
Isto não anda nada fácil. Mas para que nos havemos de queixar?! A Vida é isto mesmo! Assim um fogacho. Um niquinho de tempo que passa num instante. Ainda ontem era o tempo de prever e já estamos no hoje e logo a seguir no “olhem que...lembras-te?!” E pronto!... lá se foi o presente e o futuro e fica um grande passado que, bem olhado, e nem preciso é olhar assim tanto, é afinal um pedacito de tempo. E quando nos começam a bater na porta aquelas ditas desgraças que podem até não ser as desgraças mesmo aquelas, mas são as nossas!...então a gente observa...realmente!... que andamos nós a fazer do tempo?!
Olha que raio de conversa me vai esta arranjar logo, mas mesmo logo, logo depois...melhor!...ainda no dia da festa! Bem podia esperar que passasse o dia de Natal para vir para aqui com estas lamechas de dizer do tempo! Olha que realmente! Já nem uma pessoa pode viver sossegada a época das broas e do bolo rei e das rabanadas...que vem alguém, armada em sofredora, lembrar o tempo aí a vir e que temos a certeza, ai, temos! vai ser um tempo de coisas boas! que esse ... já passou! Bolas! ele há gente!!
Pronto!... eu, por mim, aquilo que digo, e nem é lamento...apenas constato! é que a coisa de viver anda assim um tanto xoxa! um bocado má!
Agora, além dos mortos na estrada, da crise na política e, por tabela, nas nossas bolsas, aparecem à porta de cada um, desprevenido, claro está!...doenças! e, porra! nem podiam ser assim umas gripes, umas dores de dentes derivado aos doces, um torcicolo por espetar tanto o pescoço a ver as montras ou, para quem ainda acredita, a olhar se o Pai Natal sempre descia do cimo, lá de dentro, da chaminé! Não!...agora!... isso... essas doenças de rápida cura...foi chão que já deu uvas! Quando se dá por ela, o que nos bate à porta é doença da grossa. Enfarte. Cancro disto e daquilo. E pode até sair na rifa assim uma sida desirmanada. Isto para nem falar das doenças da moda. As do foro psiquiátrico. Que bem que soa, não?!
Não estou a brincar!! Parece?! Pois creiam que, a ser assim, eu devo ter jeito para dizer o sofrido com ar de chalaça. Mas, olhem que a coisa anda assim borrada aqui pelos meus lados. Na minha casa, na do vizinho, num amigo, num outro mais distante no espaço, que não no coração. E já nem consigo falar da velhice que entra pela casa adentro pejada de sinais de esquecimentos e desordens que, não fora a gente ter alguma ponta de riso, mesmo que de pouco siso, seria o laço para atar o ramo daquilo a que simplesmente poderia apelidar de “ai! que desgraça!” Apenas eu entendo que a Vida é alegria de mistura com muita tristeza e muito desconsolo.
Pois... eu entendo!...não será a melhor forma de terminar o ano! Eu sei! Compreendo! Mas que querem?! A gente não comanda nada! Pensavam?! Não acredito que pensem tal! Eu, por mim, há já bastante que entendo que devemos estar preparados para tudo! Tudinho! Há uns natais atrás, a coisa andava mesmo colada aqui a mim. Mesmo debaixo do meu telhado. Lá foi passando. Mas...digo-vos! Nunca mais nada é visto, sentido, pensado, do mesmo...nem sei eu qual!... assim...do mesmo modo que...já esqueci qual!...que era antes! Agora...foi bater a outra porta e deixa-me aqui um peso do caraças! mais do que isso! um engasgamento entalado na garganta.
Se eu rezasse...mas só sei fazer andares pelo pôr do sol ou ficar muito quietinha a olhar o mar!... será isso alguma outra diferente forma de rezar?! Se for...eu rezo, então!...aos deuses...a todos as entidades! Rezo à Vida que faça a graça de dar a perceber que ela, ela mesmo, é da Morte entrelaçada! Desta, e daquilo a que nos habituamos a sacudir da Vida com tanta força e afinal não passa apenas de sinais com que ela nos espicaça a ver como nos comportamos ...se é grande e segura e firme a Esperança! Em quê?! Nela!...na Vida! Curta, escorregando lesta, pregando partidas a cada momento, mostrando a outra face, aquela que a gente sempre esquece...mas...uma curtida esta Vida! Demais! Foliona! Divertida! Adora brincar com a gente e avisar-nos que, sendo o nosso maior bem, esconde-se a um dado momento, faz negaças, vai-se mesmo...e a gente tem mais é que perceber que é ela, essa divina deusa, fazendo os seus rituais. Apenas isso! Mas, vá lá dizer a gente isto assim a quem está em maus lençóis!
Por mim, e olhem que sei bastante do que estou a falar, entendo que atrás de um dia outro virá e vou tentando levar a água ao meu moinho!...se possível, e caso queiram, distribuo também por outros.
Isto não anda nada fácil! Isto anda mau! E eu peço que me desculpem este modo assim do meu falar!
Àqueles, concretos, em que neste momento penso, a minha, a tal...da forma que sei...oração!
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E o boneco assim a modos que o Pinóquio foi o mote.
É brincando que tento levar a coisa da Vida, da Morte e do Sofrimento.
Mas não pensem que tenho arte...tento!!