quarta-feira, 29 de setembro de 2004

eu queria...

eu queria ter malmequeres a rodar na cabeça
uma carrada de malmequeres a dançar
nunca mais a cabeça zunir de contradições,
de sonhares desfeitos
de pesadelos acordada
nada mais que o zum zum dos malmequeres
rodando...


...com calma

nas palmas das mãos pétalas
rosadas pétalas de rosas
esvoaçantes
nos cabelos odores de pinhais
circundantes
carumas calcadas de pés nús
deslizantes
águas de um rio
escorrentes
meus olhos num arrepio
sosssegados

olhando-te neste fim de estio!
.....................................................................
o Almaro não deve ficar zangado ...este comentário dele, ali no outro post, tem tanto a ver com o que aqui, agora escevi!...

Tenho andado a sonhar…… com um mundo de acordares onde tudo é descoberta. Onde cada um desenha a sua própria ideia. Sem papagaios. Que cada um não repita o que ouve, o que vê. Mas que crie. Um mundo onde ninguém deixe que os jornais, as televisões, os fazedores de opiniões, nos retire o gosto de olharmos tudo, com o nosso ver. Um mundo sem espelhos, onde cada um não precise de se rever. Que sinta uma única necessidade. SER!


terça-feira, 28 de setembro de 2004

Tenho andado a sonhar...

...a sonhar a sonhar não é bem...têm sido assim uma espécie de pesadelos, nem sequer é bem isso... é como se estivesse acordada, mas numa realidade de outra dimensão em que passado e presente se misturam e onde reina uma grande bagunça e confusão! Eu nem percebo bem e tento contar mas as imagens soltam-se em pedacinhos...podia ser assim: as figuras e as frases apareciam e desapareciam tipo flasshes... esquisito...nunca me tinha acontecido ...nem em sonhos...

eram coisas que apareciam e desapareciam dos computadores lá pela madrugada

é pá a lista estava lá e agora já não está?!

era uma entidade estranha ...lista feita à mão... que me aparecia assim...

mais ou menos isto...uma confusão!!!

e eram imagens estranhas

com vozes ainda mais esquisitas

Aqui tem as listinhas!
se me tivessem dito há mais tempo...
escusava ter armado esta confusão ...
eu trabalho bem é à mão


...acordei?! ou ainda estou sonhando?!


segunda-feira, 27 de setembro de 2004

Repensando mesmo!

COMPAIXÃO ... é o que sinto!
Foi o meu pai nos seus sábios 86 anos... vendo-me perdida no meu mas... eu choro por todos eles! ninguém compreende isto?! eu não tenho pena, nem ódio, nem raiva deles! o que sinto...
na sua atenção que nem sempre percebemos tão atenta, murmurou “Compaixão, filha! o que eles merecem é compaixão” e eu serenei.

Mas outras crianças noutras andanças me fizeram reflectir este fim de semana. A leitura do artigo O CÉREBRO INFANTIL ESTÁ A MUDAR? relacionei-o com o tema sobre a escrita que foi levantado e podem ler num post com o título ALI ÀS VOLTAS e nos respectivos comentários.
Foi um fim de semana de reflexão inacabada, mas serenada.

Muita coisa anda, sim, a mudar e nesta conturbação eu sinto que é aos sinais que devemos estar atentos, buscar neles, buscá-los.
E sobretudo Amar (Incondicionalmente) como apela o Quim um amigo de longa data nestas andanças dos blogs.

(A quem acompanhou parte deste meu ir estando pela noite dentro, peço mais uma vez perdão e deixo o meu obrigada.)

sexta-feira, 24 de setembro de 2004

Pó de estrelas?!...

