando para cima, ficava o em devolta do negro muito preto do olhar. Redondo. Um negro em fundo rosa redondo! a olhar. Agora. Ali. Rolando o chão no que se diz de andar. Ela. Passando língua rosa em chocolate mole. O calor do sol. Redondo o sol. Desmantelado o doce chocolate do calor duplicado. O sol e a língua rosa. Luta desigual. Cai pingo na blusa. Cai pingo junto do céu. Cai o que se diz de chuva. É. O pingo redondo no lá em cima da nuvem. Caindo engelha. Estica. Fica forma tal de pingo de chuva. Cai. Arredonda em cima da blusa. Ela pára. Desvolteia o chão de terra no em redor do pé. Olhem! Por debaixo do negro (o pé) rosa/amarelado. Rosa por de dentro e por debaixo. E ela...toda ela chocolate. Negrinha. Parada olhando. Um olhar redondo. Vendo. A boca aberta suja de sorvete. Olhem! Rosada de rosa quente até mesmo ao lá de dentro.
    Negra.
    Negrinha tola olhando a chuva e perdendo sorvete.
    imagem adaptada d'aqui

    adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

    desafio dos escritores

    desafio dos escritores
    meu honroso quarto lugar

    ABRIL DE 2008

    ABRIL DE 2008
    meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

    Abril de 2009

    Abril de 2009
    ai meu Abril, meu Abril...

    dizia ele

    "Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
    Einstein