domingo, 27 de fevereiro de 2005

foto

se as visses hoje
se olhasses o céu de chuva em fundo
se caminhasses rindo ali comigo
se me desses a mão amigo
se olhasses as flores de amendoeira
as flores já fugindo sob o verde
afagando-te o cabelo sujo e pardo
se estivesses aqui olhando as flores...
mas de ti ficou-me este desenho d’arte
foto em cinzento como o céu de esta tarde

Víamos-te, certo
na esquina da cidade grande
eras tu a gente sabia
mas nada de quem eras a gente percebia
Quem eras ?!
Ficaste naquele suspenso gesto do teu Ser,
mas quem serias Tu?!
Inventando escrevi sobre quem?
Sobre Ti?!
Pecado ou Amor que molda em um os muitos
semelhantes todos...naquele tu que vi?!
Enquanto te invento, a pergunta dolorosa fica:
quem eras Tu?
E, sincera, suplico a esse Alguém que ousei reinventar:
Perdoa que te tenha assim feito Ser
Foi por a muitos todos querer amar
Foi por te sentir um tu pleno de um Amor
que poderias dar!



texto sobre a foto aqui

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

travessias


Apetecia-me escrever-lhe. Dizer-lhe.
A perda das certezas. A perda das respostas. A perda do controlo dos aconteceres.
Queria escrever a ela.
Depois dessa perda, a serenidade. Depois, o amainar dos medos...Os corredores labirínticos a transformar-se em ruelas sossegadas. Algumas desembocando em recantos ajardinados. Outras, descendo até margens de regatos de águas transparentes. Os labirintos entrecruzados, cinzentos, húmidos que me faziam imagem de mim, não desexistiram. Eles lá estão. Apenas eu me passeio neles sem olhar receosa a minha sombra ou apressar o passo medrosa. Aprendi a percorrê-los para melhor os conhecer e não para lhes fugir. E até aprendi a gostar dos seus recantos mal iluminados, do cheiro acre de uma valeta sem sol.
Dizer-lhe a ela.
Um dia passei muitos dias em que os dias que vivia eram a soma de esperar. E eu não sabia que sabia fazer isso. Eu não sabia que podia viver apenas esperando algo que não estava na minha mão mudar. Eu não sabia que podia viver os dias sentindo as divisões de cada dia e em cada intervalo de cada parte o dia, nos bocados em que o dia era para ser, a boca amargava-me e eu desexistia.
Imagina!
Imagino eu agora que escrevo sobre o que foi viver dias que nem existiam nas partes em que era para existir, nem existiam nos intervalos dessas partes. E isto era assim, mesmo que eu estivesse no cinema ou sentada numa esplanada com amigos. E isto era assim mesmo que estivesse a ver o mar sentada deixando que as lágrimas enchessem aquela covinha de areia. E isto era assim, mesmo com o Natal a rebentar em alegorias de quadra de ofereceres ou a Primavera a rebentar em cascatas de flores e verdes e sol e luz e águas de Abril. E o isto que era assim era o dia, todos os dias, ser dividido em três partes que não eram a manhã, a tarde e a noite, mas eram outras partes de outro horário, marcado por outro fazer. Eram dias de esperar e dias de ver e dias de contar e dias de saber outras coisas diferentes daquilo que se queria e se desejara saber e nem sequer se importar se para saber isso se deixava de saber outras tantas...muitas coisas. E nesses dias aprendi a desesperar como uma forma de sossegar. Contraditório? Não. Tão apenas sentar o desespero frente a frente para o poder ter não como inimigo, mas como aliado. E os corredores do medo não encurtam nesses dias. E os corredores do desespero não se tornam menos húmidos e escusos. Apenas aprendo a percorrê-los sem receio. Apenas aprendo que vou ver o fundo, mesmo que não saiba quando. A dor é o percorrer desses corredores dos nossos medos. A nossa dor. A dor que sentimos por não poder apaziguar a dor do outro, essa dor apenas o saber esperar a colmata.
Um dia, eu vivi muitos dias divididos em partes que o sol não comandava.

Um dia, depois desses dias, percebi, aprendi que a serenidade advém da aceitação do que a Vida nos dá.
Um dia, depois de conviver com a dor do outro feita minha que mais dor é, um dia desses, depois dos outros, eu percebi a unidade do meu eu com os demais. Noutros, muitos outros, eu continuo vivendo muitos dias em que os dias são a soma de esperar. E muitos outros eus não sabem que sabem fazer isso...que podem viver apenas esperando algo que não está na sua mão transformar...que não sabem que podem viver os dias sentindo as divisões de cada dia e em cada intervalo de cada parte o dia, nos bocados em que o dia era para ser, a boca amarga e cada um dos muitos eus desexiste.