Aqui me encontro pasmada, com todo o meu eu chorando e nem me entendo o foco deste sentir. É algo que vem de muito lá do fundo de mim e lá de muito de toda a parte deste mundo. É como um sufoco, como se este ar quente estivesse carregado de imperceptíveis tristezas, dores, dislates de consciências, loucuras, insanidades, pobrezas...tantas pobrezas! Tanta pobreza! Este silêncio ensurdecedor que se solta dos noticiários e se escorre da tinta dos jornais . Estas caras que não olham, estes olhos sem vista, estes olhos (tantos pares de olhos) taipados , velados de um algo que não sei explicar, mas que me aumenta esta forma estranha de sentir que sendo tristeza é muito mais e muito diferente de estar triste. É também diferente de raiva, de revolta, de ódio que não sei nunca o senti - qualquer deles é impulso, é forte, é dirigido. Este sentir que sinto é estranho porque, redigo, não tem alvo nem nome lhe sei dar...apenas o mais próximo... esse de tristeza. Que mundo que gente que instituições que governos que éticas que religiões que morais que sentires que desejos que vontades que relações...meu deus que mundo é este? Que se passa? Que sinto eu atravessar-me cada partícula? Onde me encontro? Como me encontro que este estado de sentir me não permite julgar, colocar-me de um dos lados? Vejo a mãe o pai a criança o torturado o torturador o soldado o civil o bombista o drogado o pedinte a prostituta o violado o violador o ladrão o assaltado e...esta tristeza mescla-se com todos eles. Vejo a mãe do soldado morto e a mãe do que o matou e oiço e sinto-lhes um mesmo choro uma dor igual. A mãe que assassinou o pai que teima em não dizer do paradeiro da filha...vejo-lhes os olhos vácuos desbrilhados ... taipados...deus parecem-me robots e não lhes tenho raiva nem ódio nem mais que este sentir de uma tristeza que outro nome lhe não sei, já disse, dar. E vejo as gentes reagir, enraivecer, querer linchar e neles também olhos brilhando tanto que se me mostram, eles também, taipados. Parece que o ar se esvaziou de alguma substância essencial e cada um respira arfando uma matéria imprópria para humano ser. Que seres são estes? Que somos nós? Que mundo é este? Que mudanças se estão operando...ou não estão?!


(parei aqui porque me apelaram vozes, encantadoras vozes de gente que se busca, se quer crescer e sente as dores que isso dá e sente medo e anda de alma solta neste mar de almas presas, buscando-se; com elas, as vozes deles, me quedei horas que nem senti passando; e, sem que lhes visse, os olhos sei que estavam destaipados, brilhando apesar das dores, apesar das buscas que se estão, cada um, fazendo. Nessas vozes que me buscaram por um daqueles acasos que a vida nos coloca a cada instante e a gente tantas vezes desapercebe, nelas, minha tal acima descrita, mal percebida e portanto mal descrita, tristeza, se espaireceu...um pouco...)


Escrevi isto ontem à noitinha e o entre parêntesis agora. E estou lembrando o que li no sefaxavor....é assim que acho que estive naquela tristeza que não consegui explicar e depois na conversa linda com dois seres que amo muito...bombardeada e embebida num pó de estrelas!

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

Devagarinho no Outono


Acaba-se imperceptivelmente o fulgor do Verão
Vai-nos caindo sobre...
esta lassidão de Outono.
A luz já não é bem luz
mas uma pasta que se mistura com a Terra.
Dela se ergue uma bruma da sua cor,
diluída, esparsa.
O cheiro entra-nos na pele
absorve-nos
dispensa as narinas.
é acre
intenso
quase agressivo.
As estrelas baixaram no céu
teimosamente entre nós.
Ensombra-nos uma ténue cortina-
futuras nuvens
ainda medrosas de o serem.
O céu já não é a donzela
desconhecedora de vergonhas
descuidando-se brilhante no seu virginal fulgor.
É, agora, pudica menina
tentando encobrir a nudez
em indiscreta cortina translúcida.

Se Paz houvesse, ela seria proclamada em cada início de Outono!

(As fêmeas deveriam sempre aleitar nesta estação.
Então, os vagidos das crias sequiosas ou o ronronar da saciedade, soariam abafados docemente na penumbra, de manhã a manhã, como uma almofada de lã fofa e transparente e as crias, rolando dos leitos, vagueariam nesta maciez onde a gravidade quase se anula.)

Se houvesse Paz... seria sempre no começar do Outono!


(de um manuscrito anterior a 1997)

