
ainda ir fazendo bolas de sabão
lindas e coloridas bolas de sabão
Dona de Encarnação passava na minha rua todas as quartas-feiras. Passava quando era a hora para levar meu de meio irmão mais caçula a ver menino ir prá escola.
Havia dias que repetia este já quase ritual – abrir o computador e ficar ali horas até o sono lhe dependurar uma pálpebra na outra.







No fundo de uma arca arrumei






regresso da cidade grande
abismada de beleza e gente
apalpei-lhe duas ou três ruas
descansei nuns bancos, nuns degraus
apanhei-lhe o sol, mas não o jeito
senti-lhe o cheiro
mas não o do amanhecer ao sair do leito
cidade de curvas onduladas como tantas
esta como todas é diferente
linda
prefiro sempre a tua rival
a cidade pequenina
prefiro sempre, ai de mim,
a minha


Deixo os Parabéns a duas pessoas muito queridas que aniversariam nestes dias
No dia 19 Mariaras a velha e reencontrada amiga
No dia 21 o meu querido, o meu paciente Ognid .
Para os dois este extenso mar numa modesta fotografia que é arte que ambos praticam e amam. Um grande abraço a ambos.

Bluelandscape de M. Chagall






imagem "por entre as pedras"de José Rebelo[ Mané ]



Frente a frente
Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!
de Eugénio de Andrade

Quadro de Dali
Calorava na carruagem . Separadas por cada vida, gentes entravam. Buscava cada uma seu lugar longe da outra. Havia, naquela hora da tarde, muito espaço. Poucas gentes muito longes de um a outro banco. Tu na janela. O queixo na mão. Pensavas. Não muito pensando. Um laivo de pensar, rasando o olhar nas gentes, uma a uma, entrando na carruagem. No relógio enorme os ponteiros faziam um ângulo agudo. O sol batia no das horas. Ofuscava-te. Eram trinta depois das cinco. De apressado passo, a figura destacava no vir de lá do fundo. Não entrou na porta. Surgiu no meio de todas as gentes andando rápido, o sobretudo esvoando de sobre o fato. Uma barba entre o branco e o amarelo palha. Olhaste o que podias no ápice que se fez dele a esgueirar seu ir na extremidade oposta à que surgira. Ficou-te um interrogar de condição a dele. Ficou-te um a pensar que era figura de excentricidade. Não mais. Um tudo-nada além do cada um que buscava, longe de cada outro, sentar na carruagem. Solavancou de leve o corpo todo como de todos, cada um sentando sua vida no ir ou, como tu, no voltar. E de repente. Muito de repente, tu ficaste no susto. Um gritar. Parecia que tinha começado sessão de teatro. A voz apregoando. Ele de passo tão estudado, entrando do oposto lado em que há pouco se fora de teu pensar. Um passo bem diverso como dançando. As mãos segurando coloridos venderes. A voz apregoando como quem conta história. Nem que nada mais tu vias que a excentricidade consumada. Não. Aquele teatrar vivido incomodou-te. O real de um ele a entrar em cena a cada ir da carruagem. Sim. Confirma. O teu imaginar espezinhado. Vidas no comboio. Distraíste. Olhaste firmemente a paisagem.
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Onde andava cada um de nós naquele dia 23 de Maio de 2004?!
onde...neste mundo dos blogues quando me iniciei com um espaço ali num intervalos, agora ahpartes, de um indeciso, mas já e sempre seilá, então com muitas reticências sei lá...?!
um espaço que iniciei assim... tinham florido as minhas orquídeas
( tu aniversavas em aleluia de outras andanças desta vida! )
...devagarinho... com tantos de vós, amigos, fui vivendo e cheguei ao
UM ano a blogar!
como na Parábola do filho pródigo, hoje a lembrança aos que deixei de ver por aqui.
Mariaras a Velha... Armando do meu top do coração – nunca mais vos vi!
Inconformada que diz escrevo apenas (ai! o nosso Devil!! ) – onde andarás, amiga?!
Inde - disfarçado por aí...nunca mais o vi!
A eles e a todos que vejo dia a dia neste tempo diferente de por aqui,
o meu muito obrigada
a todos é devido o meu estar hoje aqui

tudo o que escrevo, eu escrevo por vossas mãos também...
escrevi para todos este texto invisível




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No mail estava um comentário a um escrito meu num blogue Livro Branco. Eu fui ver e aqui sorri e chorei ali...
e fui relendo logo aqui e, bem antigo, em dia de chuva aqui
e, já agora, vão espreitar ARTE...AQUI
Gostei de ir folheando... e lendo
como eles além .... como elas ali...
