sexta-feira, 26 de novembro de 2004
contradição?!!!
Amigo/s
assim uma coisa calma um escorrer de leve uma alegria doutro derramada em mim!
Eu estou feliz sinceramente! e sei que não é de mim que isto me vem!
por isso sinto-me assim tão bem! Ele está feliz!!! entendem ?! Ele está tão Feliz!!! e eu ...ai eu...sinto-me tão Bem!!!
Fui buscar, por isso, uma coisinha que considero querida escrita era eu uma menina. Publiquei um dia no início quase deste andar por blog! deixo aqui...
Ofereço-vos de novo com esta Alegria aos Amigos todos!
Amigo!
apetece gritar ao mundo
ir por aí dizer a toda a gente
Dizer que não é tarde
que vale a pena espear
amar e crer
sorrir e no sorriso dar-se
A hora sempre chega!
E, então..
o ribombar da tempestade
é doce sol nascendo
luz filtrando-se nos bagos da chuva
o sol, o firmamento
as terras, os mares
o trinado dos pássaros
o coaxar das rãs
o rugido das feras
o rumorejar do vento nos sobreiros
a calma do sorriso
o soluço no choro
é vida...vida!
A alma volteia em passos de dança
loucos, muito loucos.
Vestiste-a de brancos folhos, Amigo!
e ela rodopia
dança, dança, dança...
escorrega aqui, mas logo retoma
na mais louca das danças
ao ritmo voluptuoso da Alegria pura!
Ouve, Amigo,
Ouve!
És tu quem colocou na pauta
o dó , o ré, o mi...
as notas todas!
És tu, Amigo quem conduz a minha alma
quem doira de luz o salão
onde ela rodopia!
Debruçado nos prados, nos vales, nas montanhas
nos ribeiros, nas fontes
na vastidão do mar
na imensidão do espaço...
és tu... Amigo...
quinta-feira, 25 de novembro de 2004
que dia é hoje?!!!

Trocam-se-me as datas todas
Revolteiam-se números
Enrolam-se intricados nós
Apertam-se imprecisas cadeias
Hoje...
eu tenho a alma...
nem sei... está ela aqui ainda
ou se voou de mim
deste sentir de ferida
carne viva de Vida
Hoje...
Gritam por aí cantares
Oiço rufar tambores
vozes de multidão
megafones troando
na rua
bandeiras desfraldadas
Soam ecos surdos
Ecoam
Longe
Mal se ouvem
(escutem...ouvem?)
O calendário voou...agora
folha a folha
desabriu pela janela
revolteou no céu
(O céu ainda azul)
eu nesta confusão
de não saber dos números
(a quantos são?!)
Novembro...em eco oiço
doendo como antes
A jarra de cristal
e a panela de barro
estão ali em cacos
E os panos...
bandeiras descoloridas
Vermelho só o sangue...
... ainda corre quente
Hoje...
relembro...
havia um mês de Abril
depois um de Novembro...
...é impreciso...
é tudo muito longe...
(Que dia é hoje...então?! )
terça-feira, 23 de novembro de 2004
saudades
De coisas simples
Um bocado de corda pra saltar
Dois berlindes
Um aro de bicicleta e um ferro
Um carro de linhas, sabão, elástico
Um prego grande
Uma meia velha cheia de trapos
Um grão de bico um pedacinho de tecido
Um biscoito frito
O doce na côdea humedecida na boca
Uma fita vermelha no pescoço
Hoje tenho saudades dessas e outras
Simples...simples coisas
Um cabelo entrançado em duas
Um bibe branco... a mala de cartão
O cheiro de borracha e tinta
O quadro de artista plástico
num mataborrão
e no papel dobrado em dois
as formas fabulosas dum borrão
Hoje as saudades crescem-me
Saudades de coisas simples
As coisas, afinal, que me deste...vida
O cheiro que a terra tinha então
O sabor diferente em cada fruta
Joelhos esfolados lambidos a cuspo
A cópia rigorosa de caligrafia
A caneta de aparo
O tinteiro de loiça no buraco
O beijo trocado no banco do quintal
A cama de ferro de lençóis de linho
A palha solta do colchão riscado
Aquela tarde que não acabava
O verde mais verde que havia num prado
Hoje, nem eu sei...
Ficou-me uma saudade...
Do mar que era de cheiro intenso
Das covas na areia até ficar tapado
A bicicleta com dois, três e quatro
E a lama...a terra suja no vestido
E o vento molhando de maresia
E a chuva trespassando a alma
E os rios que corriam devagar
Os rios sempre quase parados
Hoje se continuo assim escrevendo
Hoje rebento de saudades
Hoje tu partiste
Foste de mansinho...
Sorrindo... acho...
Partiste agarrado à Vida
E eu fico falando assim
Destas saudades
a tua praia

domingo, 21 de novembro de 2004
Beijos...mãe!
e me lembrei
mãe
aquele que escreveste...BEIJOS
tu, Senhora de Poemas...
Lembras?!
(nunca me dei de t'ouvir senão já bem crescida...
que me me perdoas, sei...mas dói de mim
este ter desatentado tanto no teu escrever
Tu sabes, mãe!)
Aqui um teu poema!
Vão gostar de te ler!
Os meus beijinhos são brancos!
Escolhi a cor da Paz!
Mas todos...se forem francos...
de qualquer cor...tanto faz!
Sendo beijos amarelos
eles terão outro sabor...
mas também podem ser belos
quando dados com Amor!
Beijo azul é ciumento?!
Só o sabe quem o deu!
Dado com sentimento
nos fará subir ao Céu!
Vermelhos são suculentos
Saborosos com'a romã!
despertam-nos sentimentos
São assim...um talismã!
De cor de rosa os beijinhos
são o Amor...são a Ternura!
Transmissores de carinhos...
pois que dados com doçura!
São os beijos mais bonitos
os que os filhos nos dão!
São belos! são infinitos!
Gravam-se no coração!
Parecidos...quase iguais...
Ternurentos...amistosos
dados aos filhos pelos pais
com carinho e amorosos.
Ai! Beijos! Beijos fogosos
Cheios de outros sabores !!
Apaixonados...amorosos...
São rubros...cheios de cores !!
São beijos cativantes
quando eles são trocados
pelas bocas dos amantes...
Com ternura! com ardor!
Plenos de sinceridade
nas suas juras de Amor...
Beijos dão Felicidade!