segunda-feira, 20 de setembro de 2004

em jeito de...crónica

Ai deuses e todos os demais que possa para aqui congregar!
Oh! Forças do Universo!
poderosas forças que trazeis de vós o irreal para as entranhas do real !
Oh! inomináveis contadores de vós que presenteais ao insondável
energias transmitidas e reconvertidas
Partículas e ondas
numa realidade que se ousou poisar, incontrolada,
num local abeirado de águas numa noite aquentada de sóis
escondidos, já, nessa rotação dos astros, pela vossa mão,
no ventre das vossas inenarráveis estruturas!
Oh! Deuses, demónios, anjos, vulcões, luas,
quarks e esse sem fim de pedacinhos que fazem
de cada um um todo e do todo cada um!
Oh! aflita alma minha rodopiando nesta infinitude
que de sentires se entrelaçam
sem que saiba se de mim para eles
ou num outro qualquer direccionamento
e se, sequer, sentires lhe chame
tal a confusa demanda do que entendia virtual
que por, ouvindo, semelhar a virtude,
tão doce se me encanta seu existir num nada,
se me deu em desfazer em SER!
Enlouquecida!
Devaneante!
Errónea!
Incorpórea!
Neste estado os invoco
....shut!!!!!!!!!!
eles estão vindo...devagar...doces...
Sinto-os por entre as paredes, o tecto, o soalho...
Sentaram-se...estiram mesclas que semelho a pernas, braços...
mas serão, antes alguma outra entidade que desceu com eles
Aquietam-se em meu derredor
Estão aqui
Envolvem-me
Aquietei também
Respiro como um ser real
Apalpo-me....
sinto as estrias, os poros, os pelos
Eu estou aqui e.... maravilha!
estou sentindo que sinto!
Agora, talvez possa pensar o que terá acontecido
naquele local abeirado de águas numa noite aquentada de sóis já escondidos ....
Talvez!...
Antes, preciso estar mais um pouco com estas entidades aqui convocadas!
Olho-as!!
sossegadamente, se estão a preparar para entardecer comigo!
Depois...
Depois eu contarei ....
Agora, eles estão segredando
Shut!!!! quero ouvir!
Dizem .....que foram as sensações cruzadas
nesse local,sempre à beira rio mesmo quando já um outro dia se amanhecia,
foram essas doses intensas, concentradas, fortes,
que me fizeram assim os congregar...
Dizem-me que assossegue
Que olhar o real pelas portas da alma é tão desusado ao humano ser
Que (dizem-me eles, aqui, juro!)
Pode transmutar-se o ser em eles...num deles...
Que me aquiete
Que veja as fotos lindas
Que recorde cada sorriso
Que sinta cada abraço
Que oiça os rumores do linguajar doce e o rir suave ou garagalhado
Que recorde as histórias contadas em surdina
Que sinta a lágrima que não correu enquanto sorria
Que oiça o poema e reveja o piscar à luz dos flashs
adocicados por detrás de alguém que fotografando beijava
Que acaricie aquele sorriso sentado frente a mim
Que não pretenda contar o que já só é porque está aqui
guardado, mas planando no espaço,
e a que o humano ser português, ou nele se expressando,
designa docemente de AMIZADE!

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

o não post

**********************************************************
tudo que escrevesse
agora...era mentira
escrevesse eu sobre o que fosse
e sairia borrada
assim, decidi não escrever
deixar este espaço em branco
aparecer um quadro de cores misturadas
um arco Íris em dupla refracção
uma folha de papel sem um borrão
nem um bom dia
nem uma saudação
nada de nada
hoje, tudo seria isso:
uma falsidade
ou um nada
fico por este
e assim me vou alumiar no sonho

terça-feira, 14 de setembro de 2004

Zecatelhado o povo tá contigo!!

Oh! Alves Oh! Abstracto Concreto!
a gente tem saudades dos teus desenhos!!!
e das tuas palavras!!
Roubei....por uma boa causa! sei lá...

to ALVES: lots of smiles, wherever you are.
Today I'm happy

My friends are coming
Do I have enough food?
Am I forgetting something?
Am I early or am I late?
Hum, it tastes really good.
And the wine? I think is ok.
I'll change the table cloth...
Oh yes - Much better this way!
Is doesn't really matter
How often this happens
Today is a very special day
Posted by alvestc at agosto 14, 2004 08:52 PM


(e tu 5ª elemento (Boro ou Rubídio?!) onde andas?!)

sábado, 11 de setembro de 2004

confusão mental

Carregada de palavras
gorda de dizeres
abraçada de silêncios
apetecida de dormires profundos
de acordares vagarosos
de manhãs previsíveis
de entardeceres acabados
esvoaçando para escuros de sossego
esvoaçando para amanhãs novos
Apetecida de descanso...
o descanso da alma
o descanso que não se apraz com não fazer
o descanso da paz
o descanso de estar em descanso
Emagrecer de palavras
Engordar de silêncios de já ditos
abraçada de palavras sussurradas
inventadas...nunca ouvidas
Sossegar sossegadamente
Farta da palhaçada das palavras
Cansada da algaraviada
Silêncio
Calar-me a mim
Desouvir-me
ficar apenas o silêncio
com os ditos em fundo
e apenas sussuros e música
Nada de estrondos
nada de TV
nada senão o mar mesmo em tempestade
a chuva mesmo em telhado de zinco
o tilintar das chaves no chaveiro
E as portas abrindo e fechando sem ruído
nada de torneiras a pingar
nem autoclismos avariados
nada de colheres a raspar pratos
numa mesa cercada de silêncios
nada de campainhas...telefones...telemóveis
Fugir dos meus ruidos
sair do barulho que me faço
rebentar os silêncios silenciosamente
e depois falar em surdina
.....
a antecâmara da morte?
a sala de visitas de um manicómio?
Talvez apenas...
apenas a busca de mim
sossegada

em memória

Antes... durante...e depois daquele 11 de Setembro

a música
as palavras

(retirado desse site)


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Mariaras A VELHA onde anda?!!!!! sumiu sem dizer nada!

lembra-se que lhe enviei estas flores?

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

Tu

Tu não precisas escrever para ser poeta...
não precisas fazer para ser um homem
não precisas dizer para ser ouvido...
Simplesmente,
do fundo do teu eu escondido,
quase sempre envergonhado,
não de ti, mas das coisas do mundo,
tu falas, dizes, gritas
a liberdade de estar sozinho
liberdade que é ,
sem que o saibas, e por isso, o precises dizer,
a forma mais dura, mais ignara,
mais vivida de viver!
Tu, leal ao mundo
aos que o polulam
que sempre,
quando o dizes,
se percebe que te enchem,
incomodam e, mais, melhor,
confundem
na multiplicidade anárquica que os sentes
não ser cada um em si ,
como tu te és em ti,
sozinho e crente da vida e dos demais,
mas sim um amalgamar
em condições
em regras
o eu
peculiar e único e singular e belo
que cada um, como tu,
se o deixassem,
podia SER.

Perceber-te nessa singularidade que desolhas
nesse desatento olhar,
que, mais que tu, outros te impõem,
é um carinho, uma Graça
maior que olhar o esconder do sol no horizonte
maior que ouvir o bater de asas de um passarinho.

Perceber-te
saber que o sabes...
ver-te a olhar para ti
único ..
sozinho...encantado de ti,
despojado...
sábio e amante...
fazê-lo...
é poder partir de aqui
sem precisar de mais
senão agradecer, rezando, a um deus,
que nem sei se existe, mas me ouve...
dizendo em silêncio:
adormeci...
tudo está em Paz.
(Julho de 2004)

quinta-feira, 9 de setembro de 2004

avariação

Por aqui ando..andando
aos tombos - pareço um maximbombo
um daqueles da Luanda da Mutamba
(há quanto tempo!)
...parei...estou numa paragem de avria
os passageiros descem zaragatando
eu estrebucho...tento andar...gorgeio estridente
abano-me e deito fumo e um líquido (lágrimas?)
....amanhã já é hoje...tá faltando só o sol
e o maxibombo vai arrancar devagarzinho
e os passageiros sobem sorrindo
deslembrados da avaria...

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

despedida

Oh! sapinho, eu desisto
Eu entendo-me mesmo é com o meu sapinho!
Não me abandones que eu sem ti ando perdida!
Tento reencontrar a forma e sai sem este carinhoso aspecto que coloquei aqui...
Sem ti, sapinho rafeiro e arredio, mal educado e fugidio, eu fico mesmo sem partido!!!
Agora vou para outras lides...
Vou, porventura deixar este cantinho por uns tempos e nem sei se vou encontraroutro...
Hoje levei o dia procurando poiso...uma casa...
Nada me encantou - a sala mal iluminada, os vizinhos barulhentos, outras linguagens que me não entendem nem entendo...
Voltei...
Fiquei olhar para este espaço e a indolência própria da nostalgia, afagou-me
Recostei-me e fiquei olhando...
Sapinho não sejas assim - pintei a casa toda, arrumei a sala, tenho os livros nos locais que conheço...
Bolas e assomo à janela e conheço todos os transeuntes, o homeme da mercearia da esquina, a mulher que passa todos os dias pela tardinha, os ninhos das andorinhas...
Terei que sair daqui?! vai custar-me muito!

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein