sexta-feira, 22 de março de 2013

Canto Chão


eu a querer comemorar  a Primavera
deixar aqui registo
abro o blogger e dou com este hino ao bom gosto
este hino à mulher, 
à vida
poesia em cada linha
em cada foto

Canto Chão de Gabriela Rocha Martins


duy huynh


e isto é Primavera 
e isto é renascer 

duy huynh

quarta-feira, 20 de março de 2013

dia dos contadores de histórias



hoje, é também dia da felicidade, 
e eu entendo que há momentos na vida em que a gente é feliz, 
apenas momentos que, como onda, 
se espraiam pela praia da vida que vamos vivendo,
 até outra onda, outro momento


terça-feira, 19 de março de 2013

sem
























A gente busca o que seria pele
seria afago,
e em troca é apenas isto:
o ar que respiramos a ocupar tudo.

Ter sido para sempre
e nunca termos dito
nunca ter sido como desejamos
um e outro.

A gente tateia e é só infinito
e nem um espaço que tivesse ficado
vácuo de teres aí existido.






sábado, 16 de março de 2013

decepadas






Cortaram um pedaço de Primavera na cidade de Lagos.
O bairro 30 de Junho no Chinicato ficou mais pobre. 
Ficou mais pobre a nossa cidade.

Cortaram árvores assim como mostra a foto. 
Será isto poda?!  
Será esta a época indicada?! 




O que eu vejo são árvores decepadas.
E os jacarandás iriam florir já no mês que entra ou muito próximo...
E nem foram os serviços camarários, e nem foram técnicos de flora ou agentes sanitários a decretar: 
corte-se, não se deixe um só ramo, faça-se de cada árvore apenas tronco.
Não faria isso quem soubesse, quero acreditar! 
A decisão veio da direcção da cooperativa, veio de quem aqui vive, o que me espanta e dói ainda mais.
Decisão que resulta no espectáculo que as fotos nem conseguem documentar, que não se documenta numa fotografia o que se sente a olhar aquelas pobres árvores  reduzidas a troncos mutilados, impedidas de florir, quem sabe se apenas neste ano, aquelas árvores já com tanta idade... 
Erguidos aos céus estes pobres cotos
que nem ramos sequer e suas folhas a encher de sombra os dias de Estio neste bairro. 

Não é isto incúria?! 
Será zelo?

Se é zelo, 
se acções destas têm defesa, e sou eu que incorro em erro, andarei  então num mundo que não é o meu...

Eu que temo se morrerão algumas, senão todas estas árvores...
e se viverei para as ver de novo frondosas...
e se poderão os meus netos passear um dia na sua sombra...

Às gentes que assim decidiram 
e aos demais que terão ficado contentes
 e aos que porventura até o desejaram 
(sei lá eu que imperativos terão movido um tal corte) 
a todos desejo que o sono lhes seja levezinho,
 que se é crise o que por aí se clama, 
é de zelos semelhantes que eu mais temo.





Resta-me crer que os troncos que ali ficaram rebentem em ramos novos. 
Que sejam de novo árvores frondosas e acolhedoras.
Que floresçam. 
Que as deixem crescer como merecem,
assim imploro aos deuses. 
Aos deles 
que eu, pobre de mim, não tenho deuses.




fotos de Maria de Fátima

quinta-feira, 14 de março de 2013

os papas da minha vida...



Pio XII    
39 a 58
 
    


58 a 63
 

 
63 a 78
 
       


Ag a Set de 78 



78 a 2005

                    


2005 a 2013



 

               Francisco I   13 de  Março de 2013   
 
           

terça-feira, 12 de março de 2013

ao meu menino




hoje que é dia doze do terceiro mês
podia contar-te
dizer do quanto foi um dia bonito aquele
em que vieste, por milagre dos deuses,
que só pode ser por milagre que se nasce…

vieste a este mundo e disso te agradeço,
de seres meu filho e seres um ser tão belo

eram tempos de pão e tempos de canções
tempo de esperança
tempos de certeza em porvires risonhos

que me perdoes se não soube deixar-te,
pedra sobre pedra e alicerces fundos,
o mundo que cantavam os hinos
com que te embalei
menino















poema adaptado de um outro de Março de 2007

sexta-feira, 8 de março de 2013

do mesmo rio



El Beso de Gericault

                   
                  o rosto e o seio
e o púbis exposto
e os joelhos 
e os dedos grandes de cada um dos pés

e as mãos

as mãos que escavam fétidos interiores 
que arrancam troncos em busca da raiz 
que só nela o gosto
que retiram do ventre o ser nascente
ajuda de fémea
seu consolo

e o umbigo

delicado enfeite do corpo
resto de ter sido sémen
e ter sido mórula 
e ter sido zigoto 
ter sido embrião e alimento



a lágrima e o riso juntos
ambos
macho e fêmea
águas do mesmo rio 
assim nos somos 
e queremos
um no outro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

a matança


Fomos expressamente para "a matança". Celebrar a fartura em volta da morte (e sofrimento?!) do animal.