Mãe em 1 de Fevereiro de 1992
quinta-feira, 18 de novembro de 2004
caminho/s

Uma estrada. Não. Um caminho. Uma vereda de areia. Em cada margem. Berma. Em cada berma pinheiros. Mansos. Pinheiros mansos.Redondos. Negros. Cerrados. Apertadas as copas. Copas baixas. Pinheiros novos. Não verdes. Negros. A noite caia. Sulcos de rodado na areia. Um carro. Ela guiava. Conduzido um carro rodava na vereda. De noite. Quase noite. Ainda se via. Pouco. Via o rubro do sol. Sol já posto. Era visto à esquerda. À esquerda da vereda de areia o sol já se tinha posto enquanto ela conduzia um carro escuro de uma marca antiga. Um carro grande. O carro rolava muito devagar. Olhássemos de longe nem tanto dali de uns metros e o carro se diria parado. Ela conduzia agarrada ao volante. Um volante grande. Redondo e de diâmetro grande. A cara dela encimava o volante. O queixo encostava. Encostava quase. Apenas o tanto para deixar rodar. Que nada. O volante ía parado. O volante não rodava. Era caminho estreito. Era caminho de areia. E era a direito. Em recta. Ela não sabia onde ía. Ía. O queixo apoiado no volante. Via ao fundo o areal de sulcos. Outros carros de antes. Antes do dela este. Passou um de repente. O carro estacou. Pisou travão nem mais que ao de leve. Precisava ver. O caminho andava em frente. Ainda se via areia até uns metros. Em frente. Depois era escuro. Desaparecia ali quase logo o caminho em frente. Parada para ver dois caminhos. Um de esquerda dela. Outro de sua direita. Dois caminhos abertos de repente no corpo do caminho que era antes um. Onde ía ela não sabia. Sim. Tanto fazia o qual tomar. Pensou no mar. Olhou um rubro em negro ali . Devia ser. Sol posto sobre o mar. Rodou. O caminho outro acabava. Logo ficava mato. Não percebia. Agora era mesmo já escuro. Era noite. Pensou onde ía. Não lhe deu a ela resposta. Abriu a porta. Porta pesada. Grande. Saiu. Espantou. Uma casa. Uma falésia. O caminho. Aquele sobre uma falésia. O outro não sabia. Fora naquele pelo pensar de mar que havia no onde se pusera o sol. O outro nem pensava. Pisava coisa mole. Chorões. Mar se havia estava ainda longe. Mas ouvia um som vrum vrum e era logo ali. Um sono. Assim um torpor de digo eu que conto. Talvez de receio. Talvez de indecisão. Ela sabia. Foi um arrepio de pensar cair. Não. Não sabia onde ou porque ía. Mas cair da arriba. Não. Isso sabia. Não queria. Rodeou o mato. Olhou. Flores. Jardim pensou. Mato plantado. Sorriu deste pensar. Uma porta aberta e de dentro luz. Uma luz fraquinha. Espirrou. Um despropósito. Um calhou. Alguém ouviu. Alguém andou. De onde estava cosendo bordando não sabia ela nada do de lá de dentro. Entrou. Pareceu que deslizou. Estranhou. Casa grande. Sala de tudo e outra mulher sentada. Não houve de dizer. Ela deslizou. Pensou que estranho nada me falarem. Mas andou viu mexeu. Parou na janela ao fundo. Um vidro só. Uma parede só vidro. Pensou que lindo! Espreitou do negro o que via do lado de lá do vidro. Um branco remexido. Lá ao fundo. Em baixo. Do lado de lá do vidro. O mar. Pensou que bom e virou. Olhou as duas. Três mulheres na sala. Palavra nem uma. Nada. Disseram-lhe que dormisse sem lhe dizerem nada. Disseram-lhe que ficasse. Sem nem uma palavra. Sorrir ela sorriu. Sorriso viu. Não. A mulher levantada era sisuda. Loura. Alta. Magra. A outra sempre a cara baixa. Sentada. Lia. Bordava. Ela nem percebeu. A loura alta sisuda parou de frente nela. Uma chave pegada na mão. Não. Sentiu um arrepio. Um arrepio diferente. Este não era frio. Sabia. Era um quase medo. A porta abria. Não havia nada. Uma luz tão forte. Não era dia. Isso ela sabia.
Acordou. O sol batia em cheio na cara. O cão ladrava. Abriu os olhos devagar. A gata ergueu um em arco de cauda alçada. Piscou. Afagou a gata. Saltou da cama. Que raio de sonho estranho. Pensou. Como é que o carro andava? Que raio de casa! Bolas deixa-me ir ver as horas. Meio dia! Nunca lhe acontecia. Sorriu e levantou. E ele? Ah! Saira já. Voltava a almoçar. Descansa. Está tudo feito. Debaixo do chuveiro morno inda cantou.
segunda-feira, 15 de novembro de 2004
voltas...
Acordado. Olhar vago. Alma pesada? Um fardo?
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domingo, 14 de novembro de 2004
mais que nostalgia...mais...
Estive a ouvir no meu velho vinil
Ouvi tudo e voltei a ouvir . Aqui deixo a segunda parte do texto que, depois de uma busca Google, retirei daqui Obrigada UNO
Segunda Parte
Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe. Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.
Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.************************************e ainda estive pensando e lendo sobre essa coisa obscura da pobreza e dos pedintes a propósito do texto de hoje da Blueshell
fica aqui um sinal
sexta-feira, 12 de novembro de 2004
fuga
Apenas a sensação de boiar
em cada superfície
da descida às profundezas
apenas flutuar
afogando-me
na água que um dia verti
Sem memória
Sem ouvido
Sem vista
Sem tacto
Sem sentidos
Sem corpo
que não o que se precipita
para mais nada

(escrito e desenho de finais de 02)
quinta-feira, 11 de novembro de 2004
luto
O MUNDO PERDEU UM HOMEM!
::::::::::::::::::::::::::::
AGORA... por favor
leiam o post anterior!
sff...!!
quarta-feira, 10 de novembro de 2004
a cura
Fugaz o nascer e o morrer à desfilada
Fugaz ser feliz
Fugaz tristeza
Mas vem de lá grávida a certeza
De que é também fugaz a madrugada
Que apaga a fugaz noite
E faz o dia
Que por nós passa e repassa sempre à espera
Que dele se faço
Por fim
A Utopia
mas eu desouvi dele...
eu insisti na gritaria e postei aquele texto de eufemismo dito momento de alma negra sangrada marafada (olha! onde andou o Ognid?! também pronto na fica linkado!!) que foi de “baixa” o raio do dia!
E foi-se do negro aliviando com os passinhos de leve da MWoman
Entrei e li em silêncio...nada mais direi. Não há receitas. Um beijo muito grande.
A sempre doce e discreta Wind Estou contigo! beijos:)***
O amigo filósofo Willnow (não era para dizer nada, como o pedido). Que adiantam (mais) palavras? Como traduzir um sentimento? Li o poema e sei. Isso me basta (que o único destino é partir!).
Vai daí aparece um castiço que do Além se apercebe que por aqui andava alminha em desassossego e o Porquinho da Índia amigo Bertus obedece à ordem de nada dizer e desata a escrever a escrever .... assim:
....calado que nem um túmulo (brrrr có horror!) eis como aqui hoje me posiciono: hirto, quedo e mudo -que escrever não é falar e sei que te agrada ler as bacorices que debito (não sou nada vaidoso...) e acho que estás em grande estilo com o teu poema pois que pelo tamanho ( e pela qualidade!) dava para uma ópera; se quiseres posso fazer os cenários e ainda contratar um barítono e uma diva (atenção que não escrevi divã)e a orquestra ficava por tua conta. É só dizeres que tenho conhecimentos no meio (é no meio que reside a virtude...) e até eu próprio dou uns lamirés no belo canto. Entrei uma vez no Barbeiro de Sevilha; interpretava opincel...da barba.Que tudo te continue a correr de feição -ou de maré-, que os ventos e oa mares estão propícios à navegação. Já mandei "notícias do além". Beijinhos e intés!!
Lá mais para a tardinha, creio, aparece, coisa rara, que me fez pensar que isto devia andar mesmo muito sentido e ou então o escrito era tomado por belo escrito da alma bem sentido, isto para dizer que aparece naquele silêncio em cores de aguarelas o poeta das cores o querido Almaro....vinha ele, assim o entendi, despido das coloridas e silenciosas cores com que veste as palavras e escreveu uma coisa em que, já vão ver, além de Colibri eu sou, para ele, Gato em Cão e ando por aqui a deixar de mim pegadas no meu próprio chão. Mas, claro, sempre tudo dito com acerto... eu é que me deu pra rir (mal feito!!)

És um colibri engraçado que se esconde curioso a espreitar o “des / ser”.
Será do gato em que te passeias no cão?
Não sei, nem tenho que saber. Mas hoje vi-te desenhar as tuas próprias pegadas, no teu próprio chão.
Ilusão?
Acho que não!
Estás engraçada, hoje, assim, pregada no Teu chão…
A todos do coração muito obrigada!!!
momento
partir para uma viagem
sem sem som e sem sentido
simplesmente nem ir
des/ser de mim
vaguear por aí
sem fusos sem sequer tempo
sem gente
sem sem sem sem
desouvir o que tanto oiço
rebentar as correias
retirar o cabresto (o de mim)
abrir os braços
apanhar a chuva
(e não cegar de sol!)
partir aos tropeções
picar-me nos ramos
numa floresta escura
(desver o sol em cima!)
cair numa cratera
num buraco
(cilada para fera!)
desarrumar os livros
partir todos os discos
riscar as folhas todas
(riscos riscos riscos!)
amarrotar tudo regar a gasolina
(depois ficar olhando o fogo!)
partir de mim pra loooonge
e nem sequer partir
ficar aqui quietinha
no fofo da cadeira
olhando o crepitar do fogo na lareira
des/sentir esta dor que fica de pensar
desatar este nó que fica de sentir
deslassar tudo em mim
devagar sem tempo sem horas
ficar mole a parda
parada
não ter que responder
(porque sou perguntada?!)
deixem-me só sofrer
assim apenas assim sem ser por nada
(porra!!já nem se pode estar simplesmente cansada)
cansada sem razão sem motivo aparente
cansada de si mesmo e no entanto querendo
apenas e tão só estar consigo mesmo
assim sossegada sem mais nenhum motivo
que seja o de estar descansada
Porra!! Sempre ter que responder!!
Caramba!! sempre ser comparada
consigo mesma...e ter FORÇA!
Que puta de palavra!!
Força força que nada!!
A quem me ouvir...
Por favor!!! Por favor!!!
Não me diga NADA!!
Sobretudo não diga espera que isso passa
ou que tenha força
ou que grande depressão
(caramba!!! tanto chavão!!)
digam se aprouver disso
que ouviram só!! e estão comigo!
Mais nada!
O resto o resto é cá comigo!!
E desde já vos digo de coração
OBRIGADA!!!
terça-feira, 9 de novembro de 2004
a uma Amiga
negro brutal irracional
de ti me fiquei pensando
e quase em oração te reli
(nas tuas buscas...sabes que te entendo...)
também esta oraçãoé para/por ti
Eu sei só tu , Vida, és minha resolução
No que em mim é irresolúvel
Neste ponto sem retorno,
Sem saber mais como existir
Neste faz de conta de vida.
Não me deixes mais
Aqui neste espaço-tempo
Presa e livre sem solução
Nesta imitação sufocante de Ti,
Na vaidade e crueldade de não sermos
Negando a beleza que somos,
Que mais não consigo aguentar.
Deixa-me ser só minha parte
Da água dos rios , do mar
E da foz em que todas se vão misturar.
Minha parte do ar
Onde os pássaros vão migrar.
Minha parte
Da fluidez da lava.
Minha parte da seiva das árvores
Da beleza das flores
E do alimento dos frutos .
Minha parte do riso
De criança de braços abertos ao Sol.
(Escrito de uma Amiga ...
parte final de um extenso texto a que ela chamou
Ponto sem retorno )
domingo, 7 de novembro de 2004
Ao raio dos servidores!!!!!!
sábado, 6 de novembro de 2004
conflito
pensem pensem só
imaginem
ainda mais
sintam
pedradas de palavras
rebentam baralhadas
informes disformes
entrelaços
pedaços
palavras desfeitas em letras
desarrumadas
borradas de cores
palavras desfonadas
zunem revoadas
toneladas de escória
lava esfriada
zunem
doem
desarrumadas
palavras que não dizem
nunca disseram
palavras esfriadas
cansadas
palavras desfaladas
minhas as palavras um dia
hoje de novo
palavras desditas
as palavras dominam
quinta-feira, 4 de novembro de 2004
re/Composição
O que a ela mesmo mesmo lhe apetecia era gritar. gritar que a deixassem só. mais só do que aquele só que era todo estar todo companhia. aquele só que tanto lhe pedia. Gritar que a deixassem. não um dia. dois. uma semana. Gritar que a deixassem sempre. Que não lhe precisassem. Ou. se o sim. lho não pedissem. Que deslembrassem assim como em desastre que se diz amnésico. ficarem todos despensados dela. Gritar que não estava. encerrara. não para obras balanço remodelação. Não. não estava simplesmente. deixara um bilhete ou nem tal e partira. melhor seria assim - eles desconheciam dela que existia. Nem partida. Nem bilhete. Desconhecimento. Um atrás de tempo .Gritar neste momento era tão só o que lhe apetecia. Mas gritar não resolvia. Fingia. Fingia que via. Olhava.Uma luz. Que nada! O que via era o que supunha ver. No ponto em que assestara o olho só estava uma casa e dentro dela sentada na janela uma menina. Vestia um bibe. Em cada ombro do bibe ela vestia um folho. Ou era asa?
Chegou-se mais. O muro de cal amparou-lhe o corpo. Sentiu-lhe o frio. Sentiu mais. Sentiu o limite ali da aproximação. O muro limitava. O muro empurrava. Encostava e de resposta levava um empurrão. Era assim como se o muro estivesse a dizer daqui para baixo não.
Era! ela estava assim. apertada entre um muro e o resto. Mais. Ela estava numa caixa. Não. Não era uma caixa grande. Muito menos era uma caixa fechada. Nem. Nem de madeira ou metal ou material duro resistente ao abrir. Resistente ao sair de dentro que quer que fosse que lá estivesse. Não. Não caixa onde estava... entalada... dobrada. Essa era simples. Mole. cartão. nem isso. papelão. Entalada. nela estava. Sentia assim como se...se estivesse. Sabia que não estava. Pensava até. Que tinha as peças desencaixadas. Que, a sair, teria que se reconstruir. Um braço aqui, ali um dedo. .É. Se não se cuidasse, a ser assim, inda ficava o médio na ponta onde devia o mindinho estar. Devia ser lindo! É. Via. Só. Plena de vontade de gritar. Isso. Inda assim sorria só de se assim pensar...um mindinho no meio e nas pontas um médio e um polegar.
O olho dela entretanto olhava. E via a menina que estava. Sentada no parapeito da janela. Muito lá longe. Tanto que só com a ver de um olho lhe alcançava. Por isso passou a mão em cima. Tapou o outro. Agora via. Via mesmo bem.
Curioso! destas coisas que a vida tem! depois de tanto olhar com aquele olho que só queria ver e não gritar... gritar era ela que queria.
Depois do olho e do muro e da menina e do bibe...
Curioso...passou-lhe aquele apetecer de ir. Aquele querer que lhe esquecessem.
Até arrepiou de horror um nadica. Um pouco só.
Afinal estava apenas a olhar ao longe.
Lá muito muito tanto de longe estava a menina.
Agora sorria. Olhava. Via. Sorria... em vez de gritar...
E...curiosa vida.
Um choro levezinho suave quase doce escorreu...
Teimoso do choro escorreu daquele e também do outro olho.
Limpou na saia a mão molhada e ficou olhando a paisagem. Com um e também com o outro olho. Olhou com os dois olhos. Depois...sentou no muro a perna. Uma só.
Mais não precisava. E ficou pensando.
Curioso! agora sabia que pensava.
Pois. Pensou que iria... e depois viria... e seria sempre bom ir e vir.
Sempre saber que voltava.
Lá muito longe a luz que vestia de bibe a menina na janela da casa...
sumira devagar.
Ela nem dera por nada.

segunda-feira, 1 de novembro de 2004
Sorvete
Os cabelos redondos. Uma negrura de pele. Redonda a anca. Um por detrás redondo. Rolava pé descalço. Rolava! que não anda quem assim andava. Por detrás do assentar do pé, ficava um chão pisado. Igual?! vocês o pensam! Pois desigual vos digo eu que é! O chão que ela pisava rolava de um pé a outro pé. Nem ela era que andava! disse. Sim! Era o chão que rolava por debaixo do pé. Negrinha toda. Não. Minto. Rosada a língua aparecendo no lamber calado do sorvete. Sorvete castanhinho que nem ela. Um chocolate lambido de rosa. Rosa também o dela no debaixo da mão. Debaixo era de cima e um par. Isso era mesmo. Quando aparava água de chover pingo de céu. Rosado sim! olhando para cima, ficava o em devolta do negro muito preto do olhar. Redondo. Um negro em fundo rosa redondo! a olhar. Agora. Ali. Rolando o chão no que se diz de andar. Ela. Passando língua rosa em chocolate mole. O calor do sol. Redondo o sol. Desmantelado o doce chocolate do calor duplicado. O sol e a língua rosa. Luta desigual. Cai pingo na blusa. Cai pingo junto do céu. Cai o que se diz de chuva. É. O pingo redondo no lá em cima da nuvem. Caindo engelha. Estica. Fica forma tal de pingo de chuva. Cai. Arredonda em cima da blusa. Ela pára. Desvolteia o chão de terra no em redor do pé. Olhem! Por debaixo do negro (o pé) rosa/amarelado. Rosa por de dentro e por debaixo. E ela...toda ela chocolate. Negrinha. Parada olhando. Um olhar redondo. Vendo. A boca aberta suja de sorvete. Olhem! Rosada de rosa quente até mesmo ao lá de dentro.
Negrinha tola olhando a chuva e perdendo sorvete.
imagem adaptada d'aqui
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
exorcismo
a boneca mulher...
mulher sentada...
desgrenhada....
desenhaste-a...
quantas vezes...
mãos amarfanhando o desalinho do cabelo...
cotovelos esventrando os joelhos...
força de um desespero...
não sabias...ainda...
então...não o sabias...
desenhaste...bonecas...
a óleo a lápis a carvão...
agora...agora sabes...
agora ela e tu...
sentadas no degrau da escada...
o desespero...antes...
antes deste estar
sentada...ouvindo...
tu...desgrenhada...
no degrau da escada...
ela o vivia... antes...
papel esborratado...
olhando-te...
o desespero da duvida...
os cabelos dela...os teus...
o sem - sentido dela... o teu...
enclavinhadas as mãos...
as tuas mãos...
o desespero...
a duvida... a dor...
a tua...a dela...
riscada no papel ...antes...
muito antes...
muitas vezes...
antes...
deste sentar... ouvindo...
no degrau da escada...
vivias... antes...
boneca...
desenhada...
(adaptado de texto escrito em 18/1/03)
quarta-feira, 27 de outubro de 2004
lua cheia

O DORMITÓRIO III de Vicent Van Gogh
domingo, 24 de outubro de 2004
lembrando
recordares...
Almada Negreiros...O Nome de Guerra... Maternidade...
esboços do antes de ser...desenhos...
cópias enchendo paredes...eles pequeninos...eu...
os outros...os desenhos...os nomes...as palavras....
aconteceres sempre...

terça-feira, 19 de outubro de 2004
UM
Este escrito ...(aquele, afinal ali abaixo!) ficou por ali escrito sem mais memórias ou com tantas!
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Escrever...agora...
Era costume escrever mais tarde.
- Adormeceste?
Ouviu.
–Não! Estava a tentar escrever, mas... esta não é a minha hora.
E sorriu.
Ele vinha sempre voltava sempre. Nem se apercebia.
O telefone soou (ou era o telemóvel?!).
Clicou. (clicar era termo que gramaticara ali e no de escrever que num tempo de dar lhe ofertaram e ela se impusera que a mão entorpecia na escrita habituada e gostada de caligrafia).
-Está?!... Tá?!... Viva! Olá!!! (.....) sim...diz......
(Era a filha! )
quarta-feira, 13 de outubro de 2004
enquanto...
Pancadearam na grade. (Podíamos dizer simplesmente que bateram à porta. Mas se não havia isso, há que encontrar modo de dizer de onde aquele ruído.) Um ruído surdo sobre tábua que é muitas tábuas com vários entres entre elas. Duas vezes bater. Às duas, foi ela que acordou. Ela. Um dos eles que dormia aconchegado,apertado (como vos aprouver). Arrumou um olho aberto. A cabeça descaiu do lado do ouvido que primeiro ouvira. Quem seria?! E isto não pensou. Gritou para o de lá dos entre tábuas quem é? Um grito que sabe, não é grito. Afirmação, não pergunta. Ela não falou. (podíamos dizer, apenas, que ela acordou com aqueles bates e esfregou um olho e pensou: “quem será?” mas...não foi bem assim...) Ergueu-se. Um corpo por de cima de outros. Alinhado numa vertical. Mais os outros se ficaram vistos na contrária posição. Corpos outros, que não ela, ondularam em espasmos de desouvir remorejando babas e sonidos sem voz e sem tino. Ela, a mão, nas tábuas. Os entres e as tábuas deslocadas para um ângulo agudo com...(podíamos dizer, simplesmente : levantou-se e abriu a porta, mas...não foi bem isso...).
Assombreou-se o escuro do de cá do ângulo, com o escuro do de lá. O emsombreado deslocou-se. O ângulo desfez-se. Ela seguida pelo que emsombreou. Acresceu um odor novo. Tudo renovou à horizontal. Tudo, não. O banco! O banco a fazer quatro ângulos com o tudo embaixo a ele.
Cheirava a cheiros. Rugiam silêncios entre corpos. Silvos. Esgares. Soluços. Fungares. Um choro. Um vagido. Um ranger de molares.
Nos entre as tábuas começava a clarear. O banco assomando num raio de sol à altura,precisa e segura,de uma mão, a primeira a sair de leve, nua, para o acordar de um dormir (aconchegado ou apertado, como vos aprouver) e correr para o de lá da rua.
segunda-feira, 11 de outubro de 2004
dueto a uma voz
(Eras tão magra!)
Expeliste uma lufada de fumo branco enquanto equilibravas entre dois dedos um cigarro borrado do leve avermelhado com que cobrias os lábios. Lábios que deixaste um instante entreabertos como se um espanto se tivesse deles apoderado. Num lampejo que te foi indiferente, cruzaste com os meus, teus olhos de um azul debruado a preto como se pincel de artista chinês lhes tivesse desenhado contornos. Afastaste o fumo dos olhos com duas cortinas de renda negra que fizeste descair, levemente.
(O meu vestido ficou mais velho. A barriga distendeu-se-me um ror de centímetros. Uma fila de bonequinhos colocou-se em cima da mesa especados em gargalhada! Calei-os. Calei as gargalhadas ridículas. Desfiz-lhes a fila que formavam - cada ano da minha idade ali em meu redor, espevitados. Arrumei-os com o ar sério a que obedeceram na responsabilidade de me tornarem uma jovem senhora idosa. A barriga voltou à sua dimensão real e o vestido descaia sobre ela numa cumplicidade que os fazia, e a mim, readquirir uma serena dignidade.)
Foi um lapso.
Voltei a olhar-te...vendo. O teu sorriso foi tão inconsciente e sincero como o meu.
(Terias, tu também, a teu modo, sentido maior que nunca a tua magreza? algum osso a salientar-se indevido? Terias, por um lapso, um par de anitos a rabiarem sobre a tua mesa? Porventura terás sentido que as calças estavam demasiado lavadas... ou demasiado sujas?)
Aliviamos as nossas duas esperas quando o teu isqueiro se recusou acender novo cigarro. Foi planeado o gesto que nos soergueu com o mesmo objectivo?! olhando tu primeiro em volta e só depois se me dirigindo, e eu fingindo que não via a tua busca, aguardando ser solicitada.
(As calças estavam de facto demasiado lavadas e com vincos colocados ali no local certo de uma calça de corte. A blusa tinha o toque de uma marca que não identifiquei. As duas peças estavam separadas por um cinto de cabedal largo que apertavas, não displicente, não sobre um local qualquer das nádegas, mas bem assente na cintura. Calçavas sandálias rasas de tirinhas de um verniz azulado nuns pés de unhas bem tratadas e coloridas de azul, como nas mãos.
Como os olhos!!).
Retornamos às nossas esperas mordiscando a borda das respectivas chávenas, enquanto o café escorregava devagar. Gesto que repetimos quase em sincronia.
(E, de repente, desapareceste-me. Quero dizer, deixei de te dar atenção, perdi-te.)
Quando voltei a olhar, a mesa estava repleta de bonecos que só eu via e o teu pescoço saia da blusa numa rodada de pregas confundidas com um colar de pedras avermelhadas; as tuas mãos esguias e magras estavam igualmente fendidas de rugas e alteadas de veias arroxeadas. Um aro grosso cobria-te quase metade do anelar esquerdo.
(Pasmei e observei melhor – avidamente.)
Sorriste-me de modo consciente. Atabalhoadamente, respondi com um olhar que devia ser despegado do sorriso pois dirigia-se-te de outra forma que o sorriso – tentava perceber.
(Sim, era o teu olhar, apenas ele, que te fizera toda quando entraste. Apenas o olhar.)
Só então respondi ao teu sorriso.
Dois adolescentes sentaram-se ruidosamente, calorosamente, pedinchosamente à tua mesa.
Sorriste ao meu real sorriso.
(eu já me distraia com outras chegadas)
(rascunho encontrado ...1999?)
Hoje saí e esqueci o riso pendurado no cabide
deu em chover esparsado e eu sem o riso
apanhava a água (toda aquela água!) em cheio na cara
lágrimas do riso chorando de o ter esquecido!
sábado, 9 de outubro de 2004
quase oremos
“Pega numa lágrima,tua, com dois dedos (polegar e indicador, de mão qualquer),
ao de leve, não vá ela fugir e perder-se no ar ou no chão.
Conseguiste? Bravo! Bom começo! Agora, olha-a! Que cores vês? Quantas? Uma? Duas? Consegues dar-lhe nome? Tem todas as cores do teu rio e da tua saudade.
Se olhares bem, são os teus olhos que se reflectem da tua lágrima.
As nossas lágrimas é o nosso EU, todo lá dentro…”
juntei a voz doce que hoje de mim se acercou
de um grande amor, de um meu amor!
fiquei da saudade acalmada....
e assim...
(mais a chuva com que enchi mãos e alma)
a tristeza se enrolou e...
de mansinho...
descansou de mim!
Obrigada!
sexta-feira, 8 de outubro de 2004
momento
a saudade perpassa como um rio de lava
nada mais que pressão no peito
de rir a vontade está recostada de dormir
uma lágrima pede que me deixe assossegar
digo-lhe que se aquiete
que se desfaça de companhia
em torrente
de vez, me acalme esta saudosa alma
de vez, por um dia ao menos,
esta tristeza se alonge
(o ar paira de uma humidade que não se dá em chuva!)
terça-feira, 5 de outubro de 2004
palavras
Sabem o que é querer escrever e não ter, ali à mão, uma folha de papel?! andar esgravatando ao derredor e nada que não esteja já escrito e a tua cabeça estrebucha de palavras como uma torneira a pingar de desarranjo sem mais que o chão onde escorrer e a alagar casa! Assim, as palavras numa cabeça sem um papel onde a mão escreva qual vaso parando ou sustentando a água, vão pingando e perdendo-se no éter mesmo quando, já tresloucada de procurar papel que as sustenha, ou mão que as estanque, te ouves palavras a saltar em tua volta e são elas saindo-te pela boca em sons desconexos molhando o ar em volta, perdidas, formando por vezes frases como os pingos acabam por formar um lago que invade tapetes e pode causar, a tempo, inundação pior que igual a chuva grande. Assim, as palavras sem um papel onde assentar.
Um dos papéis encontrados, neste quase delírio de impedir que as palavras inundassem o ar em volta, estava escrito numa das faces com um poema. Um ror de palavras que não vieram de ti. Alguém as escrevera nele sobre a vaidade, os palcos, os que batem palmas e os que são ovacionados; alguém que talvez tenha andado aos papéis anos e anos, ou, talvez, tenha começado apenas a sentir a força de percorrer o papel para se parar a palavra, precisamente quando cresceu a necessidade de andar aos papéis. Antes, talvez, digo eu, nunca tenha sentido esta quase compulsão de escrita, de deixar a palavra desfazer-se amparada, qual pingo de água no balde, sobre a folha...ou rebenta...inunda...enlouquece...entope...derrama-as em discurso anódino.
Mas...o tal papelinho escrito de um dos lados, dizia (dizia-te?!) que o mundo é um palco de representações/ que o peso das reproduções/ a afirmação das imagens/ nega o amor/ que se deve afirmar. Dizia mais... o papelucho, menor que a tua mão já de si pequena, ali abandonado, afinal também escrito na outra face como um vulgar papel de lembrar que preciso de ...comprar...fazer. Dizia, em letra de escrever em teclado impresso a um rosa esbatido, que o tempo da vida faz/ o meu ser estrebuchar/no vazio/ de nem a uma nem outra/cena pertencer/e de o circulo vicioso/ entre poder da submissão/ e submissão dos poderes/(...) estilhaçaram-se as representações/que sufocam as emoções.
Toma lá para aprenderes a ter cuidado quando procuras papel para escrever – NUNCA LER!!! Precisas de papel vazio! um papel com palavras é um perigo – como um balde cheio de água ou colocado de fundo para o ar debaixo da torneira que pinga. Não deves ler...nunca! quando andas, assim, em busca de papel!
Pronto, agora, o tal papelinho diz, tal e qual o que (talvez!) as tuas tais palavras fossem dizer escrevendo em papel outro: Exilada/ fora e dentro do mundo./ no lado invisível/ o dos sonhos de todos/ para lá das ilusões.
O papelucho a reenviar os pingos de volta em ricochete ( as palavras para dentro da tua cabeça, da tua boca) uma magia, mas uma possibilidade que as leis da Física não desmentem – tudo uma questão de direcção do pingo e de momento cinético no ressalto. A palavra a bater na folha escrita e retornando, palavra que não escreveste chocando com palavra que está lá, direitinha para o local de origem na tua boca, na tua cabeça.
O papelucho, ocasional na busca doutro, fez-te (diz lá, diz!!) fez-te engolir as palavras que ias escrever. Deixaste de pingar!
Não te foi permitido alagar como farias sem qualquer papel. Afogou-te a palavra e remeteu-te ao sentir.
Como dizia o papel: deixando sair os sentires/para sentir a plenitude da existência corporal/como a pertença universal.
E aqui, precisamente nestas palavras, o papelucho foi rasgado. Alguém (tu?!) mataste as palavras...um dia...não viste o lado escrito a rosa e escreveste, apressado, um lembrar de cebolas, carne, arroz e um prosaico ir ao banco. E...não sentiste as palavras chorando, contorcendo-se no rrrrr do rasgar transversal?!
Querias saber mais...o resto... não existe.
Agora talvez seja o tempo de escrever as tuas. Só agora...depois de mescladas com as do papelucho!
(Afinal havia tanto onde ir buscar papel e logo havia de te aparecer este papelucho escrito de rosa e rasgado tão transversal que te permitiu as palavras, perturbadoras...vivas!)
Agora, talvez, já não seja o tempo de escreveres.
A manhã já abriu de sol. O silêncio ensurdecedor das tuas palavras amainou e, lá fora, surgem os rumores de mais um dia. Um domingo. O fundo longínquo do sueste, o deslizar seco das folhas de buganvília no quintal, um cão, o tic-tac do relógio estragado na parede.
As palavras acomodadas na cabeça qual torneira que parou de pingar...
(Escrito em 25/9/04)
segunda-feira, 4 de outubro de 2004
Ai estes Blogueiros!!!
A resposta certa era:
Vão lá dar os parabéns à moça !
e ler o livro dos amigos, caramba!!
domingo, 3 de outubro de 2004
Retribuindo...
Olá linda, menina Inconformada!
A Seila pediu-me pra lhagradecer, a publicação do texto dela no seu bi logo...
Tá vendo? Pois... eu bi logo que a menina bia!
Tá então feito o agradecimento!
Aproveito, eu agora, a vaquita, para dizer reconhecida e de minha voz "muuuuu", tal como a menina gosta!
Porquê?! Ora, não seja tímida!
Eu sei que a menina tem um fraquinho pela minha gente!
Afirma, mesmo, que “cada vez que alguém vê uma vaca lembra-se de...” si.
E, disse a Seilá, que a paixão é tal que já viajou “da Dinamarca para Lisboa com uma ao colo “.
Ora isto deixou-me desvanecida!
Conte, de hoje em diante, com mais esta vaca às suas ordens olhando-a dia a dia com “olhos imensos e pestanudos” neste meu jeito “pesadão e maciço”!
Gosto da menina e pronto!
(Texto livremente inspirado num documento encontrado num manuscrito da ERA SAPO e datado de julho.07.2004 )
sexta-feira, 1 de outubro de 2004
Acasos em REDE
E na página 31 do livro que estava mesmo aqui ao lado (finalmente encontrado nas bancas cá do burgo e lido ontem à tardinha) e seguindo à risca a condição de ser a primeira frase completa, rezava assim:
mas eu vou fugir à regra e escrever as outras duas frases que terminam o parágrafo primeiro desta página 31e que rezam assim:
Ter feedback é fundamental. As Redacções proporcionam recompensa material, sobretudo,mas pouco calor humano. Ora, disso não falta na exaltada blogoesfera.
E agora os meus estimados leitores exaltados blogueiros
(não bloguistas como o livro, com estes ditos na página 31, me ensinou retirando-me ainda fiapos de dúvidas)
façam favor de entrar naquele concurso!
Oh! ENEQUERIDOS ...a blogoesfera é um suminho de coincidências!
quarta-feira, 29 de setembro de 2004
eu queria...
eu queria ter malmequeres a rodar na cabeça
uma carrada de malmequeres a dançar
nunca mais a cabeça zunir de contradições,
de sonhares desfeitos
de pesadelos acordada
nada mais que o zum zum dos malmequeres
rodando...
...com calma
nas palmas das mãos pétalas
rosadas pétalas de rosas
esvoaçantes
nos cabelos odores de pinhais
circundantes
carumas calcadas de pés nús
deslizantes
águas de um rio
escorrentes
meus olhos num arrepio
sosssegados
olhando-te neste fim de estio!
.....................................................................
o Almaro não deve ficar zangado ...este comentário dele, ali no outro post, tem tanto a ver com o que aqui, agora escevi!...
Tenho andado a sonhar…… com um mundo de acordares onde tudo é descoberta. Onde cada um desenha a sua própria ideia. Sem papagaios. Que cada um não repita o que ouve, o que vê. Mas que crie. Um mundo onde ninguém deixe que os jornais, as televisões, os fazedores de opiniões, nos retire o gosto de olharmos tudo, com o nosso ver. Um mundo sem espelhos, onde cada um não precise de se rever. Que sinta uma única necessidade. SER!
terça-feira, 28 de setembro de 2004
Tenho andado a sonhar...
eram coisas que apareciam e desapareciam dos computadores lá pela madrugada
é pá a lista estava lá e agora já não está?!
era uma entidade estranha ...lista feita à mão... que me aparecia assim...
mais ou menos isto...uma confusão!!!

e eram imagens estranhas

com vozes ainda mais esquisitas
Aqui tem as listinhas!
se me tivessem dito há mais tempo...
escusava ter armado esta confusão ...
eu trabalho bem é à mão
...acordei?! ou ainda estou sonhando?!
segunda-feira, 27 de setembro de 2004
Repensando mesmo!
Foi o meu pai nos seus sábios 86 anos... vendo-me perdida no meu mas... eu choro por todos eles! ninguém compreende isto?! eu não tenho pena, nem ódio, nem raiva deles! o que sinto...
na sua atenção que nem sempre percebemos tão atenta, murmurou “Compaixão, filha! o que eles merecem é compaixão” e eu serenei.
Mas outras crianças noutras andanças me fizeram reflectir este fim de semana. A leitura do artigo O CÉREBRO INFANTIL ESTÁ A MUDAR? relacionei-o com o tema sobre a escrita que foi levantado e podem ler num post com o título ALI ÀS VOLTAS e nos respectivos comentários.
Foi um fim de semana de reflexão inacabada, mas serenada.
Muita coisa anda, sim, a mudar e nesta conturbação eu sinto que é aos sinais que devemos estar atentos, buscar neles, buscá-los.
E sobretudo Amar (Incondicionalmente) como apela o Quim um amigo de longa data nestas andanças dos blogs.
(A quem acompanhou parte deste meu ir estando pela noite dentro, peço mais uma vez perdão e deixo o meu obrigada.)
sexta-feira, 24 de setembro de 2004
Pó de estrelas?!...
(parei aqui porque me apelaram vozes, encantadoras vozes de gente que se busca, se quer crescer e sente as dores que isso dá e sente medo e anda de alma solta neste mar de almas presas, buscando-se; com elas, as vozes deles, me quedei horas que nem senti passando; e, sem que lhes visse, os olhos sei que estavam destaipados, brilhando apesar das dores, apesar das buscas que se estão, cada um, fazendo. Nessas vozes que me buscaram por um daqueles acasos que a vida nos coloca a cada instante e a gente tantas vezes desapercebe, nelas, minha tal acima descrita, mal percebida e portanto mal descrita, tristeza, se espaireceu...um pouco...)
Escrevi isto ontem à noitinha e o entre parêntesis agora. E estou lembrando o que li no sefaxavor....é assim que acho que estive naquela tristeza que não consegui explicar e depois na conversa linda com dois seres que amo muito...bombardeada e embebida num pó de estrelas!
quarta-feira, 22 de setembro de 2004
Devagarinho no Outono
Acaba-se imperceptivelmente o fulgor do Verão
Vai-nos caindo sobre...
esta lassidão de Outono.
A luz já não é bem luz
mas uma pasta que se mistura com a Terra.
Dela se ergue uma bruma da sua cor,
diluída, esparsa.
O cheiro entra-nos na pele
absorve-nos
dispensa as narinas.
é acre
intenso
quase agressivo.
As estrelas baixaram no céu
teimosamente entre nós.
Ensombra-nos uma ténue cortina-
futuras nuvens
ainda medrosas de o serem.
O céu já não é a donzela
desconhecedora de vergonhas
descuidando-se brilhante no seu virginal fulgor.
É, agora, pudica menina
tentando encobrir a nudez
em indiscreta cortina translúcida.
Se Paz houvesse, ela seria proclamada em cada início de Outono!
(As fêmeas deveriam sempre aleitar nesta estação.
Então, os vagidos das crias sequiosas ou o ronronar da saciedade, soariam abafados docemente na penumbra, de manhã a manhã, como uma almofada de lã fofa e transparente e as crias, rolando dos leitos, vagueariam nesta maciez onde a gravidade quase se anula.)
Se houvesse Paz... seria sempre no começar do Outono!
(de um manuscrito anterior a 1997)
segunda-feira, 20 de setembro de 2004
em jeito de...crónica
| Ai deuses e todos os demais que possa para aqui congregar!
Oh! Forças do Universo! poderosas forças que trazeis de vós o irreal para as entranhas do real ! Oh! inomináveis contadores de vós que presenteais ao insondável energias transmitidas e reconvertidas Partículas e ondas numa realidade que se ousou poisar, incontrolada, num local abeirado de águas numa noite aquentada de sóis escondidos, já, nessa rotação dos astros, pela vossa mão, no ventre das vossas inenarráveis estruturas! Oh! Deuses, demónios, anjos, vulcões, luas, quarks e esse sem fim de pedacinhos que fazem de cada um um todo e do todo cada um! Oh! aflita alma minha rodopiando nesta infinitude que de sentires se entrelaçam sem que saiba se de mim para eles ou num outro qualquer direccionamento e se, sequer, sentires lhe chame tal a confusa demanda do que entendia virtual que por, ouvindo, semelhar a virtude, tão doce se me encanta seu existir num nada, se me deu em desfazer em SER! Enlouquecida! Devaneante! Errónea! Incorpórea! Neste estado os invoco ....shut!!!!!!!!!! eles estão vindo...devagar...doces... Sinto-os por entre as paredes, o tecto, o soalho... Sentaram-se...estiram mesclas que semelho a pernas, braços... mas serão, antes alguma outra entidade que desceu com eles Aquietam-se em meu derredor Estão aqui Envolvem-me Aquietei também Respiro como um ser real Apalpo-me.... sinto as estrias, os poros, os pelos Eu estou aqui e.... maravilha! estou sentindo que sinto! Agora, talvez possa pensar o que terá acontecido naquele local abeirado de águas numa noite aquentada de sóis já escondidos .... Talvez!... Antes, preciso estar mais um pouco com estas entidades aqui convocadas! Olho-as!! sossegadamente, se estão a preparar para entardecer comigo! Depois... Depois eu contarei .... Agora, eles estão segredando Shut!!!! quero ouvir! Dizem .....que foram as sensações cruzadas nesse local,sempre à beira rio mesmo quando já um outro dia se amanhecia, foram essas doses intensas, concentradas, fortes, que me fizeram assim os congregar... Dizem-me que assossegue Que olhar o real pelas portas da alma é tão desusado ao humano ser Que (dizem-me eles, aqui, juro!) Pode transmutar-se o ser em eles...num deles... Que me aquiete Que veja as fotos lindas Que recorde cada sorriso Que sinta cada abraço Que oiça os rumores do linguajar doce e o rir suave ou garagalhado Que recorde as histórias contadas em surdina Que sinta a lágrima que não correu enquanto sorria Que oiça o poema e reveja o piscar à luz dos flashs adocicados por detrás de alguém que fotografando beijava Que acaricie aquele sorriso sentado frente a mim Que não pretenda contar o que já só é porque está aqui guardado, mas planando no espaço, e a que o humano ser português, ou nele se expressando, designa docemente de AMIZADE! |
sexta-feira, 17 de setembro de 2004
o não post
![]() |
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tudo que escrevesse
agora...era mentira
escrevesse eu sobre o que fosse
e sairia borrada
assim, decidi não escrever
deixar este espaço em branco
aparecer um quadro de cores misturadas
um arco Íris em dupla refracção
uma folha de papel sem um borrão
nem um bom dia
nem uma saudação
nada de nada
hoje, tudo seria isso:
uma falsidade
ou um nada
fico por este
e assim me vou alumiar no sonho
terça-feira, 14 de setembro de 2004
Zecatelhado o povo tá contigo!!
a gente tem saudades dos teus desenhos!!!
e das tuas palavras!!
Roubei....por uma boa causa! sei lá...
to ALVES: lots of smiles, wherever you are.
Today I'm happy
My friends are coming
Do I have enough food?
Am I forgetting something?
Am I early or am I late?
Hum, it tastes really good.
And the wine? I think is ok.
I'll change the table cloth...
Oh yes - Much better this way!
Is doesn't really matter
How often this happens
Today is a very special day
Posted by alvestc at agosto 14, 2004 08:52 PM
(e tu 5ª elemento (Boro ou Rubídio?!) onde andas?!)
sábado, 11 de setembro de 2004
confusão mental
gorda de dizeres
abraçada de silêncios
apetecida de dormires profundos
de acordares vagarosos
de manhãs previsíveis
de entardeceres acabados
esvoaçando para escuros de sossego
esvoaçando para amanhãs novos
Apetecida de descanso...
o descanso da alma
o descanso que não se apraz com não fazer
o descanso da paz
o descanso de estar em descanso
Emagrecer de palavras
Engordar de silêncios de já ditos
abraçada de palavras sussurradas
inventadas...nunca ouvidas
Sossegar sossegadamente
Farta da palhaçada das palavras
Cansada da algaraviada
Silêncio
Calar-me a mim
Desouvir-me
ficar apenas o silêncio
com os ditos em fundo
e apenas sussuros e música
Nada de estrondos
nada de TV
nada senão o mar mesmo em tempestade
a chuva mesmo em telhado de zinco
o tilintar das chaves no chaveiro
E as portas abrindo e fechando sem ruído
nada de torneiras a pingar
nem autoclismos avariados
nada de colheres a raspar pratos
numa mesa cercada de silêncios
nada de campainhas...telefones...telemóveis
Fugir dos meus ruidos
sair do barulho que me faço
rebentar os silêncios silenciosamente
e depois falar em surdina
.....
a antecâmara da morte?
a sala de visitas de um manicómio?
Talvez apenas...
apenas a busca de mim
sossegada
em memória
Antes... durante...e depois daquele 11 de Setembro
(retirado desse site)
________________________________________________________
Mariaras A VELHA onde anda?!!!!! sumiu sem dizer nada!
lembra-se que lhe enviei estas flores?![]()
sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Tu
não precisas fazer para ser um homem
não precisas dizer para ser ouvido...
Simplesmente,
do fundo do teu eu escondido,
quase sempre envergonhado,
não de ti, mas das coisas do mundo,
tu falas, dizes, gritas
a liberdade de estar sozinho
liberdade que é ,
sem que o saibas, e por isso, o precises dizer,
a forma mais dura, mais ignara,
mais vivida de viver!
Tu, leal ao mundo
aos que o polulam
que sempre,
quando o dizes,
se percebe que te enchem,
incomodam e, mais, melhor,
confundem
na multiplicidade anárquica que os sentes
não ser cada um em si ,
como tu te és em ti,
sozinho e crente da vida e dos demais,
mas sim um amalgamar
em condições
em regras
o eu
peculiar e único e singular e belo
que cada um, como tu,
se o deixassem,
podia SER.
Perceber-te nessa singularidade que desolhas
nesse desatento olhar,
que, mais que tu, outros te impõem,
é um carinho, uma Graça
maior que olhar o esconder do sol no horizonte
maior que ouvir o bater de asas de um passarinho.
Perceber-te
saber que o sabes...
ver-te a olhar para ti
único ..
sozinho...encantado de ti,
despojado...
sábio e amante...
fazê-lo...
é poder partir de aqui
sem precisar de mais
senão agradecer, rezando, a um deus,
que nem sei se existe, mas me ouve...
dizendo em silêncio:
adormeci...
tudo está em Paz.
(Julho de 2004)
quinta-feira, 9 de setembro de 2004
avariação
| Por aqui ando..andando
aos tombos - pareço um maximbombo um daqueles da Luanda da Mutamba (há quanto tempo!) ...parei...estou numa paragem de avria os passageiros descem zaragatando eu estrebucho...tento andar...gorgeio estridente abano-me e deito fumo e um líquido (lágrimas?) ....amanhã já é hoje...tá faltando só o sol e o maxibombo vai arrancar devagarzinho e os passageiros sobem sorrindo deslembrados da avaria... |
quarta-feira, 8 de setembro de 2004
despedida
Eu entendo-me mesmo é com o meu sapinho!
Não me abandones que eu sem ti ando perdida!
Tento reencontrar a forma e sai sem este carinhoso aspecto que coloquei aqui...
Sem ti, sapinho rafeiro e arredio, mal educado e fugidio, eu fico mesmo sem partido!!!
Agora vou para outras lides...
Vou, porventura deixar este cantinho por uns tempos e nem sei se vou encontraroutro...
Hoje levei o dia procurando poiso...uma casa...
Nada me encantou - a sala mal iluminada, os vizinhos barulhentos, outras linguagens que me não entendem nem entendo...
Voltei...
Fiquei olhar para este espaço e a indolência própria da nostalgia, afagou-me
Recostei-me e fiquei olhando...
Sapinho não sejas assim - pintei a casa toda, arrumei a sala, tenho os livros nos locais que conheço...
Bolas e assomo à janela e conheço todos os transeuntes, o homeme da mercearia da esquina, a mulher que passa todos os dias pela tardinha, os ninhos das andorinhas...
Terei que sair daqui?! vai custar-me muito!