Eu gostava de lhe escrever
e dizer das noites sem manhã e das tardes sem pôr de sol.
Eu gostava de lhe escrever
e dizer que soluçar confunde-se
no cascatear da água na fonte
na chuva caindo no quintal.
Eu queria dizer-lhe
depois desses dias nunca mais aqueles dias
Mas eu gostava de dizer-lhe
do sorrir :
Um sorrir de uma outra Alegria!

Escrito depois de ler a Lique
Obrigada ao
Ognid pela foto carinhosamente ofertada

domingo, 20 de fevereiro de 2005

serenamente


A frescura da flor de amendoeira
a fragilidade e o fruto que a sua singeleza encerra
o sol a esconder-se em religiosa e silenciosa despedida
anuncia o raiar de um dia novo
é isto que deixo hoje
uma mensagem escondida e por isso inda pura


sábado, 19 de fevereiro de 2005

Longa espera


No fim da espera
quando acabar este silêncio
num ruído de alegria
ou num rugir de desesperança,
choverá!
Finalmente...
choverá!
Quando vires chover,
acredita:
é o milagre das lágrimas!
O sol chora,
finalmente!
De uma a outra Primavera,
soltam-se lágrimas!
É o nosso sol a poder libertá-las
num ruído de alegria
ou num rugir de desesperança...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

...que chova

Que a água se desfaça!
Que o suor rompa de cada poro!
Que o corpo escorra deslizando
o ventre em tuas mãos!

Quero engolir a dor e rir do choro
sufocar de odores de maresias
salgar dos limos entre as pedras
ficar ébria de um respirar de leve
entre teus joelhos firmes amarras
ficar perdida em sabor de branco sal
confundindo luz e escuridão
olhar de frente todos os sóis
e mais que ter-te doar-me em ti
solto livre companheiro
caminhante de serranias íngremes
pular todas as constelações
em nossos corpos seduzidos, meigos.

Voltar devagarzinho nos teus beijos...
aplanar a roupa com o riso
deixar correr areia grão a grão
soltar a gratidão no teu sorriso
amar-te serena mão na mão
sorver a chuva no teu rosto
e ficar a olhar, a olhar, a olhar...

a ver-te até ao infinito...

Quero a água da chuva na janela
e entre ela e nós
entre ela e nós... o prazer do corpo!

sábado, 12 de fevereiro de 2005

Zoom

O quente vermelho do sol brilha, indecoroso, dependurado de um céu entre o azul e o plúmbeo. Sopra brisa de norte. Uma frescura que não perpassa o rosto, osso embrulhado de pele ondulada.
Em volta, a terra perdeu há muito qualquer sinal de verde. Montículos de pedras confundem-se com a terra esboroada por pés desnudados num arrastar silencioso, lento.
As árvores são troncos acinzentados, caminhantes em fúnebre cortejo.
Uma sombra paira. O voo baixo de uma águia não refresca o escaldar do sol. A paisagem não se enobrece de vida. A águia poisa no ramo mais alto de uma árvore. Árvore sem copa, sem folhas, sem mais que tronco e raiz. A brisa é morna.
Numa escala diferente de visão, a mesma paisagem. Uma face recoberta de pele seca e pelos hirtos. Um granulado salpicado de montículos castanhos. Tudo seco. Tudo quente. Tudo pardo. Troncos mirrados, arrastam, doridos pés. Nas dobras de pele escorre uma seiva acastanhada.


Olho as fotos que tiramos. Ficaram belíssimas.
Recordo o ermo do local e o acaso de um velho.
Ou era um réptil em vias de ressurgir numa nova pele?
Selecciono as fotos a enviar para a exposição.


Lá fora chove intensamente.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

corpo

Feito de mar, sol
ar e areia,
nele perpassa o desejo
de extase
invade o tremor de cópula
e vagabundeia o pensamento
ao seu sabor.

Tenho-te no segredo de mim,
à espera de poder perder-te,
no sabor de outro corpo




escrito por uma amiga a quem abraço hoje
neste seu de muitos dias!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