E no entretanto de já nada ser como era dantes, há o convívio e o trabalho que, sabe-se lá por que magia, só cansa quando paramos...
E, sejamos honestos, fica o sabor que tudo aquilo tem...
Uma carne tão saborosa! - e lambemos os beiços e os dedos depois daqueles picos de cachaço grelhados ali mesmo, o animal ainda quente...
Criatura alimentada a bolota! - pudera que seja a carne assim gostosa...
Porco preto, ali do Baixo Alentejo! - sentenciam os da casa.

E é a surraburra : o sangue cozinhado e derramado sobre pão migado em fatias, e a cortar o travo forte do sangue ainda tão sangue, ou será outro o motivo, o certo é que liga divinamente a  laranja às rodelas que vem sobre-nadando a tigela onde o manjar é servido.
E os torresmos: em cima de uma fatia de pão, os picos de toucinho que ficaram da banha, "crocantes" como se usa dizer agora aos cozinheiros gourmet...
E a couve do jantar do dia mesmo que o bicho morreu: não há adjectivos para dizer do legume fresquíssimo besuntado do toucinho ainda a saber a vivo.
Usos ali numa aldeia da raia, com o Rosal de La Fronteira a meia dúzia de quilómetros...
Pela manhãzinha tinha sido a azáfama de limpar o coiro de pelos e dejectos, e os  homens petiscando e bebendo a desmanchar a carnes.


E aquela técnica de picar... Bocadinhos que irão encher a tripa para fazer as linguiças. 
Mas isso será depois de a carne ter tomado condimento forte por dois dias ou mais.





E há que colocar na salga a carne para o  presunto, e nela a dose certa de pimenta junto ao osso para que não entre o mal, não apodreça, não lhe dê a mosca varejeira... 

Uma festa estes dias de matança e nem se pensa mais que aquele monte de iguarias é resultado do animal que os homens mataram...
Alimento para todo o ano, e nem míngua,  antes dobrará, o que é dado a quem vem dar uma mão ou o que é enviado àquele que não pôde vir nem para a couve do jantar, nem no dia seguinte, nem mesmo para ajudar nos enchidos...
Há sempre um naco a assinalar no prato dessa gente a matança que decorreu.
E que Deus abençoe casa tão farta e lhe acrescente!
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

história que não conto


publicada inicialmente em Notícias do Gil

Podia contar uma história passada no recreio, ou na sala de aula, ou de como tinha sido a prova oral daquele exame.
Podia também contar de namoros.
 Ou contar das partidas que fazíamos: sempre às escondidas, sempre longe de sermos vistos nem que fosse com um sorriso malandro pendurado nos olhos, que partida que engendrassemos era combinada no maior segredo, e a execução dava-se em sossego. Nada de atropelos como daquela vez.
Podia contar, mas não conto!
O que eu poderia contar nem teria interesse: coisinhas como ter feito aquela conta trinta e tantas vezes numa manhã inteira, que era o que durava a prova! e em cada vez que fazia aquela abençoada divisão por dois algarismos, dizer, convicta e sistemática: dois vezes dois, quatro, e vão dois! e nada batia certo, e tornava: dois vezes dois, quatro, e vão dois!
Não pode ter interesse este tipo de erro feito por uma menina com duas tranças louras que andava ainda na segunda classe, a bata muito branca, os dedos da mão direita borrados no sítio onde já criara calo do aparo! e todas as demais meninas a deixarem a sala, a prova terminada, e ela a ficar para trás, a engolir a humilhação de mistura com as lágrimas que só chorou em casa! e de novo:  dois vezes dois, quatro, e vão dois! e a voz da professora passando ao largo: então menina e essa conta nunca mais se acerta?!
A menina a fazer uma prova final em folha de papel almaço com margem dobrada pela quarta parte, e a caneta de aparo molhada em tinteiro de loiça enfiado no buraco.
Claro que histórias como esta não entusiasmam o leitor, ainda mais se ele nunca viu uma folha de trinta e cinco linhas em papel almaço ou um tinteiro de porcelana enfiado no buraco da carteira repleto até às bordas de tinta azul intenso.
E porque com este exemplo cuido ter argumento que chegue, vou daqui e não conto!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

oitavo de vários







esqueci-me de consultar o oráculo
esqueci-me de pagar as promessas
esqueci até qual era o caminho
vagueio
olha eu vagueando





olha eu
olha eu
olha eu












des. de Maria de Fátima


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

sétimo de vários






parcas 
indigentes mesmo
e uns cús enormes


uns cús
uns cús
que cús tinham essas mulheres











desenho de Maria de Fátima


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

sexto de vários







nada haverá
por detrás do número
nada além de 







unidades
dezenas
centenas
milhares















foto de Maria de Fátima

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

o quinto de vários





e que 2013 nos vá dando um pouco ...

