Eu ontem escrevi ali num
comentário, e o que eu devia era ter saído correndo a ver
a caixa do correio!
Fiz isso, um dia atrás do outro, sempre pela
manhãzinha, mas hoje demorei-me, deixei para mais tarde, e o livrinho lá ficou o dia todo ao
frio deste dia de inverno.
O livrinho ali
abandonado, terá até lamuriado:
Eduardo, esta portuguesa tarda em fazer como você disse que ela faria…e agora escurece
e está frio...
você comentou que ela era meio doida...era esta, não era?! e se ela não me pega?!
Terá sido assim que terá estado o meu
livrinho, e eu não me perdoo, ainda mais porque, quando abri a portinhola do correio, em vez de acarinhá-lo,
colocá-lo amorosamente junto ao seio, tirá-lo de imediato de dentro daquele envelope, não o fiz, não! Egoísta, a dar-me tempo de poder
desfrutá-lo com sossego, ergui-o na minha mão, a gritar ao maridão que me esperava no passeio:
chegou ! cá está ele!
e o
coitado morrendo de frio e de cansaço.
Ah! mas depois foi lareirinha com lume crepitando e foi eu no sofá a folheá-lo! E ele, sabe, Eduardo, o seu
livrinho, dizia-me a cada palavra, a cada frase, a cada virar de página que eu fazia:
que beleza de livro fez o nosso Eduardo, não é Maria de Fátima?!
Sabia até o meu nome! Que bem industriado vinha!
E a dizer-me, vaidoso:
que bem estruturado! que elegante!
você não tá achando isso?!
um mimo! um fazer de mestre esse modo de ir
dizendo dos amigos, e assim naturalmente,
levezinho, a dizer o modo como eu fui aparecendo e ainda tecer considerações (sábias, não acha do que já viu?!) sobre
essa vida de ter blogues e alimentá-los!
Por demais este livro do Eduardo! exclamei eu em voz alta ali na sala onde a família via o noticiário. Eu sem poder conter-me, e o livrinho sempre cutucando:
estou vendo que você está gostando, e nem precisa estar falando isso, que eu noto no jeitinho de você virar a folha, no modo como vai passando o dedo... e nem imagina como isso me deixa tão contente!
e, diga-me, não é mesmo verdade que a capa
é muito, mas muito mais bonita assim na realidade?!
estou vaidoso de me estar
gostando tanto!
diga isso ao Eduardo! pediu-me ele.
diga também que eu agradeço muito que me
tenha mandado para as suas mãos!
e diga-lhe obrigada
não esqueça de lhe dizer: obrigadão meu caro Eduardo, muito e muito obrigada por me ter enviado!
E quando lhe coloquei uma marca de página a guardá-lo para outra rodada de leitura, ele pediu-me:
promete que amanhã me
pega outro niquinho ?!
Deixou-me extasiada este livrinho.
Tanto que nem consigo dizer mais.
Ah! Eduardo! ele segredou-me, e nem sei que crédito lhe encontre, que lá na página não sei quantos, eu iria encontrar sítio que, tocando, saltaria o calor igual da sua mão. Não me diga se é verdade ou não. Ainda não cheguei lá, mas depois
conto…