as amendoeiras reflorescem

Mesmo que lhe tivessem dito
Mesmo que tivesse visto
Mesmo que tivesse ouvido
Tendo ouvido o que disseram
Tendo visto e ouvido o que julgou ter visto e julgou ter ouvido
Mesmo assim, que ficou realmente a saber sobre o que se passou naquele fim-de-semana?
Mesmo assim, que ficou a saber sobre aquela pessoa?
Depois, passaram-se mais aconteceres
Depois, passaram anos sobre esse fim-de-semana
Passaram outros fins-de-semana e dias de semana e noites de dias de fim-de-semana e ditos úteis
E hoje que fica a saber juntando todos os pedaços vistos, contados, ouvidos?
Hoje, tantos anos depois daquela vez em que mesmo que lhe tivessem dito, mesmo que tivesse visto, mesmo que tivesse ouvido, ficaria, como hoje, sem saber nada sobre o que viu, ouviu, escutou e sobre o que se passou com aquela pessoa.
E hoje numa segunda-feira de um outro Carnaval, volta a tentar entender o que, repetido, presente, quase se diria tão natural como ser de jeito que é cada um diferente de cada qual, sente apesar de tudo e, sobretudo apesar do repetido, igual, constante. Hoje teoriza. Não se distancia. Não pode a dor a esse ponto permitir. Mas afasta-se, isso pode. Olha de um afastado de querer entender. E a teoria leva por estranhos meandros, carreiros do ser, azinhagas, cruzamentos, fluxos de sentir, emoções de.... Não. A teoria não conduz a mais do que um enorme e convulsivo ponto de interrogação empanturrado de porquês, de comos, de quando, de até quando.
Fica, outra segunda-feira de Carnaval, olhando aquele olhar de azul que olha numa dureza de olhar o vulgar e se alonja sereno e meigo em territórios...que territórios serão?!
Não. Ainda não é hoje que consegue. Hoje sabe dizer que não entendeu acontecido... e dizer a dor - não sabe contar... esta não na sabe...
As noites não foram as suas
Os medos não foram seus
Os delírios não os sentiu
Os olhares dos outros não os viu
Nada se passou consigo
Nada se passou a não ser o seu medo
A não ser a sua dor
Nem a dor da pessoa a sentiu
A dor dessa pessoa, se dor, era distante, era não sua
Então se souber um dia contar...
Se uma qualquer segunda-feira de um outro Carnaval souber dizer... será de si que dirá
Mas sabe que algo se passou
Mas sabe que nada nunca mais foi o que era antes
Antes de se ter apercebido
Porque, isso entende que seja assim, o algo seja o que for que se estatelou ali naquele olhar que se afundou num olhar outro de muitos olhares diferentes, esse algo era germe desde o sempre. Esse sempre do antes de aquilo se manifestar e que, se deixasse, lhe tolheria o seu ser de culpas porque nesse antes poderia ter havido um talvez que permitisse outro diferente depois... Recusava pensar assim, mas...como entender o que estava na génese? Como entender o cadinho propiciador da (quela) evolução?
Chora. Não um choro de lágrimas. Um outro.
As amendoeiras floriram.


As amendoeiras florescem no Carnaval.
Parecem iguais e são tão diferentes estas das outras flores dos anos anteriores.
As amendoeiras florescem.
As máscaras colocam-se e retiram-se.
As feridas saram.
A vida é este continuum de diferenças que teimamos em querer semelhantes.
Os ciclos ajudam a viver.
Mas os ciclos terão que ser reconstruidos quando se quebra a sua aparência de igualdade.
Aparência.
Realidade.
O ponto de interrogação carregado, empanturrado de comos e porquês.
A vida a fluir.
O tempo.
Os ciclos.
Amar o olhar que julgamos afundado.
mas...que olhar afinal se afundou?
É... andará cada um dos todos ou andarão todos os olhares afundados e há olhares que sobressaem, sobrenadam, diferentes, na igualdade dos olhares que jazem olhando todos os dias o mesmo de modo igual?!


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

encontro/s

Maria sentava-se de vez em quando naquele banco. Era um banco de jardim igual a tantos outros que se espalhavam há anos, tantos, pela pequena cidade. Aquele sobrara da renovação que fizera o município. Ficara como que esquecido naquele recanto. Sim que não fora decerto amor a algum romance ali passado! E, daí, quem sabe?! Quem sabe se, no plano de renovação, não teria alguém desafectado aquele, precisamente o banco que Maria costumava ocupar, por via de a esse alguém ser o banco motivo de recordar?! Quem sabe?
Maria estava sentada no banco. Mais uma vez, descera devagar a rua estreita que desaguava naquele larguinho frente ao rio. Ali como se o rio fizesse uma esquina e o banco ficasse resguardado de tudo. Ninguém o via. E dele via-se muito. Maria sabia. Sentada quase abraçando com o corpo o todo da madeira, estava mais deitada que sentada. Lânguida. Deslassada. Esticavam-se meio cruzadas as pernas recobertas de meias e descida a eito sobre elas a saia de lã comprida e rodada. O braço direito caía dependurado na parte do banco oposta ao rio. O braço todo, não. Apenas a mão e uma parte do pulso de onde balouçava uma corrente de ouro com uma cruz pendente. A cabeça de Maria estava a ser aconchegada pela mão esquerda, o cotovelo assente na leve curvatura que fazia a parte cimeira das costas do banco. A cabeleira loura levemente encanecida derramava caracóis desalinhados quase tapando a mão.
Seriam as cinco e meia duma tarde de Inverno. O rio corria sereno. Liso. Prateado? Não. Era um rosa amarelado. O sol devia andar tentando dormir ali bem perto. Um silêncio enrolado com o frio soprava nas folhas do ulmeiro espelhado no rio.
Um homem de samarra aproximou-se. Estacou. Ficou olhando. Desviou o olhar. Torneou o banco. Olhou para trás. Voltou. Cumprimentou Maria com um aceno tímido no transparente azul do olhar que a olhou. Sentou-se na ponta extrema que o corpo de Maria deixara vago no banco. Desencostado. As mãos unidas entre os joelhos muito ajustados um ao outro. Uma quase vergonha de se ali estarem sentados. Maria endireitou-se. Sussurrou um esteja à vontade; gosto deste recanto. O homem olhou-a de novo com aquela transparência de azul no olhar. Ficaram até que o sol já se dormia e a bruma do rio era só a luz que fazia no escuro da noite antecipada de um Inverno. Maria ficou a conhecer a história daquele banco.
Quando acordou, tinha frio. Ergueu a mão donde pendia a corrente. Eram as oito. Já noite. Espreguiçou-se. Sentia uma leveza boa como se alguma coisa tivesse de facto acontecido. Maria levantou-se. Olhou o banco e sem pensar disse com um tom meigo: Boa noite! Eu volto!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

o nosso mundo?!!!

Hoje sopra um vento norte frio. O sol brilha. Não chove. Nunca mais chove! Em Portugal vai haver eleições. Eleições antecipadas por via de tanta coisa e quase nada. Ontem houve eleições no Iraque com tanques estrangeiros nas ruas por razões tantas e nenhumas. No dia qualquer coisa deste mês fez anos que um campo de extermínio nazi foi descoberto pelos aliados por razões tantas e nenhumas aquilo tinha acontecido. Vocês percebem porque falamos de cada coisa destas separadamente em níveis diferentes? Sabem?! Eu suponho que a razão de ser de encontrar diferenças entre o terror, o medo, a injustiça, a farsa, a morte, a tortura, a fome, a doença...deve advir de ser muito difícil a gente, cada um de nós, aguentar com tudo no mesmo saco, na mesma data, com igual peso, ao mesmo tempo. E depois que seria da nossa vidinha certa, sisada, cumprida, cheia de devoções?! Que seria da nossa sanidade se nos pusessem em igual a injustiça, o medo, a tortura quer ela fosse de um na sua casa ou na nossa rua, ou de milhões deles ali num país ao lado ou noutra época, num passado?! Se compararmos os nazis com, para não ir mais longe, casos na Bosnia-Herzegovina ou, mais recente os torturados no Iraque em prisões guardadas por europeus...se .....não podemos?!!! porquê?! misturar tudo é nunca conseguir encontrar culpados, é dar a todo o acto o mesmo peso?! ahahahah! deixem-me rir que só com um riso louco se consegue afugentar a loucura maior, a real, que é a do que tem juízo segundo a norma! Pois vos digo eu que nada sei, mas sinto e muito, que nada de diferente existe entre a cara que eu volto para o lado perante o ....como lhe chamam mesmo?!!!...drogado e aquele que enviou multidões a morrer em Treblinka, Auschwitz...Dachau... ali nos corredores da António Maria Cardoso ou na fritadeira do Tarrafal no Sal. Não concordam?! Não se pode meter tudo no mesmo saco?! Que piada!!! O medo que nos acagaça de sair para certos bairros é diferente do medo que tinham os judeus?! é?! Então vos digo que medo é medo e ponto final e neste momento a gente anda com medo até do vizinho do lado...diferente?! ah! claro! Mais cómodo sentir diferente para a gente poder ir levando esta vidinha até que nos caia o telhado em cima! Não acreditam?! Pois então deixem que a gente vá cantando Esperança e chorando o passado e não olhe o presente e não faça nada...
e depois digam que os poetas são... premonitores...

Terá mais fome o filho do meu filho
procurando a destruição dessa pedra verde,
árvore ou lâmpada, rio de folhagem.
É fascinante a ferida embriagada.
Nos olhos anoitecem biliões de mundos:
só o homem solitário acredita nas estrelas
e quando as olha é duro como uma nogueira
ardendo no vento em fogueira de frutos.
Há no peito do Homem um cristal profundo
mas, no mais fundo do fundo, é um sino mudo
que herdou do frio a paz da borboleta.
Como criança que apedreja andorinha,
cada homem destruirá a sua pedra verde,
árvore ou lâmpada, rio de folhagem
e breve será a prata de um coração feliz.
Essa fome é maior e ao filho do meu filho
pergunto se estou morto, pergunto se estou vivo,
ele encherá talvez a boca com a fome
e sem palavras calará qualquer resposta.