 

 

de poeta

e de louco...

 

 

 

 

 

 

 




 
 
 
 
 
 
 
 
 
           
Goya

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

o quarto de vários





amanheceu-me uma nuvem no olho
um farrapo em cima do olho esquerdo
vejo mal
vejo só do olho direito






não vejo
porra 
não vejo








adaptado de René Maigritte

domingo, 23 de dezembro de 2012

três de vários


pancadinhas na madeira e que se vão feitiços
a mim feriram-se-me os nós dos dedos
foi isso










retirado da net


domingo, 16 de dezembro de 2012

dois de vários






ando nisto
ontem estive quase para subir ao guarda-fatos 
e depois despencar-me de lá abaixo
sustive-me
mas hoje andei o dia todo em modo triste


amanhã não me sustenho
amanhã subo
amanhã faço
































desenho de Maria de Fátima



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

um de vários







Emborquei dois pedaços de mim sobre a mesa do almoço
E depois fugi disfarçada de sapo



disfarçada de sapo
disfarçada de sapo
disfarçada



foto de Maria de Fátima



sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

o meu livrinho





               Eu ontem escrevi ali num comentárioe o que eu devia era ter saído correndo a ver a caixa do correio!
 Fiz isso, um dia atrás do outro, sempre  pela manhãzinha, mas hoje demorei-me, deixei para mais tarde, e o livrinho lá ficou o dia todo ao frio deste dia de inverno.
O livrinho ali abandonado, terá até lamuriado:
Eduardo, esta portuguesa tarda em fazer como você disse que ela faria…e agora escurece e está frio...
você comentou que ela era meio doida...era esta, não era?! e se ela não me pega?! 
Terá sido assim que terá estado o meu livrinho, e eu não me perdoo, ainda mais porque, quando abri a portinhola do correio, em vez de acarinhá-lo, colocá-lo amorosamente junto ao seio, tirá-lo de imediato de dentro daquele envelope, não o fiz, não! Egoísta, a dar-me tempo de poder desfrutá-lo com sossego, ergui-o na minha mão, a gritar ao maridão que me esperava no passeio: 
chegou ! cá está ele! 
e o coitado morrendo de frio e de cansaço.
Ah! mas depois foi lareirinha com lume crepitando e foi eu no sofá a folheá-lo! E ele, sabe, Eduardo, o seu livrinho, dizia-me a cada palavra, a cada frase, a cada virar de página que eu fazia:
que beleza de livro fez o nosso Eduardo, não é Maria de Fátima?! 
Sabia até o meu nome! Que bem industriado vinha! 
E a dizer-me, vaidoso:
que bem estruturado! que elegante! 
você não tá achando isso?! 
um mimo! um fazer de mestre esse modo de ir dizendo dos amigos, e assim naturalmente, levezinho, a dizer o modo como eu fui aparecendo e ainda tecer considerações (sábias, não acha do que já viu?!) sobre essa vida de ter blogues e alimentá-los!
Por demais este livro do Eduardo! exclamei eu em voz alta ali na sala onde a família via o noticiário. Eu sem poder conter-me, e o livrinho sempre cutucando:
estou vendo que você está gostando, e nem precisa estar falando isso, que eu noto no jeitinho de você virar a folha, no modo como vai passando o dedo... e nem imagina como isso me deixa tão contente!
e, diga-me, não é mesmo verdade que a capa é muito, mas muito mais bonita assim na realidade?! 
estou vaidoso de me estar gostando tanto!
diga isso ao Eduardo! pediu-me ele.
diga também que eu agradeço muito que me tenha mandado para as suas mãos! 
e diga-lhe obrigada
não esqueça de lhe dizer: obrigadão meu caro Eduardo, muito e muito obrigada por me ter enviado! 
E quando lhe coloquei uma marca de página a guardá-lo para outra rodada de leitura, ele pediu-me:
promete que amanhã me pega outro niquinho ?!
Deixou-me extasiada este livrinho.
Tanto que nem consigo dizer mais. 


Ah! Eduardo! ele segredou-me, e nem sei que crédito lhe encontre, que lá na página não sei quantos, eu iria encontrar sítio que, tocando, saltaria o calor igual da sua mão. Não me diga se é verdade ou não. Ainda não cheguei lá, mas depois conto… 

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein