quarta-feira, 5 de outubro de 2011

olhos de insecto



Ela nem responde entretida com a mosca, as asas transparentes e os anéis do corpo. 
Ou será da morte que ela se devaneia...
A voz indaga, conta, espera, e ela agarra uma asa do bicho, réstia de rendilhado ali sobre a mesa, o cadáver do insecto entre os seus dois dedos. 
Na sala iluminada com luz forte, apenas ela, Mariana, e aquele senhor que despiu o casaco e o colocou nas costas da cadeira.
- Duas vezes... 
A voz do homem ecoa pela sala, só paredes nuas, e nem mais janelas que aquele pedaço de vidro a correr junto ao tecto.
Duas punhaladas no pescoço, diz ele.
Ódio premeditado ou gesto incontido?
Quer que fale disso.
Como é belo o olho da mosca, assim, visto de perto.

domingo, 25 de setembro de 2011

a oval



Sobre papel grosso, assente no chão, desenhou com traço vigoroso. 

Primeiro desenhou um quarto de círculo.
Depois, deixou que o pedaço de carvão fosse escorregando até ao fundo da folha, curvando  para baixo – cada vez menos curvo, até ficar,  inscrito no branco do papel, a metade de um ovo.
Repetiu no lado oposto.
Simetria perfeita sem os rigores da régua e do compasso.
Desenhara, simplesmente, o contorno do que seria um rosto.
Parou a olhar o traço.
Salteou riscos diminutos. 
Um risco atrás do outro, a simular um cabelo farto, ligeiramente ondulado, e curto, muito curto – não deixou que sobrassem traços ao nível da zona onde seria a face.
Escorregou o indicador sobre um risco grosso que traçou de cima abaixo: sombreou um pouco, sugeriu volume, indicou que a luz vinha do lado oposto. E deu por terminado. Antes, assinou o seu nome no canto inferior direito, e a data em que estava a ser realizado.
Um rosto, e nem olhos, nem o esboço de uns lábios, um nariz adunco...
Levantou o corpo do chão de tijoleira onde desenhara sentado, o papel entre os pés, os joelhos flectidos.
Finalmente, aspergiu fixador sobre o pó de carvão, sobre o rosto imensamente triste da mulher que vira nessa tarde.


sábado, 24 de setembro de 2011

querido Ognid

já não me restam dúvidas minha estimada amiga e aqui venho, ao blogue aonde nos conhecemos e estimamos, recordar, que é função dos que ficam dizer dos que se vão e nisso dar-lhes o nosso quinhão de eternidade 
fazias essas belas fotos, e a gente, os que escrevinhávamos,  escrevíamos nelas e tu gostavas, lembras-te?!


portais escancarados
quais mãos esperando
dádiva
um mar de mundo
um céu de cores iluminado
o infinito na palma das mãos
um passo apenas
um desvio da gente
estamos no para lá de nós
no infinito
apenas um portão aberto...
o coração da gente

era no blog catedral onde tu assinavas Ognid e eu era a Seilá
obrigada meu querido Dionísio Leitão e até um dia, se os deuses assim o entenderem

terça-feira, 13 de setembro de 2011

eu assim entendo...

um sentimento acre que corrói o corpo
é causa, presumo, de ferimentos gangrenados nas partes moles
não foi disso que morreu o Raimundo? não foi de um ódio que ele ruminou em vida? não terá sido desse desamor intenso que lhe apareceu aquele prurido malcheiroso mesmo na zona em que o corpo se abre para dar saída à merda que tem dentro?
a mim sempre me pareceu...
convenci-me que tinha sido desses ódios, que não se deram em murros nem em tiros, nem sequer em desaforos: ódios calados que lhe foram roendo as carnes, destruindo, antes que tudo, a alma - uma vida inteira chafurdando nos seus próprios males...
eu convenci-me que gangrena e sarna e coisas dessas que dão em apodrecer o corpo, é mal de gente que tem dentro um sentimento do demónio
ou...
que deus me guarde!
que lhe deram um mal
alguém que, calado, o vem odiando
não terá sido disso que tonteou a Mariana e ficou falando pelos cantos o bom do Cipriano?
eu entendo...
que foi tal e qual aconteceu com o sobrinho do Raimundo...
disseram-me ainda há nada que deu fim aos seus parcos dias afogado no poço
que deus seja louvado!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

bucólico ou nem tanto

aldeias espreitando de cabeços ou despenteadas no chão da planície
pequeninas vilas
povoados onde a vida parece decorrer ao ritmo do sol e das chuvas
e das luas
hoje a têvê instala-se no café da praça e rivaliza com a natureza
e rivaliza com a igreja, que é uma mole a gente que se senta  a ver a bola ou a novela no écrã projectado na parede, e meia dúzia os que assistem ao santo ofício na manhã de domingo
aldeias a que se chega depois de tanta estrada, que me ocorre como seria quando os caminhos eram apenas os que trilhavam as mulas e as ovelhas
perdidas não estarão, agora, e até recebem, hospitaleiras, quem queira fruir do seu estado de alma que é o das andorinhas chilreando na manhã de uma chuva de agosto
ou será o ruído do carro acelerando pelas ruas, dez da noite, como se fora na cidade grande
aldeias com seus castelos raia afora
assomam ameias numa curva que sempre se abre na estrada alentejana ou no redondo íngreme de uma lomba
e há lá coisa mais linda que subir a um desses baluartes da nossa história e olhar Espanha muito ao longe, como nos tempos em que as damas mal cheirosas olhariam os seus homens cavalgando
isso, e os campos salpicados de oliveiras
rebanhos de cabras e ovelhas pastam nas escassas sombras e é como se Jesus por ali andasse de milagre em milagre

a paz que desejamos ver nas pequenas coisas...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

só se fosse...

Se me tivesse sido dado, num acaso, ter nascido só com um olho...
Um olho que abrangesse o espaço que vai da extremidade de um, à outra extremidade. Um olho que ocupasse a zona em que o nariz divide o rosto. Ou que ficasse só do lado esquerdo, a deixar um ror de face do outro lado. Ou o contrário.
Tivesse eu um olho apenas, de um ou outro modo, verde, azul, negro ou castanho, se fosse só um olho, eu choraria um choro desvalido, copioso, por qualquer desaforo.
Talvez não chorasse por tristezas, males de alma, desassossegos, mas por desaforo, estou certa, desataria avalanches do saco lacrimal do tal meu olho.

Apenas se fosse desaforo
apenas se fosse um único olho

Com estes dois
com estes jeitosinhos, um de cada lado
arrumadinhos como Deus mos deu,
nem uma lágrimazinha escorre
e podem dizer-me os piores horrores. 
Choro copioso, apenas se for tristeza funda, coisa de alma, desassossego.

Chorar por desaforo só mesmo choro defeituoso.

domingo, 21 de agosto de 2011

flor de lótus

Cambiantes de cera e os reflexos que a luz lhe confere. E nem um veio, um vinco, um dedo marcado de quem ali a tenha colocado por promessa, enfeite, ou tão só pelo gosto de a ver pasmada aos pés de cristo-morto. Nenhum  sujo de óleo que tivesse escorrido de um guizado. Brancura apenas, e os laivos multicores da luz coada nos vitrais.
Uma flor boiando no altar de nosso senhor.
Pungente, lancinante, o grito que já nem se ouve e ainda assim perdura pelos séculos, pelos milénios, mares e desertos, pragas e festins, mortes e nascimentos, e o rumor intenso do homem-deus morrendo pelos outros. O mesmo rumor que atravessa o branco desta flor em taça de vidro, soprado por pulmão de um que nem terá vivido no temor a deus.
Estames cor do oiro, e nem caule que a erga, magestosa. Uma corola em pura singeleza, diria que submissa, diria que temente. Diria mesmo que estará orando: perdão, senhor, imploro, pelos meus pecados e pelos pecados de todo o universo.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

o sublime valor dos vencidos*

Salgari,Hemingway. Dois escritores apenas de entre os muitos criativos, génios, que desde Séneca escolheram partir deste mundo a seu belo modo, em dia aprazado.
Usam modos solitários, por vezes prosaicos como Virgínia Woolf, ou fazem disso um evento público como Mishima.
Nem sempre ficam registos tão directos como  deixou Cesare Pavese no seu diário: "Os suicidas são homicidas tímidos. Masoquismo en vez de sadismo" e o seu lapidar: "Não voltarei a escrever"
Mas na obra de todos, uma frase, um poema, denotará a sua pulsão no confronto com a morte. 

Florbela Espanca nestes belos versos:
  
Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo outono,
Fecha os olhos, simples, docemente,
Como à tarde uma pomba que tem sono...

ou Mário de Sá Carneiro no seu poema Fim


Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!


Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.





"O suicidio é o sublime valor dos vencidos" - Maupassant que morreu num acidentede carro




terça-feira, 9 de agosto de 2011

obrigada Rolando

Eu não privei com ele
Foi coisa de encontros escassos na Tertúlia

E no entanto, deixo aqui o meu preito ao homem que umas poucas vezes disse, referindo o que eu tinha escrito: gostei muito!

Fico feliz que um dia, num acaso, uma palavra minha, seguida das demais, um texto, tenha merecido o seu apreço, o tenha agradado

E eu que creio que cada um leva consigo para o Universo cada letra, cada frase, cada gesto
creio cada vez mais nisso: que andarão por aí os nossos pequenos gestos levados por ele, alimentando o saber dos anjos

obrigada por seres, Rolando

sexta-feira, 29 de julho de 2011

o tio

Eram as férias grandes e a mãe mandava-mo
que viesse a banhos de mar para casa do tio Afonso
era assim desde a idade de seis anos
e nunca o tinha sequer admoestado
até hoje
- homessa – respondeu-me a coçar o pescoço com a mão dobrada, a venta larga latejando de um ar que lhe sobrava
vivaço o moço, pensei, e nunca o tinha visto senão menino, e nem aquele dobrar do joelho ininterrupto, enquanto me olhava
desisiti do intento que era fazer que confessasse
arrepiei caminho que mentir-me era doer dobrado, e eu queria muito perdoar-lhe
tentei bons modos:
- olha-me cá, Carlos, melhor será que a guardes na garagem, enquanto não a devolves
nem me olhou
agarrou a motorizada com as mãos abafando os punhos de borracha, e lá foi deslizando o engenho para dentro, eu atrás dele:
- mas olha que é só por hoje, olha que nem pensar em ficares com ela
e o moço esbaforindo, galgou de um só passo a berma baixa que fazia rebordo do passeio onde detivera a moto, assim lhe chamava ele, mas aquilo nem era mais que uma bicicleta movida por um motorzinho - um brinquedo que teimou em dizer seu
o meu sobrinho dilecto, o Carlos com apelido Ribeiro tal e qual o meu, a tentar ludibriar-me
que sim, que o Ernesto lha vendeu por uns tantos réis que tinha no mealheiro de anos e natais
disse assim e rematou com um:
- sabe?
como se falasse verdade, e não falava
a Domingas do supermercado avisara-me:
- olhe que eles roubaram uma motorizada: o seu sobrinho e mais o Malhado - o Ernesto do terceiro frente, vendo senhor Ribeiro?
tava vendo, tava: o sonso do Ernesto, filho da parteira
e o sacana do Carlos a arrumar a motoreta na garagem:
- posso colocar deste lado? - acalmara o latejar da venta
e eu desorientado, eu a querer resolver a coisa do melhor modo, que terei falado sem o devido tacto quando disse:
- Carlos, essa merda não fica aqui em casa: vai entregá-la ao dono
e os catorze anos do filho único da minha irmã mais velha tinham-me olhado como se eu tivesse enlouquecido, redondos de um sincero espanto:
- quem lhe disse isso, tio?!
ofendido de estar a ser acusado injustamente
a olhar-me como quem diz: está doido varrido?!
e eu, a vê-lo fedelho, decido que melhor seria esperar uma noite, deixar que entenda o erro, que na manhã seguinte devolva o furto
e, neste meu golpe estratégico, digo-lhe:
- sobe para o teu quarto, Carlos, amanhã voltamos a falar sobre isto

(chamei o Ernesto e a mãe dele, mais a Domingas
devolveram a motorizada
mas ninguém mais me devolve a noite que passei a congeminar: com devo proceder, meu deus, como devo sem umas boas chapadas?)







sábado, 23 de julho de 2011

amarelo-limão

Trazem um lindo guarda-sol as senhoras que chegam, e eu distraio-me a olhá-las nesta manhã de praia com água gelada. Serão mãe e filha hospedadas num dos hotéis debruçados sobre a praia.
- não te esqueças de levar as almofadas,
terá dito a senhora mais idosa, a repetir o que já tinha dito antes de abalarem, estrada fora, a caminho da semana de férias,
e terá usado o mesmo tom imperativo, muito antes, muitos meses antes de aqui estarem:
- este ano vê se arranjas um hotel perto da praia, Margarida,
o mesmo tom que empregou decerto, nem há nada:
- não te esqueças da minha toalha,
como se tomasse banho e nem os pés molha.
Margarida é o nome da filha:
- Margarida, chega para lá a cadeira,
diz, e ajeita o fato de banho com uma risca amarela no decote, uma risca larga que lhe contorna o seio farto. Amarelo-limão sobre o preto do tecido que a senhora estica um tudo-nada nas virilhas e sobre as coxas adiposas.
- preto, quero um fato de banho preto,
e terá sugerido:
- este ano, devias levar um guarda-sol maior,
este, que a senhora mais nova abre com gestos compassados, numa larga sombra: riscas finíssimas em tons de lilás, que alternam com um amarelo muito claro. Um guarda-sol de que eu gosto.
E a mãe, de novo:
- estica bem a toalha para não ficarem vincos no corpo,
e amacia o tom, quase choraminga:
- o médico disse que desse sol directo sobre as pernas.
Eu a olhá-las detrás dos óculos muito escuros: os delas e os meus, nem sei se oiço, se imagino.
A senhora mais nova acomoda-se na cadeira, senta-se nas almofadas no mesmo tom do lenço que lhe prende o cabelo impecávelmente penteado.
Debaixo do guarda-sol nada se passa que não seja mãe e filha, e o amarelo-limão das almofadas.
Nem a minha imaginação para quebrar tanto sossego,

Não estivesse a água tão gelada, e mergulhava.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

14 de Julho

O suor dos corpos tem um cheiro pestilento, e será dos ódios. 
Os ossos assomam sob a pele,  e há mulheres com filhos sugando seios secos.
De cada rosto emana uma força estranha, e os lábios ressequidos gritam: queremos a Bastilha.
Terá sido assim o saque, que a fome, o corpo a desfazer-se, fraco, os olhos sobrando dos ossos descarnados, ver assim os filhos, o homem não suporta.
Solta-se a besta.
Disto se erguem sempre os povos pelos tempos.
Disto se derrubam mitos, Bastilhas intransponíveis.  .
Só depois clamores de igualdade.
Só depois a fraternidade, a liberdade.
Só depois da besta saciada... 

terça-feira, 5 de julho de 2011

senhora ministra

   - Juro por minha honra que cumprirei ...
   A voz saiu-lhe firme, pausada.
   A mãe costumava dizer-lhe: olha que os deuses vêem tudo! e acrescentava, depois de um intervalo curto, o necessário para a olhar do alto do seu metro e meio, e mais um pouco, com aqueles olhos muito claros, os mesmos com que veria os deuses: olha que eles castigam as meninas presunçosas...
   Setas de fogo, e corredores sem ir aonde, e o chão a abrir-se em precipícios: uma lista imensa de castigos.
   Letra por letra, palavra por palavra, Maria Rosa terminou a leitura da lauda de tomada de posse.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

insónias

Queria morrer  de um pontapé que lhe dessem no pescoço; ou afundar-se num mar de mosto; ou um pé descair-se: ela a rebolar pela ravina e o mar profundo a receber-lhe a vida inteira, bons e maus momentos, e sobretudo aquele atulhamento que eram as noites de insónia,  neurónios e sinapses baralhando os tempos que tinham sido, com os que nunca seriam, e ela revolteando o corpo no colchão ortopédico, último modelo comprado pelo marido. 
Gostava que a morte chegasse como se fosse um acto de descuido, coisa acidental decorrida de ela andar cirandando em zonas escusas da cidade, ou ter ido passear no carapeto de arribas mal delineadas pelos ventos.
(o mosto, era um desejo antigo, um modo outro de sair de aqui para o infinito - desejos estranhos que passam pela cabeça de quem dorme pouco...)

sábado, 4 de junho de 2011

alucinando com Rene

hoje só me vêm à cabeça quadros do Magritte
e nem entendo, que o meu deveria ser um dia semelhante ao de todo o cidadão neste recanto, hoje, dia de meditação, dia para deixar que o conteúdo assente, crie fundagem, e disso surja a decisão, se ainda não tomada
e eu neste despropósito: as telas insistentes de cada vez que cabisbaixo, busco o ângulo necessário, a posição para que reflita em boas condições
são sobretudo os rostos... 
 
e é recorrente a tela do cachimbo...


vou tentar uma reflexão condigna, mas assim não prometo



quarta-feira, 1 de junho de 2011

dia da criança

as mãos dos meninos carregam o Universo
galáxias indescobertas
camadas e camadas de segredos
mãos sábias de futuros
as mãos dos nossos netos

sábado, 28 de maio de 2011

S. Teófilo

Entrou escondendo o rosto no cabelo solto, quase desgrenhado. Entrou, e um odor de perfume caro seguia-lhe os passos: ela esgueirando o corpo como se fosse sem razão vir àquele sítio, mas quisesse muito.
Era o sol quase posto, badalavam avé-marias surdas pelos campos. Na capela, rezavam as mulheres do costume - só elas e nem padre, nem mais ninguém que orientasse aquele rezar cadenciado: avé maria cheia de graça, e por aí adiante.
Sentou-se no banco derradeiro, numa ponta junto da parede, e só então descobriu o rosto. E era um olhar tão branco, tão vítreo, tão distante que, a olhar aqueles olhos, se espantariam os bandos de aves, e nem os anjos descuidosos ousariam pousar-lhe no ombro.
E nem rezou, e nem acompanhou a reza das mulheres. 
Destapou um frasquinho negro que trazia apertado na mão, e bebeu de um gole: via-se o escorrer do líquido através da pele.
Os anjos que por ali andavam, por costume, àquela hora, nem se aproximaram quando o corpo, ainda muito jovem, tombou na pedra fria que era o chão da capela.
E nem as mulheres pararam as rezas.
Apenas um dos santos, Teófilo salvo erro, revirou os olhos pintados na madeira do seu corpo de boneco, e chorou duas lágrimas por aquela morte.

terça-feira, 24 de maio de 2011

adoro estes espectáculos - este é no mercado de Valência

desafio dos escritores

desafio dos escritores
meu honroso quarto lugar

ABRIL DE 2008

ABRIL DE 2008
meu Abril vai ficando velhinho precisa de carinho o meu Abril

Abril de 2009

Abril de 2009
ai meu Abril, meu Abril...

dizia ele

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Mas quanto à primeira não tenho a certeza."
Einstein