Terá mais fome o filho do meu filho de Joaquim Pessoa



e, já agora...assim numa de ao acaso....
encontram diferenças
?!


More than half million Muslims were massacred,
thousands of Muslims were sent into concentration camps,
women were raped and children
were kidnapped by the Serbs during 1990s.

e há muitos sites com torturas bem actuais
que me recuso a colocar
pela dor que me causa a sua actualidade
eles podiam todos ser meus filhos, entendem?!




segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Dildo

Nunca te arrependas de entrar numa simples brincadeira.
O Tim Bora** foi um querido, um mecinho cheio de estilo dizia ele que responder era o mais fácil, mas não havia a quem enviar e por isso...não respondeu... olha... fiquei sabendo que ele brinca sem ter brinquedo!
O meu amigo Zé Gomes*** mostrou-se bem educado, respondeu ao meu pedido mas não sabia como fazer o questionário...nem sabia onde ele andava! Deixa estar Zé a gente adivinha...tu deves ler poesia.
Mas a um não perdoo ao Badallo meu safado deste tampa às outras duas, mas a mim eu queria mesmo saber qual é o brinquedo! Deixa estar que logo pagas. ####

Mas fazer disto outro post?! Credo que mau gosto! Que nada! Sabem lá que bem me soube o coment da Riacho?!!! uma ternura! Ela colocou em post e eu não resisto a agradecer a lição que assim me deu e enviar a ela e à gente de Dildo um fortíssimo abração!



####
afinal o Badallo respondeu por e-mail aqui fica:


1 - ou é "brincadera" pegada ou não presta! os "toys" não são prá aqui
chamados...
2 - o futuro a deus pertence, já dizia a minha avó, que não usava
preservativo! mas Dildos? isso é alguma coisa que se "coma"?!
3 - atão não! estou como o outro: ou tens, ou já não te nasce...
4 - esse gajo, o "dildo", está em todas! porém, juro pela minha virgindade que
não conheço! mas não garanto que não tenha "comido": há "dildos" tão bem
disfarçados que qualquer um cai...
5 - receber?! ora essa!... eu não "recebo", expludo! (aqui nunca entrou nada,
apenas sai...)

** afinal o mecinho respondeu vejam aqui como pus no template
VÃO VER AS RESPOSTAS TOY SEX do Tim Bora JÁ!!"

*** e este tb diz que respondeu...onde?!!!!!!!!!!!rsss

domingo, 30 de janeiro de 2005

Brincadeiras inocentes

1. HAVE YOU EVER USED TOYS OR OTHER THINGS DURING SEX?
Deixem-se de merdas com brinquedos...brincadeira é aquilo tudo...na chega?!!!

2. WOULD YOU CONSIDER USING DILDOS OR OTHER SEXUAL TOYS IN THE FUTURE?
Boooom…agora brinquedos sexuais…assim… ná! ná!!! Mesmo...(oh! porra tá a dar um programa sobre Jigolôs.....ca gandas TOY’S!!)
3. WHAT IS YOUR KINKIEST FANTASY YOU HAVE YET TO REALIZE?
Outra vez?!!! Eu sei lá o que será o meu futuro...até pode ser que tenha que arranjar um brinquedo...sei lá...
4. WHO GAVE YOU THIS DILDO?
Se é um Dildo eu nem quero saber o que isso é! O que sei é que a seriedade em pessoa, aquela de quem menos esperava, vem desafir-me com esta! Tal qual! Adivinharam? Essa mesmo! A dona Lique num momento em que eu estava numa muito séria, enfia-me com este dildo que já tinha visto aqui local que é onde estas coisas tomam as devidas proporções dildescas e esta sonsa diz que não me mandou porque eu estava com gripe... mulherio...
5. WHO ARE THE ONES TO RECEIVE THIS DILDO FROM YOU?
Só homens
Ao Lobices Oh! Quim alinha lá na brincadeira, tá?!
Ao DomBadalo Manel anda lá daí da tua toca e faz esta merda aqui que eu depois passo!
Ao TimBora bora lá Tim quero saber como brincas na te negues carago senão nunca mais brinco contigo
Ei José Gomes conta lá à gente os teus toys senão não és tu que fazes o requium é a gente que te mata o blog!
Vá lá uma senhora
D.Cecília na te negues anda lá e faz a tua biografia, amiga... só a referente aos toys tá visto!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

chuva


A porta estava aberta. Desfez o gesto de tocar. Empurrou. Atravessou o átrio muito ainda a cheirar a tinta, muito espelhos de deixar ver espalhados entre a porta envidraçada de entrada e as portas amarelas dos elevadores. Os elevadores eram todos, agora eram todos assim, com um ar de quem nos quer levar a outra dimensão, engolir-nos naquela lentidão de abre porta, desliza porta e o gesto repetido depois de entrar. Fazia-o nesse instante - com a mão enluvada de verde carregava no décimo sexto. Tão alto, pensara o seu pensar que ela, ela mesmo olhava distraindo esse seu eu, olhando o espelho e fazendo esgares à boca encarnada de dentes brancos e certos, verdadeiros. Sorriu de si para a imagem. Sorrir que a traiu pois que ficou por ele dependente de si e do seu eu. Conversavam à sua revelia que ela só queria ver o batom se estava ou não esborratado, a curva suave das sobrancelhas, aquele cair torcido da camisola verde por debaixo do ponche de muitas cores e, apesar de não reflectida, a saia comprida cor de palha de uma lã fininha muito quente quase a rasar a pontas das botas castanhas rasas. Mas ficou a olhar para isto tudo enquanto o seu pensar desfilava a tramá-la com perguntas e recordações. A luz piscou no 14º. Era engano. Por ele, levou os dois últimos andares a fazer mesmo o que queria e dava jeito - arrumou os óculos no estojo de metal, meteu-os na carteira onde ajeitou o emaranhado de papéis que para lá jogara antes de sair de casa enquanto anunciava para alguém que estaria decerto ainda a ouvir, não janto! vou ao teatro e a casa da Beatriz. Respondera-lhe um silêncio. Parou o elevador. O ritual das portas e ei-la lesta atravessando uma nave iluminada e oca de gente. E, mais uma vez, a luva premindo uma campainha ao lado de uma porta branca e dourada como o botão e encimada por 16º F em algarismos escavados no mármore branco.
Abriu-se a porta. Um salão, muito bem decorado, vazio de gente. Ninguém. Acordes de violino atravessavam as paredes. Uns sapatos de silêncio azuis atravessaram a parte de soalho e desapareceram. Ficou um ligeiro ar de lugar comum no salão.
Sentou-se no sofá vermelho. Ficou olhando o rio lá longe. Cheirava a coisas doces. Cachimbo?! Recostou-se. A nuca sentiu o fresco do alinhado do tecido. Fazia um sol escondido sobe nuvens cinza que corriam para sul.
Ouviu o nome que reconhecia chamar-se. Ergueu-se debaixo da saia e do poncho. Dependurou pelo pescoço a mala num tiracolo a desfazer-se. Os sapatos de silêncio indicavam-lhe o caminho. E agora voltara o pensamento a querer dizer de si e ela que estivera esta meia hora apenas a ser ela sem pensamento e dirigindo o sentir para aquele rio e aquele fim de tarde que anunciava finalmente chuva. Pensava na Beatriz que a esperava com os bilhetes para comemorar ou comemorar, tinha dito. A sala era pequena e a luz coada pelo cortinado duplo de tecido azul-escuro. Sentiu o arrepio do costume fender-lhe ao mesmo tempo os dois pulsos. Sorriu ao moço sentado na secretária. Lindo rapaz, pensou. Podia ser meu filho. A mão dele engoliu-lhe a luva e ela sentiu que ia ser engolida por alguma outra coisa. Sentou-se. Mandou calar com fúria o pensamento que lhe obedeceu como quase sempre. Jogou de leve a saca para o tapete. Recostou-se. Encarou-o com um olhar que sabia firme. Ele sorriu-lhe. Muito, mas muito longe daquela sala, chegou-lhe um som. Tão longe estava a voz que era daquela pessoa ali sentada em sua frente sorrindo e mexendo os lábios e ela ouvindo a voz e, mais estranho, a voz chegava-lhe apenas fazendo ouvir num repetindo: negativo.
O pensamento não lhe obedeceu. Nada lhe obedeceu. Ela tropeçou na saia, no ponche, nos sofás, no tapete e ficou agarrada ao moço num abraço tão sem jeito que só mesmo ele estando também contente porque a deixou chorar desmanchada em soluços e risos e tolices que parecia que algo de errado acontecera. E tudo fora do ela ter ouvido aquele acorde vindo de um confim de sabia lá de onde – negativo.
...................
Na rua reparou num guarda chuva grande todo repleto de gotinhas e sorriu do pensamento que antes prendera, lhe segredar agora em tom gozado – são as tuas lágrimas de alegria a passear... caíram de lá do 16º andar!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

risco

um risco preto
arranhado
rasgado na folha
a vida
esventrada pelo risco
os rubros fétidos molengos
espraiando do risco
um risco fino
imperceptível forte
um traço de estilete...
pronto acabou-se

esvaziar o centro
abater o cenário
despedaçar os fatos
derreter as correntes
entrar nos bastidores
abraçar de vez a costureira
o electricista
o moço de recados
comer no vão da escada
rasgar o camarim
esborratar as tintas
queimar perucas e saiotes
subir aos escadotes
abraçar o rapaz das cortinas
cantar de sala vazia
olhar nos olhos
uns olhos na coxia...
sorrir-lhe
sair prá rua
em passos curtos
anichada nas paredes
sentir
no corpo e em tudo o resto
a chuva o sol a lua
a vida
para lá do risco...

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

palavras doutrem

As minhas palavras fizeram hoje um novelo
estão ali acocoradas
Apertadas em si
recusam-se
obstinam-se em ficar sem mim
Compreendo-as
as palavras.... que julgo minhas
rezam como eu....oram a um deus qualquer
pensam nestas Mulheres e em outros muitos
preferem oferecer-lhes um toque de mãos
doando Esperança nas palavras de outro!

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém e se julga intangível.
Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

Amostra sem valor de António Gedeão

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

tempo/s


Tremia-lhe uma voz de espanto. Ou a voz seria, antes, um abafado choro?! Ou seria grito há muito calado?! De onde vinha aquele ruído de silêncio?! De onde aquelas cores espalhadas em seus olhos?!
Olhei as mãos nos ombros dele. As mãos não tocavam. As mãos espantavam-se e gritavam e choravam. As mãos num silêncio tão grande como os olhos. As mãos mais pedindo que dando ou pedindo e doando tal era o espanto!
Olhei-lhe os braços deslizados no corpo. Os braços afagando o peito dele. Os braços desnudados transparentes emanando luz de um de dentro. Os braços adormecidos em gesto que nem era abraço, nem afago, nem sequer um apoio, um encosto.
No silêncio recoberto de cores e luz, dois corpos. De dentro do silêncio esboroou um tremor.
Olhei os dois. Olhei os corpos deitados. Inerte ele. Tremor seria dela.
Olhei de ver. Cerradas, as mãos, antes abertas, eram dois punhos. Dois punhos de veias muito de azul sovando o peito dele. Dois punhos batendo. Tremia o corpo dela. A boca do grito calado que soara antes, abria e fechava. Os olhos que emanavam, há instantes, o que me parecia cor, abriam-se em espasmos e deles desciam transparências acumuladas em bagas. Os punhos socavam. Os braços, antes iluminados, eram, agora via, dois nervos tensos.
Saí de mansinho. Deixei de olhar. Continuei a ver.

Era um silêncio de antanho. Eram nunca ditos. Eram nunca chorados. Era a perda do nunca doado. Era a dádiva do não recebido. Era o grito calado de muito passado. Era o tremor/temor de já não haver tempo. Era silêncio do silêncio. Não eram lágrimas eram restos de não sonhados.


Afastei-me.
Na rua trovejava. Caía chuva.
A Natureza chorava e tremia em tempo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Sala de espera

Estavam todas sentadas. Cadeiras em quadrado. Uma escapava a esta geometria. Uma estava encostada num recanto que deixava uma viga mal planeada. Eram mais de vinte. Trinta cadeiras em quadrado e uma delas escondida por detrás de uma viga. Todas as cadeiras ocupadas. Digo com isto que em cada cadeira estava sentada uma pessoa. Em todas não. Naquela desviada do quadrado que as outras faziam em redor da parede com umas quatro portas de permeio, nessa, estavam sentadas três pessoas. Três pessoas na mesma cadeira: aquela que estava desviada desalinhando o quadrado. As cadeiras com as pessoas sentadas estavam numa sala onde haviam quatro entradas e uma entrada e saída. Explico com mais preciso entendimento para quem não viu. A sala tinha uma porta de vidros que badalava para cá e para lá deixando entrar e sair. A sala tinha mais três portas de madeira pintada de amarelo com dedadas pretas na zona de alto abaixo de onde se fechavam. Essas três portas estavam fechadas. Eram portas de entrada. Há cerca de duas horas cada uma das trinta pessoas sentadas tinha visto abrir em intervalos de meia hora uma pessoa em cada uma das portas. Eram, assim, três portas de entrada do ponto de vista, sempre relativo, de cada uma das pessoas que estavam sentadas. Disse trinta. Eram trinta e duas. Numa das cadeiras estavam três pessoas na mesma cadeira. Assim eram trinta e duas pessoas sentadas em trinta cadeiras em volta de uma sala que tinha quatro portas. Uma porta de vidros que desde que elas estavam havia três horas ali sentadas tinha ficado, como as outras três, fechada. Por essa porta entrava a luz do dia. Uma luz coada que dito assim pode parecer poético. Não. A luz coada era-o pelo sujo dos vidros e mais era também pelo facto de haver em frente um muro alto. Por via de estar a sala assim iluminada pela luz do dia, tinha no tecto acesas duas lâmpadas grandes que produziam aquilo a que se chama uma luz crua. Na sala em que estavam aquelas pessoas havia outra coisa evidente para quem, saindo ou entrando, aparecesse. A sala estava ocupada por trinta cadeiras com trinta e duas pessoas e ainda ocupava-a em todos os recantos e mesmo nas paredes e mais ainda em cima do rosto de cada uma das trinta e duas pessoas, alguma coisa que não se via, mas estava, vos garanto, por todo o lado. Na sala havia silêncio. A cadeira atrás da viga que distorcia o quadrado da sala por lapso ou por plano concebido a preceito, tinha, como disse, sentadas três pessoas. Uma estava realmente com o corpo encostado na cadeira. Essa estava sentada na cadeira. Outra estava no colo tão encolhida que mais parecia ser parte integrante da sentada. A terceira pessoa daquela cadeira ocupava dela apenas um recanto. Estava meio encostada. Notavam-se duas pernas esticadas de um corpo que não teria ainda mais do que seis anos de saber o que era estar sentada ou encostada. Então, na sala, havia, mais precisamente, trinta adultos e duas crianças. Estavam todas sentadas ou ao colo, ou encostadas, há mais de duas horas. E estavam nesse tempo cobertos de um quase visível silêncio. Como já disse, o silêncio ocupava tudo e todos na sala.
A cara de alguns mostrava que eram gente grande e gente velha e gente jovem e gente vestida de gastas roupas e gente alguma com falta de dentes e gente com mãos de unhas roídas ou enegrecidas. Eram então pessoas de idades diversas e desapossadas de teres. Uma ou outra das pessoas tinha na mão um lenço, um papel escrito amarrotado, uma mão que tremia, um jeito de quem dói a posição de estar sentado. Havia uma com uma perna enorme avermelhada na canela. A pessoa que tinha a criança no colo, era mulher e nova e linda. Essa mulher, de quando em vez, quebrava baixinho aquele silêncio. Sussurrava ao ouvido do menino seu filho encostado que estivesse quietinho que o senhor doutor já vinha. De quando em vez era o silêncio quebrado por um espirro ou uma tosse, ambos recolhidos pela mão frente ao rosto quase a medo.
Nesta sala de repente ficaram vazias a maioria das cadeiras e uma fila de pessoas que estavam sentadas movia-se falando numa cadência que diria que cantavam dizendo não há direito não se admite. A mulher do canto segurou a mão do corpo que deixou de estar encostado. Na outra mão agarrou um saco e encostou ao seu o corpo que tinha ao colo. Olhou em frente. Os olhos grandes lindos. Levantou-se. O silêncio estalou como um estrondo. Duas pessoas tombaram numa só naquela zona da sala quadrada em que a viga escondia a cadeira em que estavam três pessoas.

PAZ



Alegria de viver! que Alegria a Vida!

terça-feira, 11 de janeiro de 2005

desejo hoje


nem forma nem movimento nem fala nem riso nem choro nem passo nem abraço nem beijo nem fome nem sede nem vivas nem lamúria nem busca nem indecisão nem aventura nem ficar nem partir nem forma nem dimensão nem ar nem água nem heresia nem deus nem ideologia nem crer nem desistir nem ódio nem passado nem presente nem futuro nem corpo nem alma nem lei nem juiz nem sim nem não nem porta fechada nem portão escancarado nem rio nem cascata nem sol poente nem lua cheia nem precipício nem prado nem duna nem ceara nem sueste nem nortada nem brisa nem ar nem vela nem escuridão nem pão nem farelo nem vinho nem sobriedade nem música nem sirene...
nem o resto que lembro mas não escrevo por mor do que comanda tudo e chamamos tempo....
Hoje apenas
Alegria Esperança Paz Amor em Silêncio!

(Hoje no dia do meu comemorar do passar do tempo)

Criança de Rembrandt

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

hoje fizeste anos Mãe



Tantos anos minha mãe!
Ai tantas Primaveras
Tantos Invernos e Verões!
Tantas tantas quimeras
Tantas desilusões!
Tantos dias labutando
Tantas noites de aflição!
Sempre sempre trabalhando
Para os filhos terem pão!
Tantos Invernos tão frios!
E Verões tão escaldantes!

Ai minha mãe tantos anos
De alegrias e ternuras
Misturando desenganos!

Quando tive entendimento
Comecei a conhecer-te!

Oh! minha mãe, minha mãe!
Como posso eu esquecer-te?!



Escrito pela minha mãe em 2/7/89


adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein